Baiano Uri Valadão, 22 anos, foi grande revelação do tour mundial 2007 ao conquistar o vice-campeonato da temporada.
Uri é um dos maiores atletas profissionais do esporte no Brasil (tricampeão brasileiro pro, bicampeão latino-americano e tetracampeão baiano) e finalizou o ano com atuação esmagadora nas Ilhas Canárias.
Baiano voador venceu a etapa e deixou o bicampeão mundial, aussie Ben Player, precisando de uma combinação de duas notas acima de 18 pontos em vinte possíveis.
Conheça um pouco mais do baiano voador, orgulho da nação.
Como foi a vitória nas Canárias e o vice-campeonato mundial?
Tive que ligar a máquina (risos), pois competir homem-a-homem numa
final de circuito mundial e contra o bicampeão mundial não é nada fácil. Realizei um grande sonho na minha vida.
Queria muito ganhar este campeonato e não queria que acontecesse como os eventos anteriores, quando cheguei à final e não consegui bom rendimento na hora mais importante.
Na real eu não estava pensando no ranking, queria ganhar o evento e só soube da segunda colocação no ranking depois de tudo. Estou muito feliz, foi um grande presente de Natal.
E sua preparação para a etapa de El Conflital?
Treinei muito aqui no Brasil, trabalhando tanto a parte física quanto mental, depois passei dez dias no Chile disputando o Pan e aproveitei para treinar forte.
Na sequência fui pra Ilhas Canárias. Cheguei 15 dias antes da prova e entrei num ritmo de treino pesado com meu amigo canário Airam e os amigos brasileiros Magno Oliveira, Elmo Ramos e Luis Villar.
Os resultados obtidos em 2007 facilitaram o acesso a patrocinadores?
Competi e banquei todas as viagens do tour com dinheiro ganho nas premiações obtidas nos campeonatos que consegui bons resultados em 2007. Infelizmente ainda não tive nenhum resultado positivo ou proposta firme de algum grande patrocinador, continuo na busca de novos investimentos.
Quem são os melhores bodyboarders do tour mundial?
Tâmega, Player, Pierre Costes, Maguinho entre outros…
Como é sua preparação aqui no Brasil?
Faço treino específico para competição, freesurf, academia, corridão na praia, as vezes jogo tênis e, para relaxar, um cineminha.
Quem oferece mais suporte na sua carreira?
Minha Família e amigos.
Como tudo começou e como foi sua evolução no esporte?
No início de 97, meu irmão mais velho Khael Valadão me levava à praia pra me ensinar. Logo depois Márcio Torres e Alexandre Reis me convidaram para entrar numa Escola de bodyboard gratuita, na época chamada 360 graus.
Em seguida, Marcio fundou a Escola Gênesis, que funciona até hoje e continuo sendo um dos alunos. Sempre gostei de competir, logo no início, ainda aprendendo as manobras básicas, entrei num campeonato, ganhei e me empolguei.
Aí a coisa ficou mais séria e me joguei de cabeça! Fico de lá pra cá nessa rotina de viagens e competições. Fiz grandes amizades, conquistei grandes valores pra minha vida e títulos importantes pra minha carreira.
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Quem são seus ídolos?
No bodyboard são Guilherme Tâmega, Roberto Bruno e Zé Otavio. Em outros esportes admiro os tenistas Roger Federer e Guga Kuerten, além do inesquecível Ayrton Senna.
E seus principais adversários no Brasil?
Tem muita gente boa e fica difícil falar. Mas aqui vão alguns nomes: Tainan Monte (CE), Luís Villar (SC), Marcos Lima (RN), Lucas Nogueira (ES), Roberto Bruno (CE) e Israel Salas (BA).
Qual foi o maior perrengue dentro da água?
Foi no Backdoor da praia de Catussaba, aqui em Salvador. O pico é um fundo de pedra bem perigoso e o mar tinha uns dois metros, com tubos enormes. Na água, eu e mais dois amigos. Comecei a me soltar
no pico e fui dropar uma da série, a rainha.
Só que a correnteza me levou muito para trás do pico e percebi, na hora do drop, que ali não era o lugar certo. Olhei para minha frente e tinha uma pedra grande toda fora da água.
Tudo foi tão rápido que minha reação foi colocar para dentro do tubo e andar o máximo que conseguisse para não bater na pedra. Foi o que aconteceu, dei muita sorte e saí inteiro. Mas foi o maior susto que já tomei.
Que falta para termos uma base sólida com bons eventos, boa premiação, estrutura e dirigentes competentes?
Como em qualquer outro esporte, temos dirigentes competentes e outros incompetentes. Acho que neste momento, o que mais precisamos são grandes produtores de eventos.
Quando os campeonatos tomarem uma dimensão maior, tenho certeza que os investimentos vão aparecer, com isso, as instituições devem estar preparadas para administrar juntos com os atletas e tornar o bodyboard um esporte mais justo.
Nós, atletas, devemos fazer nossa parte e fundar uma Associação para reivindicar o que não concordamos e sugerir ações importantes para o crescimento, como acontece no surf.
Fale um pouco sobre o filme que você está produzindo.
Realmente estou com a idéia de produzir um vídeo. Tenho ótimas imagens e tudo mais. Só não sei ainda qual será a linha do filme e o projeto também não tem data para lançamento. Mas alguma coisa boa vem por aí!
Quais são seus planos para 2008?
Meus planos para 2008 tem foco total no tour mundial. O circuito está crescendo bastante e é provável que aconteçam ainda mais etapas que em 2007.
E o recado para os internautas do WavesBB?
Quero agradecer a todos que torcem por mim e também pelos outros brasileiros no circuito mundial. Sou muito agradecido pelo carinho das pessoas que acompanham minha trajetória nas competições, me dando forças e mandando energias positivas. Tudo isso motiva bastante! Obrigado!
E os empresários?
Espero poder contar com apoio de vocês para os próximos anos!



