Viajar é uma das melhores coisas da vida. Significa estar em contato com pessoas e culturas diferentes da nossa. Mas para um supista uma viagem não é tão simples assim. Se a viagem for de avião, na hora de escolher o destino, precisamos nos preocupar principalmente em como levar a prancha de SUP, que tem um tamanho bem maior do que uma prancha de surf normal e por isso sofre grande resistência por parte de algumas companhias aéreas na hora do embarque. Algumas simplesmente não fazem o transporte, enquanto outras podem cobrar taxas extras inesperadas.
Durante anos competindo no circuito brasileiro, essa sempre foi a minha maior preocupação. Como competia na categoria Unlimited, cujo tamanho da prancha é maior que das outras categorias, muitas vezes optei em ir de carro, mas, por causa das distâncias, normalmente chegava no dia da prova e com o corpo cansado da viagem.
Atualmente, estou com um projeto em que viajo pelo mundo, e já passei por vários problemas com as companhias aéreas e também ouvi muitas histórias de arrepiar. Esta questão é o grande problema de quem viaja e simplesmente quer receber sua prancha intacta no destino.
Hoje dentro do Brasil existe uma confusão incrível. Há cidades que embarcam tranquilamente pranchas e outras que não embarcam dentro da mesma companhia aérea. A questão da tarifa é a mesma coisa, você pode ser surpreendido pelo funcionário cobrando uma taxa extra por prancha na hora de embarcar, mesmo tendo a companhia informado que não haveria cobrança de taxa.
As principais companhias não cobram tarifas se o ponto de partida é de cidades como Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória. Já em outras cidades, poderá ser cobrada uma taxa entre R$ 50,00 e R$ 100,00 por prancha. Infelizmente, de todos os problemas ocorridos, acredito que a falta de treinamento dos funcionários para situações como esta é o principal, mas desde que iniciei minha vida de supista, muita coisa melhorou, e já faz uns bons anos que transito em aeroportos.
Para o exterior as taxas são bem mais “salgadas”, ficam entre US$ 100 ou 100€ cada trecho, é fundamental fazer uma reserva com no mínimo cinco dias de antecedência para garantir o sucesso do embarque, pois a empresa terá que verificar a disponibilidade de voos em que a prancha poderá embarcar.
Depois de toda adrenalina de conseguir embarcar com a prancha, vem a segunda parte: Ela chegará inteira?
O ideal sempre é proteger a prancha com plástico bolha, colocar uma proteção extra nas pontas e bordas, usar papelão também é uma opção e, claro, a capa.
Quando fui para Portugal, as companhias aéreas estavam cobrando por trecho 90€ para levar até duas pranchas dentro de uma mesma capa. Quando comprei a passagem, fiz reserva de bagagem especial (prancha de SUP), e a companhia solicitou a alteração da volta, pois a aeronave que faria o trecho interno dentro do país entre as cidades de Porto e Lisboa, não conseguiria transportar as pranchas. A opção foi voltar um dia antes.
Por isso se você irá viajar de avião e quer levar o SUP, procure fazer sua reserva com antecedência e informe sobre o tamanho da sua prancha. Quanto maior a prancha, mais cuidado você terá que tomar na hora de reservar o seu voo. E claro, no dia do embarque, chegue ao aeroporto com antecedência, pois assim você terá mais tempo para lidar com alguma surpresa desagradável que possa vir a acontecer.
* Andre Torelly é atleta, shaper e desenvolve um projeto em que viaja pelo mundo em busca de lugares especiais para a prática do stand up paddle. Saiba mais sobre seus trabalhos em wolvsup.com.br.
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