?Isso aqui é o testemunho de quem realmente acredita nas utopias.? Com essas palavras, Danilo Miranda, diretor-regional do Sesc-SP, encerrou seu discurso após receber o trófeu da categoria Liberdade do Prêmio Trip Transformadores, entregue no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP).
A noite deixou claro que vale a pena acreditar nessas utopias. O prêmio surgiu para enaltecer o trabalho de pessoas que focam seus esforços em transformar e melhorar um país ? e um planeta ? que já deu todos os indícios de colapso.
O mundo vem mudando de forma desenfreada. Com o passar dos anos, ficou claro que a nova dinâmica pela busca da satisfação imediata de desejos, ansiedades e do que se convencionou chamar de sucesso está destruindo as relações humanas e o planeta.
É preciso ao menos tentar reverter esse quadro. Por isso, ao longo dos últimos dois anos, por mais utópico que possa soar, a revista Trip vem publicando edições temáticas dedicadas a refletir sobre o que temos feito com nossas vidas, e a propor algumas idéias que visam equilibrar e melhorar a qualidade de nossa existência e de todo o ecossistema do planeta.
É como o neurocientista Sidarta Ribeiro, vencedor na categoria Sono, disparou em seu momento púlpito na premiação: ?Sem sono não há sonho e sem sonho não há transformação?.
O cantor e ator Paulo Miklos, um dos apresentadores da noite, ao lado da atriz Taís Araujo, acredita que um prêmio como Trip Transformadores questiona e coloca em xeque as atitudes do governo e também a reação do povo, talvez passiva, em relação às atitudes dos nossos políticos.
Roberto Klabin, fundador da ONG SOS Mata Atlântica, que levou o prêmio na categoria Bioesfera, endossou a opinião de Miklos no palco do Auditório.
?Quando uma pessoa fala que acha bom que existam pessoas como eu, me procupa. Isso mostra que ela não está fazendo nada, só transferindo a responsabilidade?, comenta Kablin.
Já Paulo Lima, fundador e editor da Trip, entre as centenas de cumprimentos que recebeu durante o coquetel que encerrou a premiação, fez questão de destacar a analogia feita pelo amigo, surfista e arquiteto Carlos Motta.
?Ele falou que, quando faz pesca submarina, às vezes encontra um peixe que está frágil. Aí o cardume se junta em volta para assustar o pescador, e com isso ganha muita força. O pescador consciente se afasta de um cardume muito grande. O que eu acho que a gente fez aqui hoje foi juntar um cardume muito especial, pela qualidade e quantidade de pessoas que foram reunidas?, acredita Paulo.
?Se com esse prêmio conseguirmos influenciar positivamente quem quer que seja, terá valido a pena?, finaliza.
Nada de exaltar o ego de quem transforma, e sim voltar os holofotes para essas pessoas especiais que se dedicam a tornar o mundo melhor. Depois de dois anos de dedicação, discussão e reflexão, a Editora Trip revelou em grande estilo os vencedores nas 12 categorias.
Vencedores do prêmio Trip Transformadores
Corpo Ivaldo Bertazzo
Sono Sidarta Ribeiro
Alimentação Luciana Quintano
Conexão Padre Jaime
Desprendimento João Joaquim de Melo
Liberdade Danilo Miranda
Diversidade Fernando Meirelles
Educação Tia Dag
Biosfera Roberto Klabin
Acolhimento Romário
Teto Niède Guidon
Trabalho Jorge Gerdau
Fonte Trip.com.br