Mario Ferminio

Surfe sustentável

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São 35 anos de muita história. O surfe traça um caminho com muita harmonia e agora Mario Ferminio desenvolve um produto totalmente ecológico. Foto: Arquivo pessoal.

 

Surfe, arte e sustentabilidade. Três palavras fortes e poucas pessoas sabem, mas na vida do shaper catarinense Mario Ferminio, elas estão presentes desde os 15 anos, quando ganhou sua primeira prancha e precisou fazer um jogo de quilha. Nesse momento, ele procurou resto de madeira e cobriu com tecido de prancha e resina, e segue fazendo isso até os dias atuais.

São 35 anos de muita história. O surfe traça um caminho com muita harmonia e agora ele desenvolve um produto totalmente ecológico, aproveitando o lixo da prancha.

Em 1985, Mario começou a fazer pranchas de poliuretano, mas foi em 1989, quando fez uma viagem para França, que ele conheceu a tecnologia epóxi, trouxe para o Brasil e desenvolveu um trabalho com os melhores surfistas profissionais da época, mas já morando no Guarujá (SP).

Em 2006, o shaper voltou para o Sul e desenvolveu a prancha sem poluição. O processo de fabricação utilizava processos ecológicos e todo lixo era reciclado na fábrica.

No ano seguinte, fez o primeiro manifesto ecológico na França, em Hossegor, durante a perna do WCT.

Em 2008, algumas matérias rolaram sobre seu manifesto. Foi quando a Surfrider Foundation, da Austrália, estava fazendo um desafio mundial para quem fizesse a prancha mais ecológica. “Podia ter vencido, pois o teste final era colocar a prancha na água, e nesse quesito eu era o único que já a tinha aprovação de muitos profissionais. Daí ganhava, porém não houve o desafio devido à crise nos Estados Unidos”, conta Mario.

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Bandeja de sushi em forma de onda produzida com resto de longarina de prancha e resina de epóxi. Foto: Divulgação.

 
Em 2011 para 2012, parou de fazer pranchas, e nesse clima de reciclagem passou a desenvolver produtos diferenciados vindos de lixo da prancha. “Foi nesse momento que procurei um determinado lixo, e achei o lixo mais complicado para dar um fim ecológico: madeira de cacharia da construção civil”, lembra o shaper.

É um processo de reciclagem da madeira de cacharia da construção civil, em que toda madeira passa por um processo de transformação. Na impermeabilização, foi utilizado o mesmo de uma prancha de surfe. “Já está patenteado, e tem patente verde, pois combate diretamente o aquecimento global”, conta Mario.

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Cuba de lavabo com torneira em forma de onda. Quando acionada, a água desce como uma onda quebrando. Foto: Divulgação.

Segundo ele, hoje a indústria da construção civil é a mais poluente. “Ela consome 30% da água potável, 47% da energia. É a maior produtora de resíduo e a que consome mais recursos naturais. Meu produto combate todos esses problemas na construção civil. Consegui inventar o produto mais ecológico no mercado”, explica.

No fim do ano passado, em um dos melhores restaurantes de Florianópolis, o Hawaiian Poke, Mario produziu várias peças inéditas, como uma prancha-mesa Duke Kahanamoku, uma cuba de lavabo com torneira que, quando acionada, a água desce como uma onda quebrando, além de uma bandeja de sushi em forma de onda.

Em junho de 2015, a Revista Veja publicou uma entrevista com Philippe Starck, melhor designer do mundo na opinião de Mario Ferminio. “Ele declarou que esse processo de impermeabilização em resto de madeira é o que tem de mais bonito. Nesse meu caso, houve uma coincidência de ideias”, diz Mario.

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Prancha-mesa em homenagem ao lendário Duke Kahanamoku. Foto: Divulgação.

 
O shaper acredita que, há pouco mais de um mês, começou a fazer a coisa mais importante da sua vida. “Moro na praia do Santinho, em Florianópolis, e como todo mundo já sabe, o ser humano está matando os oceanos com seu lixo mais nojento, o plástico. Diariamente o oceano coloca uma quantidade gigante de plástico para fora, mas ele era para ser recolhido, pois na chuva, volta para o oceano, e com isso fica um ciclo sem fim, fazendo com que milhares de animais sejam assassinados por essa atitude desumana”, critica Mario.

Ele resolveu tomar uma atitude, e espera que sirva de exemplo. “A praia em que surfo tem 2km. Estabeleci 300 metros dessa praia como minha área de preservação. Faço uma limpa regularmente, e tiro todo plástico. Isso é o mínimo que posso fazer para o oceano. Ele me proporcionou 37 anos com muita onda, então aí vai uma dica: se temos hoje no Brasil 8 mil km de praias, faltam 7,7 mil km para limpar, ou seja, com mais 25 mil pessoas poderíamos resolver a poluição de plásticos nas praias do Brasil. Esse é o meu institucional, e o teu?”, questiona o shaper.

Para obter mais informações sobre o trabalho de Mario Ferminio, entre em contato pelo email [email protected], ligue para (0xx48) 9651-6154 ou visite a página MFecodesign no Facebook.

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