California dreaming

Um sonho antigo

No mês passado, eu e meu marido, o longboarder Márcio Natureza, partimos de férias rumo a Califórnia (EUA). A ideia era realizar um sonho antigo em uma região que inspirou várias gerações. 

 

Constatamos que ordem e progresso realmente existem por lá. Com alguns defeitos, claro, pois nem tudo é tão maravilhoso quanto parece. Buscamos diversão e percebemos que é possível encontrar o que você procura onde menos espera. 

 

Na Califórnia, tudo é muito limpo, as pessoas são bem educadas, a comida é boa – principalmente a orgânica – e os vinhos, produzidos nas vinícolas locais espalhadas pela costa, são excelentes. 

 

Nas ruas, você pode ditar sua moda e seguir suas próprias tendências sem se preocupar com o que os outros vão achar.

 

Todos os esportes de prancha são populares. Aproximadamente 60% dos californianos pegam onda de alguma forma e vivem próximos de um estilo de vida saudável. 

 

Visitamos a região Sul e Norte do estado. Ficou visível que a cultura de esportes como surf, skate, bodyboard, snowboard, Motocross e BMX está completamente incorporada pelas pessoas e vem regada à musica, arte e estilo.  

 

O esporte é fomentado pelo governo e pela iniciativa privada. As marcas envolvidas no mercado colocam sua alma no negócio. Disposição e incentivo não faltam, seja através das competições ou do estilo de vida.

 

Diferente do nosso país, eles valorizam os heróis do passado, do presente e contribuem para que o atleta do futuro tenha referências.

 

Assim proporcionam suporte para que ele se desenvolva como formador de opinião, herói local ou até mesmo como atleta de repercussão mundial.

 

Ainda estávamos no inverno e visitamos lojas, indústrias e os QGs das principais marcas. Sentimos o imenso contraste existente entre o mercado norte-americano e o brasileiro. 

 

O mercado local segue firme vendendo e fabricando para surfistas, skatistas, bodyboarders, snowboarders, bikers e etc. O nosso, se não passar por uma reciclagem de pensamentos, vai vender cada vez menos.

 

Destaque para as board-shops. A grande maioria é multimarca e vende todo e qualquer tipo de prancha, além de uma infinidade de acessórios e roupas de borracha. Ficou claro que existe uma leve tendência apontando para lojas próprias.

 

Alguns problemas assolam nosso mercado com idéias divergentes sobre qual é o público que se deseja atingir. Uma pesquisa recente mostra que a maioria das pessoas das classes C, D e E perderam poder de compra. 

 

Interessante é que na Califórnia as etnias têm suas marcas preferenciais e elas não abandonaram sua essência – nem buscaram migrar para uma tendência fashion – pois não querem perder a identidade que deu tão certo, seja na linha masculina, seja na feminina. 

 

Enfim, esta é a visão particular de uma board-esportista de alma, que achou interessante compartilhar sua experiência com os internautas do Waves.

 

Confira na galeria os melhores momentos da trip.

 

Débora Santos atua no mercado de surfwear há 13 anos e atualmente é Coordenadora de Vendas da Rip Curl Brasil. 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.