Museu do Surfe

Albano, herói desconhecido

Coluna Museu do Surfe, de Diniz Iozzi e Gabriel Pierin, apresenta história de Albano, considerado melhor surfista brasileiro na temporada 1997/98 nas ondas de Pipeline, Havaí.

Pedro Paulo, o Albano, é o terceiro de quatro irmãos surfistas, entre eles o lendário big rider de estilo refinado, Marcos Tubo. Filho da dona Norma e do sindicalista dos Carregadores de Bagagem de Santos, Antônio, Albano nasceu em Santos em 1959 e começou a surfar aos 12 anos de idade.

A família morava no bairro do Campo Grande, quando Albano comprou sua primeira prancha, uma monoquilha do Oracio Cocada. Estudante do Colégio Marquês de São Vicente, Albano conheceu o vizinho Pascoal, tornaram-se amigos do mar, das ondas e viagens.

Albano seguiu seus estudos no Senai, formou-se Torneiro Mecânico, mas sua busca pelo surfe e pelas ondas não parou de crescer. Junto aos amigos Zanetti, Carioca, Batefino, entre outros, Albano conheceu novos picos e desbravou praias pelo Brasil.

Em 1983 viajou para Florianópolis (SC), onde viveu alguns anos até voar para a Califórnia (EUA) em 1990. Na Costa Oeste americana, Albano encontrou Rogério Alemão e foram para o North Shore havaiano pegar as ondas gigantes e perfeitas.

No Havaí alugou um quarto na casa do big rider carioca Fábio Mobral. No inverno havaiano de 1997/98 fez história para o surfe brasileiro e, especialmente, o santista. Considerado o melhor surfista tupiniquim da temporada nas ondas de Pipeline, notabilizou seu feito num histórico registro em foto de página dupla numa revista japonesa. A sequência de fotos foi intitulada como Unknown Hero, o Herói Desconhecido.

Albano viveu 12 anos no arquipélago havaiano, sempre desafiando as maiores ondas. Em
Jocko’s (em homenagem ao lendário Jock Sutherland) enfrentou um mar de 8 a 10 pés e sofreu seu maior caldo ao tentar entubar e ser arrastado para o fundo. Ele usou os últimos três segundos que todo surfista tem para retornar à tona, sobreviver e contar ao amigo Maurício Orelhinha, testemunha ocular do fato. Essas adversidades do mar, Albano aprendeu cedo, antes mesmo de começar a surfar.

Ainda criança, ele pegava sua pranchinha de isopor e seguia o irmão Marcos Tubo. Numa das inúmeras ressacas, Albano perdeu a prancha no fundo e chegou à areia exausto. Quando sua mãe perguntou o que tinha acontecido ele disse que não havia nada de errado para não sofrer o castigo que o deixaria fora das ondas do mar.

Em 2002 retornou a Califórnia, onde vive com os filhos Sofia, de 15 anos, e Marco de 17, em homenagem ao irmão Marcos Tubo. Albano, o imigrante do surfe, obteve o Greencard, tem permissão para morar e trabalhar, e hoje optou pela cidadania norte-americana, mas visita Santos anualmente para ver amigos, familiares e matar a saudade.

Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos.

Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi – o Pardhal.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.