O Canadá é um país conhecido pelas exuberantes belezas naturais e grandes montanhas de neve, que oferecem excelentes oportunidades para aqueles que gostam ou desejam experimentar o snowboard, esporte que possui raízes no surf.

 

Porém, o que pouca gente sabe é que nos meses de inverno, um grande número de consistentes swells invade a região, principalmente na ilha de Vancouver, proporcionando também a opção de surfar nas geladas, desconhecidas e (acreditem!) perfeitas ondas canadenses.

 

É claro que é necessário estar na companhia das pessoas certas, com conhecimento da área para buscar os melhores picos.

 

Como em vários outros lugares do mundo, fatores como direção e intensidade do swell e do vento e variação da maré fazem a diferença.

 

O mesmo pico que na maré errada estava flat, pode bombar 2 metros de tubos perfeitos algumas horas mais tarde. Foi mais ou menos assim no último dia 12 de novembro. Acordei às 5 horas da manhã com a temperatura beirando o negativo.

 

Arrumei o carro e parti para encontrar René e Andrew e um amigo da África do Sul que mora no local há 10 anos e conhece bem os picos.

 

Às 5:30, ainda escuro, partimos em direção ao surfe, que prometia. Após 45 minutos paramos em um pequeno vilarejo conhecido como Jordan River.

 

Havia boas ondas por lá e também um grande número de surfistas a espera do raiar do sol para pegar as ondas de até 1,5 metros ao longo do point. Ainda com o ar quente do carro ligado, Andrew achou que seria legal caminharmos para um secret que não tinha nome até então.

 

Coloquei a roupa de borracha (molhada do dia anterior) num frio muito grande e decidimos partir para o tal pico. Caminhamos por cerca de 20 minutos pelas pedras e avistamos a primeira série entrando perfeita com 2 metros.

 

Um tubo lindo penteado por um leve terral me fez esquecer do frio intenso. A onda era curta, cerca de 50 a 100 metros com a primeira seção muito tubular e uma parede lisa e perfeita para manobras. Surfamos um tubo atrás do outro sem mais ninguém na água por três horas, até não agüentarmos mais o frio.

 

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Resolvi conferir e me deparei, a uns 20 metros atrás de mim, com um urso enorme. Ele estava parado apreciando o visual da praia ? talvez impressionado com a perfeição das ondas.

 

Calmamente caminhei para dentro da água para evitar qualquer problema.

 

Esperamos uns minutos e o bicho entrou novamente para dentro da floresta, não sem antes colaborar para o batismo do pico, que passamos a chamar de ?The Bears Barrel Point?.

No Canadá as ondas são bem consistentes entre os meses de outubro a abril, quando grandes ondulações são formadas no Pacífico Norte, trazendo boas ondas para o Estreito de Juan de Fuca, bem na divisa com os EUA.

 

Nos meses de maio a setembro o local fica praticamente flat. Porém, o Canadá tem onda o ano todo e no verão o surf rola na cidade de Tofino, que vem revelando grandes surfistas e é conhecida pela beleza natural e beach breaks de qualidade.

 

Em algumas praias o acesso é bem difícil e nem dá para imaginar que existe onda, em outras o acesso é fácil, porém o crowd é maior. O uso de barco facilita muito para descobrir ondas praticamente virgens.

 

Baleias e focas são vistas constantemente em certas regiões, mas não são ameaça. Já ursos e outros animais silvestres são mais raros de se ver, mas todo cuidado e pouco. Inúmeros parques e reservas fazem parte da grande costa da ilha de Vancouver, com diversos point e beach breaks.

 

O surfe surgiu no Canadá nas décadas de 60 e 70, porém nos últimos dois anos houve um ?boom? no mercado com o conseqüente surgimento de um grande número de praticantes em busca da onda perfeita e do estilo de vida dos surfistas.

 

O potencial aqui é muito grande e a cultura surfe vem crescendo a cada dia, fazendo com que cada vez mais pessoas se interessem pelo esporte, basicamente por uma razão: as pessoas começaram a perceber que é possível surfar no Canadá.

 

Com o avanço da tecnologia na confecção de roupas de neoprene o surfe vem sendo cada vez mais praticado no país. Um dos responsáveis por isso são os irmãos Andrew e René Paine, proprietários da rede de lojas Stika em Vancouver Island, onde já existe uma forte comunidade de adeptos e consumidores do surfwear.

 

Andrew e René cresceram fazendo snowboard e outros esportes no Canadá. Aos 13 anos eles tiveram o primeiro contato com o surfe e ficaram viciados. Desde então já viajaram para lugares como Indonésia, Japão, América Central e outros.

 

Atualmente eles possuem algumas lojas espalhadas pelo país e distribuem sua marca de roupas e pranchas para mais de 50 outras lojas. A marca reflete totalmente o ambiente em que vive e a cultura do país.

 

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.