O shaper Thiago Cunha, da fábrica de pranchas TBC, fornece foguetes para vários surfistas brasileiros como Messias Félix e Diana Cristina.
Outro deles é o ubatubense Filipe Toledo, um dos mais importantes expoentes da nova geração do surf nacional.
Filipinho acaba de voltar da França, onde disputou a etapa mundial do King of the Groms e conquistou o vice-campeonato.
Na entrevista abaixo, Thiago comenta sua relação profissional e pessoal e o que espera do atleta no futuro.
Há quanto tempo trabalha com o Filipe Toledo?
Faço pranchas para o Filipe desde 2006. Ele tinha 11 anos. Nossa aproximação surgiu no momento em que o Zé Paulo, que conhece meu trabalho com as categorias de base, falou sobre o potencial do garoto.
Ele é filho do Ricardo Toledo, bicampeão brasileiro profissional. Isso é garantia de trabalho a longo prazo e aumenta a possibilidade de conquistas maiores.
Qual sua relação com o Ricardo, pai do Filipe?
O Ricardinho conhece muito de surf e também de prancha. A postura dele em relação ao nosso trabalho é passar um parecer dentro de sua visão sobre o equipamento.
Ele observa o desempenho, participa das mudanças e incentiva o Filipe. Isso é muito bom. Mantém o garoto motivado e seguro.
Como você faz para interagir com um garoto tão jovem em relação ao equipamento?
Geralmente os mais jovens não conseguem identificar onde as mudanças estão acontecendo. Muitas vezes nem as percebem. Procuro interpretar aquilo que o atleta quer ouvindo o que tem a dizer.
Assim posso transformar o equipamento dentro do que tenho de melhor para o desempenho dele. As transformações levam em consideração o peso, a altura e o biotipo de cada um.
Qual foi o quiver do Filipe no Quiksilver King of the Groms?
O Filipe usa pranchas 5’10”, geralmente squash ou round pin. Durante o evento, usou uma 5’10” rabeta squash com 17,5/8 x 21/16. Apesar de muito jovem, Filipinho faz bastante pressão na prancha. Por isso deixo a rabeta estreita e o concave bem acentuado. Faz a prancha ter bastante velocidade na hora de executar os aéreos.
O australiano Matt Banting, vencedor da final, era um ano e meio mais velho que o Filipe. Isso fez diferença?
Realmente a diferença de um ano e meio pode ser determinante nessa fase da vida. É exatamente a idade onde acontecem as maiores mudanças hormonais e isso faz diferença sim. Sem falar no fato do Australiano estar em sua terceira participação no evento e ter tido mais tranqüilidade para competir. Mas o Filipe mostrou seu valor. Superou um dos candidatos ao título em uma virada espetacular nos minutos finais com direito a nota 10.
Quais são os planos para o futuro?
Agora o Filipinho vai para os jogos mundiais disputar o título de campeão mundial Júnior. Ele tem apenas 15 anos. Sempre trabalhamos acreditando no futuro. O resultado do investimento começa a aparecer com o amadurecimento do trabalho e o crescimento do atleta. Geralmente no início, o atleta não tem expressão nem é ídolo. Mas criamos possibilidades e oferecemos oportunidades às categorias de base. Damos à nova geração o devido valor.
Quais outros atletas estão em foco no momento?
O cearense Messias Félix, atual campeão do SuperSurf, e a paraibana Diana Cristina, tetracampeã sul-americana, são bons exemplos. Temos obtido resultados excelentes. Isso nos deixa orgulhosos. Sentimos que representamos bem o Brasil.
Alguma palavra final?
Muito obrigado pela oportunidade de apresentar resultados concretos e um pouco daquilo que realizamos em favor do surf.