
Quem já surfou na quase inacessível praia das Cardosas, ou simplesmente “Cardosa”, sabe da força de suas ondas, as mais fortes da reserva potiguara de Baía da Traição, na Paraíba.
Atualmente a praia é pouco freqüentada, em função da ausência de infraestrutura e do alto risco de atolar carros em sua arenosa ladeira.
Cardosa, a mais selvagem das praias paraibanas, já sediou eventos que atraíram até mesmo a mídia nacional, representada pela extinta revista “Pop’ com a presença inclusive do artesão de pranchas (shaper) Cristhian Koester , o “Miçairi”, em suas areias e ondas.

Uma reportagem de evento anterior, também do final da década de 70, assinada pelo atilado Hilton Gouveia, registra fatos curiosos como a primeira lua de mel do mais antigo competidor em atividade do surfe paraibano, o hoje publicitário Chicó Moura.
Outra curiosidade era a divisão de categoria por nível de surfe, tendo na Sênior o ex-deputado federal por São Paulo e ex-prefeito do Guarujá, Ruy Gonzalez, protagonizando aquela que deve ter sido a primeira greve por falta de ondas do surfe brasileiro.
No entanto, os surfistas paraibanos não se “intimidaram” com as ondas pequenas e disputaram a divisão aberta (Open).

Hoje em dia, uma novíssima geração freqüenta
Cardosa, capitaneada por ninguém menos do que a líder do Brasileiro na categoria Feminino Júnior, Diana Cristina, a “Tininha”.
Embora tenha como quintal de casa as perfeitas e constantes ondas de Waymaloha, a mais urbana de Baia da Traição, Tininha vem investindo em treinos na remota praia das Cardosas.
Na “barca”, a indiazinha tem a companhia do irmão Júnior, do primo Thiago de Souza e do atual campeão paraibano infantil, Herbert Ferreira.

O pai de Tininha e Júnior, Maronilton de Souza, deixa os atletas na praia nos finais de semana e retorna no final de tarde para levá-los de
volta para casa.
Os treinos têm sido bastante positivos para a evolução dos atletas em ondas fortes e cavadas, as chamadas ondas “buraco”.
Para Diana Cristina, esta é uma das formas de ganhar cada vez mais experiência, visando as etapas finais do Brasileiro Amador.
Na recente etapa do Brasileiro Amador, em Macaé (RJ), ela quase foi surpreendida em sua estréia pelas fortes ondas com cerca de 2 metros.
Agora, ela quer fazer bonito nas etapas finais e no Mundial Júnior da International Surfing Association (ISA), previsto rolar em dezembro, no Tahiti.
Em seu provável primeiro destino internacional, ela pretende tentar repetir o conterrâneo Fábio Gouveia, campeão mundial amador em 1988, nas ondas de Porto Rico. Para isso, Tininha quer trazer da bela polinésia francesa o título mundial feminino júnior.
Participando de importantes circuitos nacionais, em especial da Taça Roberto Valério / Brasileiro de Surf Amador 2004, e mostrando uma competitividade que lhe garante a vice-liderança na Open e a importante liderança na Júnior, ela mostra que está fazendo a sua parte. Treinar na selvagem Cardosa é mais uma prova da extrema dedicação da atleta, que já merece um patrocínio.
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