?Vou shapear até morrer?, garante Beto Santos

#Conversar com o carioca Beto Santos, shaper há 23 anos e com 14 mil pranchas no currículo, é ouvir o testemunho de um cara que escreveu parte da história do surf moderno brasileiro. Grande parte da vanguarda do esporte na década de 80 passou por suas plainas e pela fábrica de pranchas Cristal Graffiti. ?A Cristal Graffiti foi um movimento cultural, havia uma atitude de puro surf?, afirma Beto, logo no começo de nossa conversa.

Surfistas ícones daquela época, como Cauli Rodrigues, Pedro Müller, Dadá Figueiredo, Ricardo Tatuí, Picuruta Salazar, Roberto Casquinha e Nelson Ferreira descobriram nos shapes de Beto Santos as pranchas mágicas que os ajudaram a chegar ao topo dos pódios.

Quem esteve no campeonato Olimpikus, na praia da Joaquina em 82, lembra da invasão da Cristal Graffiti, com dúzias de atletas, dezenas de pranchas, uma tenda enorme e uma estrutura de equipe de competição jamais vista antes no Brasil.

A partir daquele verão, o surf no Brasil nunca mais seria o mesmo. A Cristal Graffitti passou a dar as cartas e mostrar a direção que todos deveriam seguir ? uma combinação de alta dose de profissionalismo nas pranchas e de total apoio aos novos talentos, que passaram a ser presença constante em todos os pódios brasileiros, além de um forte trabalho de marketing da marca.

É claro que a CG também foi fundo na surfwear. Porém, segundo Beto, nunca perdeu o foco na qualidade das pranchas e no amor pelo surf. ?No auge do verão carioca, com dezenas de caras querendo fazer prancha, nós fechávamos a oficina e íamos curtir lá no sul. O pessoal ficava louco?, lembra Beto, achando graça de si próprio e de seus sócios Cláudio Valle e André Cotrin.

Indagado sobre influências no início da carreira, Beto Santos cita nomes do porte de Al Merrick, Bill Barnfield, Dick Brewer e Heitor Fernandes. Atualmente, o shaper continua a beber das mesmas fontes. ?Para mim, Al Merrick continua uma referência obrigatória nas pranchas hot-dog, assim como Dick Brewer e Pat Rawson nas guns?, afirma. ?E digo mais, ninguém faz pranchas de tow-in como o Dick Brewer?.

E é falando de tow-in que Beto Santos demonstra um entusiasmo típico dos que amam o que fazem. ?No ano passado, Carlos Burle arrepiou em Maverick?s com minha prancha e este ano Eraldo Gueiros levou duas pranchas de tow-in, uma 5?4 e uma 6?8 , para a temporada 2001/02?, afirma.

Fazer pranchas com qualidade de todos os tamanhos parece ser natural para esse shaper. ?Para quem pretende surfar no sul neste verão, eu recomendo pranchas menores (6 pés), com 18?3/4 de meio e rabetas mais largas.? Outra paixão do shaper é a biquilha. ?Muita gente esnoba, mas não conheço nada tão funcional em ondas pequenas?, garante.

Sobre tendências, Beto aponta as pranchas 5?4 de bico redondo que estão na moda na Califórnia, porém reconhece que o brasileiro é um pouco reacionário às mudanças. ?A galera não gosta de arriscar, talvez pelo fato da prancha ser um artigo relativamente caro. O cara não está a fim de botar uma grana e o shape não funcionar?, diz Beto.

Hoje, apenas um seleto grupo de surfistas tem seu apoio. O alagoano Marcondes Rocha, quarto colocado no Gotcha Lacanau Pro 2001, na França, o sergipano Romeu Cruz e o surfista de Saquarema (RJ) Dudu Rosenval compõem a equipe CG hoje.

Beto Santos, pai de Rafael e Manuela, fala de seus atletas sem esconder o orgulho e a seriedade que encara a relação profissional com esses surfistas. ?O atleta deve ser bem orientado para alcançar os melhores resultados?, acredita.

Sem esconder sua admiração pela concorrente Wet Works e reconhecendo que o mercado hoje é muito mais competitivo do que há dez anos, Beto Santos se mostra otimista com o futuro e garante: ?Vou shapear até morrer, eu amo o que faço.?

Quem quiser trocar uma idéia com Beto Santos pode encontrá-lo no e-mail [email protected] ou ligar para o fone: (0xx21) 2442-2907.

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