Museu do Surfe

O segredo das ondas

Coluna Museu do Surfe, de Diniz Iozzi e Gabriel Pierin, conta detalhes das ondas, que encontram sua origem na natureza e explicação na ciência.

Para além da competição, o surfe é uma expressão de conexão com a natureza, uma filosofia de vida. Em muitas culturas costeiras, as ondas são reverenciadas como manifestações místicas do oceano, símbolos de força e mistério. Os povos nativos do Pacífico têm suas tradições e rituais ligados às ondas, considerando-as sagradas e essenciais para sua identidade. Para os surfistas, cada onda é uma oportunidade de se conectar com o mar, sentir a energia do planeta e experimentar um momento de transcendência.

As ondas carregam uma aura de magia e espiritualidade. Muitos acreditam que as ondas
representam a força da natureza, uma manifestação do universo e seus ciclos. Para essas
pessoas, o swell é uma espécie de mensagem do mar, uma dança de energias que nos lembra da nossa conexão com o planeta e de nossa responsabilidade em preservá-lo.

Além de toda mística e crenças sobrenaturais, as ondas encontram sua origem na natureza e sua explicação na ciência. O swell é a energia das ondas que viajam por longas distâncias, antes de chegar às praias. Essa energia é gerada por tempestades e ventos fortes e persistentes, que sopram sobre a superfície do mar, criando ondas que podem percorrer milhares de quilômetros.

Nesse processo, a energia do vento transfere-se para a água, formando ondas que aumentam de altura e quebram ao se aproximarem da costa. As condições de maré também desempenham um papel fundamental na formação das ondas para o surfe. A maré é determinada pela atração gravitacional da lua e do sol. Esse movimento periódico das águas influencia diretamente na formação e força das ondas. Os surfistas que acompanham os horários das marés, as condições de vento e a chegada do swell aproveitam a melhor combinação para as ondas perfeitas.

As ondas também podem variar em tamanho, forma e comportamento dependendo do substrato do fundo do mar. As ondas de reef são aquelas que quebram sobre recifes de corais ou rochas e podem criar tubos perfeitos, a exemplo de Pipeline, Havaí. Já os beach breaks, são as ondas que quebram em fundo de areia e são comuns nas praias brasileiras.

Além do swell, também existem as vagas, que são as ondas de praia, produzidas pelos ventos em regiões próximas da costa. Essas ondas são mais irregulares, menos consistentes e seus períodos são menores.

Ao contrário do swell e das vagas que se formam a partir da ação do vento, os tsunamis são ondas causadas pelos tremores de terra no fundo do oceano. Aliás, foi de um tsunami o registro da maior onda no planeta Terra. Ela ocorreu no Alaska no dia 9 de julho de 1958 e, evidentemente, não foi surfada. A gigantesca montanha d’água percorreu toda a extensão da Baía de Lituya e atingiu um pico de 524,2 metros perto da enseada Gilbert, destruindo tudo ao seu redor.

A maior onda surfada na história, com reconhecimento oficial, foi de 26,21 metros (aproximadamente 86 pés), surfada pelo alemão Sebastian Steudtner na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, em 29 de outubro de 2020. Essa marca foi homologada pelo Guinness World Records. A brasileira Maya Gabeira detém o recorde de maior onda surfada por uma mulher, com 22,40 metros, também em Nazaré.

A ciência que estuda os oceanos e as zonas costeiras é a Oceanografia. Movido pela curiosidade de compreender os seus fenômenos, o surfista Alex Du Mont fez da paixão pelo mar, sua profissão e propósito de vida. Alex sentiu desde cedo o gosto salgado e vivo da água do mar e a relação natural do ser humano com o oceano, um mundo que reúne os elementos essenciais para a vida, como a terra, a água, o sol e o vento integrados ao verdadeiro espírito Aloha.

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Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi – o Pardhal.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)