Depois de passar duas semanas no Tahiti, surfando e filmando as baterias do niteroiense Bruno Santos no trials da etapa WCT em Teahupoo, que aliás, ele detonou e ficou em segundo em grande estilo para depois ganhar a etapa, fui pra Califórnia para o VQS, evento da Volcom que rola todo ano em Newport Beach.
Esse evento é mais uma festa na praia. Todo ano eles têm um tema diferente. Este ano foi academia: todo mundo com fantasia de bombado na praia, playground e uma academia de verdade montada na areia, com campeonato rolando na água.
Cheguei à Califórnia e fiquei uma noite em Hollywood com Danilo Couto e o Eduardo Chalita. Conheci um pouco do lugar, fomos num bar e dormimos num hotelzinho.
Preferi ficar perto do aeroporto, pois tinha que pegar o Sidinho e o Ian Gouveia na manhã seguinte. Esse moleques estão muito acelerados, já sabem viajar sozinhos, falam inglês e ?portunhol?. Com certeza sabem se virar.
Antes de eu acordar, eles já me passaram um rádio dizendo que estavam pegando as pranchas no aeroporto. Só deu tempo de acordar e ir buscá-los.
Eles estavam vindo correr o VQS na categoria deles, 14 anos. Fomos até Newport, fizemos o check-in no hotel e fomos pro surf. Marolinha gelada, mas deu pra ir se acostumando.
O campeonato rolou em ondas de meio metro com boa formação, não me dei bem na Pro/Am, para meu desespero, pois a premiação do primeiro lugar era US$ 15 mil e um jet-ski zerado.
Perdi na segunda bateria. Fiquei chateado. Mas ainda tinha chance de correr o air show, pois estava de alternate. Clay Marzo me fez o favor de chegar atrasado na praia e entrei no lugar dele e assim que entrei na água ele chegou, não dava mais tempo. Antes de ir embora ele disse “espero que esse cara mande bem”.
Ganhei minha primeira bateria, passei em segundo na outra e estava na final com Rat Boy Collins, Aaron Cormican, Josh Loyer, Dustin Barca e um local que acabou vencendo.
Fiquei em segundo lugar, embolsando US$ 3mil e a melhor premiação que já recebi em um evento de surf: prancha da Santa Cruz modelo Ozzie Wright, câmera e capacete pra filmar de dentro d?água, óculos, mochila, skate da Santa Cruz, muita roupa, snowboard, e nem lembro o que mais ganhei.
O Sidinho e o Caio Ibelli ficaram em terceiro e quarto na categoria deles. O Ian Gouveia não teve o mesmo rendimento do ano passado quando fez a final, mas ficou com a gente o tempo todo.
Muito parceiro. Também, não podia ser diferente, filho de um dos maiores ídolos do surf, Fábio Gouveia. Esse moleque puxou o pai mesmo, educado, inteligente e surfa pra cacete. Tem uma leitura de ondas única e surfa com muita graça.
O Sidinho é um artista, sabe dar entrevistas em inglês, rouba a cena se derem bobeira. Muito inteligente, sabe competir e usa as bordas da prancha para o que elas realmente servem.
O Caio Ibelli tem o sangue do guerreiro, competidor nato. Rápido, usa as bordas nas horas certas, sabe fazer de tudo um pouco, bem frio nas baterias. Tem olhos de tigre.
O time da Volcom Brasil marcou presença em peso, com Diego, Cortez, Pablo Blits – nosso filmaker, Sifú e eu.
Estávamos prontos para qualquer parada. Até ajudamos a desmontar o palanque no último dia. É muito bom fazer parte de uma equipe que não tem essa de chefe e empregado. Quem tiver disponível na hora faz o trabalho. Todos estavam muito empenhados. Adorei ver o Cortez tentando a todo custo aprender inglês. Querendo trabalho, pronto pra ajudar.
O Diego estava sempre lá, pronto pra resolver qualquer problema. Fez tudo correr redondo o tempo todo. Sifú não teve o mesmo resultado do ano passado, quando ficou em segundo e comprou um carro com a grana da premiação e foi dirigindo até o México. Mas estava conosco o tempo todo.
Depois desse evento peguei meu avião rumo a segunda etapa do SuperSurf em Porto de Galinhas (PE). Tive uma das melhores semanas da minha vida. Muita coisa boa aconteceu. Conheci pessoas especiais e tive a oportunidade de ficar mais perto da galera da Volcom na Califa. Espero voltar em breve.
