Na última terça-feira (25/5), fui acordada por volta das 7:30 horas pelo surfista Cristiano Guimarães, o “Guima”, me convidando para registrar uma sessão de surf com a seguinte condição: ondulação de Leste com influência de Sudeste, 2 a 3 metros na série com intervalo de 10 segundos e vento Oeste.
Arrumei o equipamento, peguei minha amiga Carol para garantir também as imagens em vídeo e fomos atrás de um dos poucos lugares que poderia segurar as ondas nessas condições.
Pelo que ouvimos, o surf na remada na Joaquina estava bem difícil e alguns jets já praticavam tow in. Mesmo assim continuamos a busca. Em menos de meia-hora já estávamos na trilha em direção a algum ponto entre a Joaca e o Campeche, adrenados com a condição de surf que se anunciava.
No caminho, nos deparamos com a esquerda de 2,5 metros, quebrando com uma bela baforada no final do tubo. “Huuuuuhhhhhuuuuuuuuu!!!!!!! Animalll!”, gritava Guima, acompanhado dos também atirados free surfers Gustavo Raupp e Leandro Urso.
Devido à forte corrente de Leste, os surfistas caminharam mais de um quilômetro em direção à Joaquina, onde entraram na água e remaram por cerca de 30 minutos até varar a arrebentação e chegar ao outside.
“Estava muito difícil, as ondas bombavam sem trégua. Ficamos na ‘zona do agrião’ se mantendo no pico até abrir, daí remamos com toda a força para usufruir daquele presente de Netuno”, comentou Gustavo Raupp depois de sair do mar com o sorriso nas orelhas.
Apesar da difícil condição, os surfistas buscaram se posicionar da melhor maneira para dropar as maiores da série. Eles sabiam que teriam apenas uma chance, pois seria quase impossível retornar ao outside sem o apoio de um jet ski e varar novamente a arrebentação.
Depois de uma longa espera, Guima botou pra baixo em uma craca perfeita com cerca de 2,5 metros. “A onda era muito em pé com um tubo oco que cabia um fusca dentro, veio em forma de triângulo e Gustavo gritou ‘vaiiiii!!!’. Eu estava bem no pico e me joguei”, conta Guima empolgado, afirmando essa ser uma das melhores sessões de surf que já fez em casa.
Logo depois, foi a vez de Gustavo Raupp dropar uma onda maior ainda, com muita massa d’água em uma das maiores da série. “A onda me lembrou do Chile, pesada e tubular com o drop na vertical exigindo todo conhecimento e bagagem adquiridos em quatro temporadas chilenas”, comentou o surfista.
Lamento não ter feito a foto da onda do Leandro Urso, que ao sair da água comentou comigo: “Só faltou o jet ski para darmos sequência a essa sessão incrível de surf. As ondas estão clássicas, mas o outside está quase impenetrável na remada!”, disse o surfista.
As condições de surf nesse outono estão surpreendendo até os mais experientes surfistas. Muito se deve ao El Niño, que vem alterando a temperatura da água, movimentando as correstes marítmas e interferindo no clima e temperatura.
O fenômeno vem trazendo, com bastante frequência, ondas de qualidade e tamanho aqui para Santa Catarina. As previsões para os próximos dias continuam otimistas, e parece que mais um grande swell está chegando à costa.










