
A gaúcha Tanira Damasceno, 36, é uma das pioneiras no surfe feminino no Brasil.
Surfando desde os 7 anos, numa época em que era raro ver uma garota com prancha no outside, a gaúcha venceu eventos importantes como o Olimpikus em 84 e o OP Pro no ano seguinte.
Atualmente, Tanira vive em Miami (EUA) e, de passagem pelo Brasil, conferiu o primeiro Invasão Hot Girls. A seguir, a entrevista feita por Roberta Borges, outra legend gaúcha, durante a competição.
Como começou sua relação com o surfe?
Fui influenciada pelos meus irmãos que já surfavam e também pelo meu pai, que inclusive tinha uma prancha trazida do Hawaii. Ela era tão grande, eu não conseguia carregar sozinha. Minha família passava todos os verões em Torres e eu surfava por brincadeira. Mas, isso foi se transformando numa paixão e comecei a buscar um equipamento melhor. Foi assim que adquiri minha primeira prancha São Conrado, que já era bem menor.
Quando você iniciou nas competições?

Os eventos eram locais, pois o surfe era bem família. Havia mulheres mais velhas que surfavam, mas não existia um destaque no surfe feminino. Comecei a passar os verões com você e surfávamos juntas em 1976. Os eventos passaram a ser nacionais e com isso veio o patrocínio da Sundek, que contava comigo e a você na equipe. Conquistei meu primeiro campeonato nacional em 84, o Olympikus, em Florianópolis, e depois o OP Pro em 85.
Como você avalia o surfe atualmente, comparando quando você começou?
Considero a proporção de surfistas daquela época equivalente ao número de garotas hoje na água. Na época, havia bem menos surfistas e nós conhecíamos todo mundo que pegava onda.
De que maneira o surfe influenciou sua vida?

O surfe influenciou totalmente a minha vida. Sou médica e faço intensivismo em pneumologia, o que absorve 100% do meu tempo. Mas, o surfe é uma coisa que vai estar comigo para sempre, mesmo eu tendo obrigações e responsabilidades. Procuro unir o tempo de férias e viagens com o surfe. Também faço diariamente um bom trabalho físico, como corrida e musculação. Isso me ajuda muito e me mantém sempre forma.
O que você sente ao ver no Brasil essa evolução do surfe feminino?
É fantástico ver meninas pequenas e adolescentes já iniciando no surfe. Eu sinto um grande prazer em ver tudo isso, pois o surfe na minha época era muito ‘família’ e não existiam escolinhas como hoje.