KOPA 2016

Tradição em alta na primeira edição do KOPA

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KOPA – King of Paddle terá um colorido especial com a participação das dispuats em canoa caiçara, sinônimo de tradição no litoral de SP. Foto: Renato Bueno.

 

Uma categoria muito especial fará parte das disputas do KOPA – King of Paddle, que acotecerá nos próximos dias 8 e 9 de outubro, na Praia da Tabatinga, em Caraguatatuba: a Canoa Caiçara. Trata-se de uma embarcação de madeira fabricada de forma artesanal por moradores de cidades litorâneas do Brasil.

“Vamos fazer uma competição de duplas formadas por um canoeiro e um atleta de alto rendimento da canoagem brasileira. A disputa terá formato de exibição, mas na hora do vamos ver ninguém vai querer perder”, relata Gustavo Nogueira, idealizador do evento. “Queremos ajudar a resgatar essa tradição, que aos poucos vem se perdendo”, completa o responsável pela Índice Marketing Esportivo.

Um dos últimos canoeiros do litoral paulista é Renato da Cunha Bueno, que aos 40 anos de idade ainda se dedica à fabricação das embarcações. “Desde criança, aos sete ou oito anos, eu já fazia algumas canoas pequenas e aos poucos fui me aperfeiçoando. Ela é feita para encarar um mar revolto, pode ser usada com remo ou motor e é silenciosa na hora de se aproximar dos peixes”, conta o morador de Ubatuba, litoral norte de São Paulo.

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Feita a partir de um único tronco, a Canoa Caiçara possui estabilidade para enfrentar o mar revolto. Foto: Renato Bueno.

Ele conta ainda que ao longo dos anos o interesse pela construção das canoas tem diminuído entre os jovens. “Eu faço palestras, ensino a garotada e elas até acham legal remar, mas não querem fabricar porque é um trabalho demorado e que exige bastante esforço físico”. Depois de encontrada a madeira ideal, o tempo médio de construção de uma embarcação de cinco metros é de dois dias, segundo o canoeiro. “A motosserra ajuda bastante para agilizar o processo. No começo eu usava um machado e demorava entre 20 e 30 dias para finalizar o trabalho”.

Quem quiser fazer uma encomenda vai precisar desembolsar de seis a sete mil reais, conforme o tamanho desejado. “Além da mão de obra, o que encarece é a dificuldade em encontrar madeira legal”, comenta o artesão que também produz móveis, artesanato e outros objetos. “Ajudo a Defesa Civil a remover árvores que caem nas estradas, assim evito que a matéria prima apodreça”, completa.

Empolgado com o KOPA, Renato acredita que será uma ótima oportunidade para as pessoas conhecerem a canoa caiçara. “Ela é a origem dos esportes a remo. Depois de um bom tempo é que foram desenvolver outras embarcações, como o caiaque, por exemplo”. E sobre o fato de competir com outros canoeiros ele avisa que não entra para perder. “A minha expectativa é chegar entre os três primeiros”.

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