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Vissla Upcycle Contest

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Rodrigo Matsuda aproveita materiais descartados para fazer sua prancha. Foto: Reprodução.

 

A Vissla criou um concurso voltado à comunidade do surfe com intuito de fomentar a conscientização e experiência na transformação do lixo em algo de útil para o esporte. O concurso cultural Creators & Innovators Upcycle Contest, que a marca californiana promove para o mundo todo, terá seus três primeiros colocados recebendo uma premiação bem legal.

 

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Sim, o mundo todo pode entrar no jogo, mas o Brasil criou uma premiação especial só para a galera daqui.

 

Caio Humehara, Brand Manager da Vissla Brasil, comentou sobre o concurso que encerrou as incscrições no último dia de agosto: “A Vissla, ao desafiar a galera a utilizar materiais considerados lixo, coisas descartadas, para criar algo que pode ser usado no oceano, busca amplificar sua própria filosofia e o retorno que tivemos foi muito legal. Até o último dia de inscrições havia gente entrando no jogo.”

 

A marca, que tem seu processo Upcycling casca do coco e garrafas pet recicladas em material para a confecção de boardshorts e walkshorts, instigou muita gente a reutilizar materiais para criar o que fosse. Rodrigo Matsuda, embaixador da Vissla no Brasil diz que as ideias que já pôde analisar são bem interessantes: “Acho importante poder instigar as pessoas a terem um dia diferente, a exercitarem sua criatividade. Realmente não há limites para a imaginação e muitas ideias podem se transformar em produtos realmente inovadores”.

 

TBTS – Você embarcou na ideia logo de cara?

Rodrigo Matsuda – Como sou um dos embaixadores da marca, me chamaram para fazer um vídeo promovendo o concurso. Achei que a melhor maneira seria fazer um vídeo no qual eu mesmo criasse algo que pudesse motivar a galera. O bacana é ver como as pessoas conseguem olhar para os materiais disponíveis de outra maneira. Quando me chamaram para divulgar o concurso acabei criando uma prancha com materiais inusitados e, a partir daí, até hoje fico olho para as coisas em casa, jogadas pela rua, na praia, com outros olhos. Os participantes fizeram pranchas de surfe, handplane, paipo, quilhas, alaias, skimboard, etc. Blocos de isopor feitos a partir de pequenos pedaços de isopor viraram pranchas. Longarinas feitas de agave e outras ideias bem interessantes e práticas estão entre as concorrentes.

 

Como surgiu a ideia da prancha?

Vinha pensando em fazer uma mini simmons ou algo assim. Diante desse desafio comecei a bolar o que poderia usar para estruturar o que poderia ser o bloco dessa prancha. Pensei na prancha toda antes. Fui bolando como seria o bloco, bordas, deck e fundo e comecei a pensar em materiais que já observava que eram muito descartados, como aqueles cilindros de papelão.

 

Você é conhecido por ser um cara criativo, que já trabalha com materiais diferentes.

 

Pois é, como já venho desenvolvendo um trabalho nessa direção, já tinha na cabeça várias coisas que sabia que poderiam ser usadas, como os cilindros de papelão. Eu tinha várias ideias para o deck e fundo, mas as chapas de Raio-X surgiram da cabeça do Rafael Tognini, da Flamboiar, que fez o vídeo.

 

Eu havia pensado em usar pastas velhas, aquelas de arquivos, daí o Rafa achou que as chapas de Raio-X poderiam ser uma solução interessante. Eu tinha muitas em casa, da minha filha, do meu cachorro. Comecei a trabalhar com elas, colando na estrutura com cola quente, depois cola epoxy e foi dando certo. Elas são bem rígidas e fui colando na estrutura, tem flexibilidade e é impermeável. Deixamos transparente e acabamos montando um esqueleto. quando colocarmos luz por trás da prancha creio que teremos um efeito bem legal.

 

As quilhas não tem foil. Por quê?

O que sempre pensei sobre esse projeto é que queria motivar a galera a fazer algo que poderia ser mais simples, que conseguissem realizar, mesmo sem os talentos de um shaper ou artesão. Não quis colocar muita técnica, fazendo foil ou bordas super bem acabadas. Foram seis dias inteiros de trabalho.

 

E funcionou nas ondas?

Cara, claro que não é uma prancha que vou usar todos os dias, mas a felicidade de entrar no mar com ela e ver que funciona dá um prazer enorme. Foi muito divertido!

 

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Os tops Silvana Lima, Raoni Monteiro e Filipe Toledo já tiveram suas experiências com pranchas de materiais reaproveitados em outras ocasiões. Foto: Reprodução.

  

Rolando desde de 2015, quando nasceu na Califórnia, o concurso contou com participantes do mundo todo. “No Brasil, neste primeiro ano, já tivemos uma resposta legal e creio que esse concurso deve ganhar força na próxima edição. As peças não são nossas, por isso ainda não posso garantir, mas tenho certeza de que os vencedores gostarão de participar da The Board Trader Show com a gente”, disse Caio Umehara.

 

“Semana que vem já estaremos recebendo as peças para definirmos os campeões”, comentou Rodrigo, empolgado com a empreitada em que participa como um dos jurados.

 

O julgamento decidirá os três primeiros colocados, entre dez trabalhos selecionados, baseado na inovação, funcionalidade, criatividade, design e estética. Os projetos participarão de uma exposição dia 1 de Outubro em um espaço de um novo parceiro da Vissla em São Paulo.

O primeiro lugar ganhará uma prancha feita pelo Henrique Perrone “Ogro”, da Ogro Surfboards, o segundo será contemplado com uma Alaia do Rodrigo Matsuda, da Lasca Surfboards, e o terceiro levará quadros com imagens assinadas pelos fotógrafos Jair Bortoleto e Fábio Minduim.

 
Julgamento – O julgamento será baseado na inovação, funcionalidade, criatividade, design e estética. Serão selecionados 10 finalistas e estes deverão enviar seus projetos para análise e votação. Os projetos participarão de uma exposição no início de Outubro e os 3 melhores ganharão prêmios exclusivos feitos pelas mãos dos embaixadores da marca: o primeiro lugar ganhará uma prancha feita pelo Henrique Perrone “Ogro” da Ogro Surfboards, o segundo será contemplado com uma Alaia do Rodrigo Matsuda da Lasca Surfboards e o terceiro levará quadros com imagens assinadas pelos fotógrafos Jair Bortoleto e Fábio Minduim.

Leia aqui o regulamento completo.

Nos EUA – Em 2015, em sua primeira edição na Califórnia, o concurso contou com participantes do mundo todo incluindo Japão, Austrália e Ilhas Cayman, tendo como jurados os embaixadores da marca Jay Nelson e Donald Brink. Um dos ganhadores, Dane Whiteside, criou uma alaia construída a partir de uma porta oca.

A marca – Fundada em 2013, pelo surfista Paul Naude no sul da Califórnia, em pouco tempo conquistou admiradores de todos os tipos, de surfistas amadores a atletas consagrados do WSL e pessoas comuns que buscam produtos de qualidade e estilo.

Em 2014 ganhou o prêmio de marca revelação do ano da SIMA (Surf Industry Manufacturers Association) e em 2105 conquistou como a melhor marca de confecção masculina, na mesma entidade, além de ter sido indicada aos prêmios de melhor campanha de marketing, melhor boardshort, produto sustentável e melhor roupa de borracha.

No Brasil, a marca é distribuída pelo Grupo Majal & Brandshouse, empresa especializada no mercado de consumo de surf, skate e lifestyle.

 

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Há algum tempo atrás, as pranchas feitas com garrafas pet surgiram de ideias como as propostas do Creators & Inovetors Contest. O que será que pode surgir agora? Foto: Reprodução.