
Já começam a surgir no Brasil os primeiros sintomas depois do polêmico fechamento da Clark Foam, gigante mundial da indústria de blocos de poliuretano que garantia 90% do abastecimento das fábricas de pranchas nos EUA.
Por não se adequar às severas leis ambientais da Califórnia, especialmente sobre o composto tóxico chamado Tolueno Di Isocynate – TDI, a fábrica foi obrigada pela justiça americana a fechar as portas depois de 45 anos de funcionamento.
Em conversa com Fernando Câmara, proprietário da fábrica pernambucana Teccel de blocos, tomei conhecimento das primeiras mudanças no mercado nacional.
Apenas algumas horas depois de receber o fax bomba de sete páginas escrito por Gordon Clark, proprietário da Clark Foam, anunciando o fechamento da empresa, os fabricantes norte-americanos começaram a ligar para Câmara na tentativa de garantir material em curto prazo para a demanda de fim de ano.
O fechamento havia pegado todo mundo de surpresa, inclusive os maiores clientes da Clark Foam, como Al Merrick, Xanadu, Sharp Eye, Stuart, Wikings, entre outras, que agora passam a produzir pranchas com o bloco Teccell.
Porém, o resultado de tamanha e repentina mudança ocasionará de imediato um aumento de cerca de 30% no preço dos blocos.
Com isso, todas as fábricas de blocos tentarão dobrar a produção no mais curto espaço de tempo possível. Para dar uma idéia do que isso significa, a Teccel, por exemplo, já possui demanda quatro vezes maior do que sua produção normal para a época.
Mas a fábrica pernambucana garantiu prioridade para o mercado interno, o que também deve acontecer com outras fábricas nacionais de blocos. Mesmo assim existe o risco de haver falta de material para a produção de pranchas, principalmente no exterior.
A exemplo do que já acontece lá fora, é eminente o aumento dos preços das pranchas. E o problema não atinge apenas os fabricantes de pranchas, mas também todos os produtos agregados, como quilhas de encaixes, capas, cordinhas e milhares de outros ligados diretamente à venda de pranchas.
Provavelmente com o tempo a situação irá se acalmar e talvez as previsões sombrias fiquem aquém do esperado, mas certamente o mercado não será mais o mesmo e terá que sofrer adaptações depois desse verdadeiro tsunami econômico.
*Ricardo Leite é proprietário da fábrica de pranchas Cutback na Paraíba.