RIP CURL BOARD MASTERS (NEWQUAY/INGLATERRA – 4 estrelas)
#Tita Tavares foi o grande nome do Brasil até agora na Europa. Foto: Pierre Tostee/ASP World Tour.
O jovem australiano Adrian Buchan foi o destaque, vencendo praticamente todas as baterias que disputou: só passou em segundo na estréia, perdendo para Richard Sills. Na bateria seguinte, porém, começou a festa, eliminando o sul-africano. Depois, ninguém mais conseguiu detê-lo rumo ao título da competição.
O local Russel Winter, dono da casa e único TOP 44 inglês, era a maior estrela presente na competição. Passou apenas uma bateria em primeiro, mas chegou à final e garantiu o vice.
Entre os brasileiros, Edgar Bischof venceu três baterias, sucumbindo apenas para Adrian na semi, mas conseguiu fazer sua primeira final, ficando com um honroso terceiro lugar.
James Santos começou bem passando duas baterias em primeiro, depois caiu a produção, passando outras duas em segundo. Na final, acabou o gás, e ele ficou com a quarta e última colocação. Bom para o Brasil por colocar dois no pódio, mas é importante considerar o menor nível técnico da competição.
O’NEIL SURF CHALLENGE (ANGLET /FRANÇA – 5 estrelas)
Nas baterias iniciais, destaque para o brasileiro Renato Galvão, que passou quatro baterias em primeiro. No round 4, deixou o vencedor do Rip Curl Adrian Buchan em segundo, e eliminou ninguém menos que Tom Curren (acabou em terceiro).
Mas, no round seguinte o australiano (Buchan) deu o troco, fazendo dobradinha com seu compatriota Drew Courtney e eliminado o brasileiro da competição.
Destaque também para Bernardo Pigmeu, que deixou o jovem talento Micah Byrne em segundo por duas vezes consecutivas. Mas, no round 5 o americano foi à forra vencendo a bateria. Pigmeu acaba superado também pelo australiano Sam Carrier encerrando sua participação no evento.
No round 6, Adrian Buchan segue vencendo, e Micah Byrne também passa, atrás do local Tiago Pires de Portugal e Mick Fanning faz dobradinha com Pat O’Connel.
O brasileiro Edgar Bishof passa sua segunda bateria em primeiro, mostrando que realmente atravessa uma boa fase. Os brasileiros Danilo Costa, Marco Polo, Fabio Silva e James Santos, não têm a mesma sorte e são eliminados de prima.
No round 7, Adrian Buchan perde para o americano Cory Lopez, um dos candidatos ao título do WCT este ano, mas passa em segundo eliminando dois brasileiros de uma só vez: Victor Ribas e Wilson Nora.
Micah Byrne faz uma bela bateria deixando o top 44 Paul Canning em segundo, e mandando para casa dois europeus: o português Tiago Pires e o brasileiro radicado na França Eric Rebiere.
Bischoff ganha outra, deixando para trás o atual campeão do WQS, seu compatriota Armando Daltro. Nathan Hedge vence fazendo dobradinha com Pat O’Connel. Eles eliminam o líder do WQS 2001, Mick Fanning. Rodrigo Dornelles e Danylo Grilo fazem a primeira dobradinha brasileira na competição.
Oitavas: Adrian Buchan dá o troco em cima de Cory Lopez vencendo a bateria e, de quebra, elimina o jovem Micah, que fica em terceiro. “Pedra” (Dornelles) passa em primeiro e Grillo não consegue acompanhá-lo, perdendo em terceiro para o local Mikael Picon.
Nathan Hedge, Pat O´Connel, Nathan Webster, Shane Beshen , Taj Burrow e Paulo Moura também passam para as quartas.
Nas quartas, Maz Quinn vence sua bateria, mas Adrian passa em segundo para a semi, sendo a maior revelação da perna européia até aquele momento.
Webster vence a sua, fazendo dobradinha com seu compatriota Jarrad Howse, outra revelação do torneio. Dornelles, outro brasileiro que atravessa excelente momento, vence novamente, deixando a esperança local Mikael Picon em segundo. O´Connel deixa Moura em segundo, mas ambos avançam para a semi.
Na semi, Picon era o único francês ainda no evento. Seguindo as orientações de seu técnico, optou por explorar seu forte backside. Então, quebrou a primeira onda, destruiu a segunda e vencia a bateria quando tentou um aéreo e torceu gravemente o joelho.
Teve que sair antes do término, sem conseguir colocar o pé no chão. Mesmo assim terminou em terceiro, ficando com a excelente quinta colocação no evento. Passaram Pedra e O´Connell, para se juntarem a Mas Quinn e Webster, que venceram os dois jovens talentos Buchan e Howse.
Com ótimas ondas na final, o neo-zelandês Mas Quinn encontrou uma boa esquerda logo no início da bateria e aplicou uma sequência de snaps para disparar na frente. Mas O´Connel e Webster apostaram na direita que estava mais constante. Logo vieram as séries que permitiu que ambos obtivesem vários high scores.
A direita estava realmente com melhor formação, além de mais constante, permitindo notas melhores para O´Connel e Webster que disputaram onda a onda até o fim da bateria. Melhor para o americano, que ficou com o título da etapa. Dornelles não se achou desta vez amargando a última colocação. Mas teve o mérito de ser o único brasileiro na final.
GOTCHA PRO (LACANAU /FRANÇA – 6 estrelas)
Chegou a vez do principal evento da perna européia, que reúne todos os melhores surfistas do mundo em função de sua maior premiação e pontuação no circuito.
Marcondes Rocha estréia bem no round 3, vencendo Tom Curren. Vindo do round 1, Galvão vence o o bi-campeão carioca Leo Neves, deixando-o em segundo na bateria. O jovem americano Micah Byrne roda de cara e Beto Fernandes é o outro destaque brasileiro ao vencer sua bateria.
No round 4, Tom Curren dá o troco para Marcondes, deixando-o em segundo. Raoni estréia bem e passa em primeiro, deixando seu companheiro de viagem Léo Neves em segundo. Galvão, que desta vez perdeu o duelo contra Léo Neves, fica em terceiro e desta vez se despede cedo da competição. Beto Fernandes passa mais uma, na companhia de Sávio Carneiro e Dunga Neto.
Round 5: Marcondes vence a bateria e a negra contra Tom Curren, e deixa Fabio Silva em segundo. O tri-campeão desta vez fica em terceiro e é eliminado precocemente da competição, assim como seu compatriota Tim Curran.
Otavio Lima também estréia sem sorte. Com um 7,17 no início da bateria, precisava de um 4 para virar. A onda que pegou, segundo ele, tinha potencial e foi bem explorada. Obteve um 4,14 que Tavinho considerou abaixo do que esperava.
Mas, bateria é assim mesmo… Como ele, se despediram cedo Raoni (que assistiu a vitória de Léo Neves desta vez), Edgar Bischof, James Santos, Dunga Neto e Diego Rosa.
Wilson Nora, Beto Fernandes e Sávio Carneiro tiveram mais sorte. Entre os gringos, Adrian Buchan passa mais uma.
No round 6, Marcondes vence mais uma vez, deixando para trás, simplesmente o líder do WQS, Mick Fanning (segundo), além dos brasileiros Fabio Silva (3º) e Yuri Sodré(4º). Nesta fase, Danilo Costa, Victor Ribas, Léo Neves, Wilson Nora, Rodrigo Dornelles, Marco Polo e Christiano Spirro acabaram eliminados.
Mas se juntaram ao jovem alagoano (Marcondes) no round 7, um dos líderes do Supersurf: Sávio Carneiro, além de Joca Junior e Beto Fernandes, que fizeram a primeira dobradinha brasileira na competição. Adrian Buchan segue em frente.
Tita vence o Lacanau
Enquanto isso, Tita vence mais uma no feminino, deixando novamente Jacqueline em segundo. Apesar de estar passando momentos difíceis com relação a patrocínio e acompanhamento técnico nas competições, Tita se vale de todo o seu talento para mostrar seu potencial e levar o Brasil ao lugar mais alto do pódio, mais uma vez. Parabéns Tita, porque você pode e merece chegar onde quer…
Enquanto isso, no round 7…
Com um 8,0 no final da bateria, Fanning dá o troco em Marcondes, que desta vez passa em segundo. Mesmo assim, ele tira um dos líderes do WCT 2001, Jake Patterson, que não encontrou as ondas.
Paulo Moura e Marcelo Nunes fazem a dobradinha brasileira do round 7. Em bateria muito disputada, Joca Junior suou garantir sua vaga nas oitavas. Em sua bateria, o aussie Phillip Mac Donald fez a melhor nota e melhor média desta fase (22,74 – 8,67).
Na bateria de Neco, o brasileiro fez um 8,5 em sua terceira onda, situação que o deixou mais à vontade para garantir a primeira colocação. Na bateria de Peterson, Conan Rayes reagiu no final com dois high scores (um 7,0 e um 8,0) para vencer e deixar o Bronco em segundo.
Renan Rocha, Fábio Gouveia, Teco e Beto Fernandes também passaram as suas baterias. O jovem Adrian Buchan acaba eliminado, mas merece parabéns por sua regularidade nas últimas competições. Destaque também para Pat O´Connel e Richie Lovett.
OITAVAS
A primeira bateria começa disputada com Fanning e Marcondes em outro duelo. Correndo por fora, Paulo Moura encaixa um 8,67 e entra na briga. No final, Marcondes fez um 7,27 para vencer a bateria e deixar Moura em segundo, fazendo a primeira dobradinha das oitavas. Fanning perde o último duelo com Marcondes, eliminado em terceiro.
A segunda começou disputada, mas Neco foi mais consistente e garantiu sua vaga nas quartas, fazendo outra dobradinha brasileira com Joca Junior. Conan Hayes venceu a terceira em bateria apertada, deixando Renan Rocha em segundo. Renan construiu sua vitória com as três últimas ondas que entraram para o somatório, especialmente um 7,17, que o fez vencer a disputa com Peterson, eliminado em terceiro.
A quarta foi outra bateria embolada, com Fabio Gouveia vencendo com duas boas ondas nos minutos finais (5,23 e 5,93). A quinta bateria começou bem para Teco e o australiano Kieren Perrow, que fizeram logo suas três melhores ondas. Shane Beschen se recuperou com um 7,0 e no final acabou vencendo com outra boa nota (6,10). Teco em segundo.
A sexta começou com um 6,50 de Maz Quinn e outro de Mick Campbell. O neo-zelandês encontrou um 6,43 para ocupar a liderança até o final. Toby Martin, que estava boiando, encontrou duas ondas para o seu somatório no final (5,83 e 4,80) e ficou em segundo. Michaell Lowe fez um 7,50 em sua última onda, mas foi a única em que pôde mostrar o seu surf.
Na sétima bateria, Joel Parkinson venceu do início ao fim. Paul Canning esperou mais as ondas e encontrou duas boas no final (6,53 e 5,50) para garantir sua vaga nas quartas. Beto Fernandes não se encontrou. Na última bateria, os high scores fizeram a diferença: Taj Burrow fez um 7,5 e Hobgood um 8,0. Taj, porém, foi mais regular e encontrou outras duas ondas acima de 5 (6,60 e 5,77). O´Connell não achou as ondas.
QUARTAS
Na primeira bateria das quartas, Neco venceu de forma convincente, descartando até um 5 e um 5,80. Marcondes surfou mais apagado, mas o suficiente para garantir sua vaga na semi. Joca achou uma boa onda para fazer 8,33, mas foi só. E Paulo Moura simplesmente boiou.
Na segunda, Fabio Gouveia começou bem, disputando a liderança com Kurt Jacobs. No final conseguiu um 7,83 para vencer o duelo com o australiano. Renan falhou na escolha de ondas. Na terceira bateria, Shane Beschen e Toby Martin começaram melhor, mas no final Teco conseguiu um 8,50 que fez a diferença, garantindo sua vaga na semi, junto com o americano que acabou em segundo. Na quarta, vitória magistral de Taj Burrow com dois tubos perfeitos. A outra vaga foi de seu compatriota Joel Parkinson.
SEMI-FINAL
Neco foi mais consistente para fazer boa pontuação em todas as ondas. Logo no começo conseguiu um 8,50 que o colocou em boa situação. Marcondes perdeu novamente o duelo para Neco: encontrou duas boas ondas no início ( 5,50 e 7,67), mas só na última conseguiu o 5,73 que garantiu sua vaga na semi, virando a bateria em cima de Jacobs.
Na outra semi, Taj Burrow começou com um 9,33 e liderou do início ao fim. Parkinson começou disputando a segunda vaga com Shane Beschen. Teve mais sorte porque o americano não pegou mais onda nenhuma até o fim da bateria. Teco boiou no início, ensaiou uma reação no final, mas ficou devendo um high score para entrar na disputa pela vaga na final.
FINAL: BRASIL X AUSTRÁLIA
Na final, um duelo à parte entre a maior potência do esporte, a Austrália, contra a nova potência, que vem chegando a cada ano com mais força: o Brasil. De um lado, Neco Padaratz e o jovem talento alagoano Marcondes Rocha, de apenas 18 anos. De outro, os aussies Taj Burrow e Joel Parkinson, dois dos principais nomes da nova geração do surf mundial.
Parkinson começou mal. Estava mais para Taj com um 6,50 e depois um 7,33. Neco entra na briga com 5,33, um 6,83 e depois ainda conseguiu um 5,9. Marcondes fez um 8,5 mas foi sua única onda acima de 3 pontos, ficando com a excelente quarta colocação.
Marcondes mostrou muita maturidade em suas baterias e fez o seu primeiro resultado concreto no WQS 2001, despontando definitivamente como um dos nomes mais fortes da nova geração brasileira. Neco acaba vencendo a disputa contra Taj fazendo um 6,33 para conquistar a segunda colocação, contra um 5,00 do australiano na sua última onda, que amargou o terceiro lugar após uma série de baterias memoráveis.
Neco sempre se destaca nos eventos mais difíceis e importantes, o que mostra do é capaz. Falta-lhe somente mais regularidade.
Joel Parkinson boiou na maior parte do tempo, mas no final fez um high score (9,0) que fez a diferença e o colocou na vice-liderança. Depois, com um 5,80, conseguiu superar Neco no final da bateria por apenas 0,07 pontos e ficou com a vitória.
COMO FICA O WQS
O aussie Mick Fanning dispara na liderança com quase 1.000 pontos de vantagem sobre seu compatriota Nathan Webster (9.491 x 8.498 pontos). A Austrália vem também em terceiro com o jovem Kieren Perrow (8.175).
Mas em seguida aparecem os brasileiros Teco Padaratz (8.148) e Marcelo Nunes (7.870), respectivamente com a quarta e quinta colocações. A Nova Zelândia, figura agora entre os top 10 através de Maz Quinn (7.849) e a sexta posição no ranking. Depois vem Paulo Moura e outros três australianos: Dean Morrison (7.538), Phillip Mac Donald (7.261) e Taj Burrow (7.190). Mesmo com a vitória, Joel Parkinson não figura entre os top 10 por não contar com outros resultados expressivos no WQS 2001, pois tem priorizado o WCT.
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