Mais uma personalidade de peso do mundo do surfe irá integrar o quadro de colunistas do Waves.Terra.
Sidney Luiz Tenucci Jr, conhecido como Sidão é formado em Jornalismo pela ECA – Escola de Comunicação e Artes da USP
(Universidade de São Paulo).
Com pós graduação em Letras pela mesma instituição, Sidão escreveu para revistas especializadas desde a Brasil Surf e o jornal Surf News, em 75. Também colaborou com as revistas Pop, Fluir, Trip, Hardcore, AlmaSurf, Venice Mag e Surfer. Hoje mantém, desde 2003, a sua coluna “Soul Surf” no site Waves.
Surfista há 41 anos, pai de duas filhas, Juliana e Isabella, ele já viajou para mais de 50 países, tendo surfado em muitos
deles. Também foi o primeiro surfista brasileiro a surfar Puerto Escondido, no México, e El Salvador, na América
Central, ambos em 74, com os amigos Thyola e Zé Roberto Rangel, além de ter sido pioneiro no desbravamento das ondas do Sri Lanka (81), e Huahine, no Tahiti (83).
Em 78 fundou a Op Ocean Pacific no Brasil, considerada a primeira grande surfwear do país, e praticamente inaugurou aquele que seria um dos maiores mercados do mundo, o brasileiro. Sidão também foi o responsável pelos memoráveis campeonatos OP PRO, de 85 e 95 ( + Arpoador 2000), sendo que o de 1986, na Praia da Joaquina, em Florianóplis, detém até hoje o recorde mundial de participante, com 760 atletas.
É um dos fundadores do circuito brasileiro de surf profissional, inaugurado em 87 com o OP Pro na Joaquina, Florianópolis (SC), e da ABRASP (Associação Brasileira de Surf Profissional), além de ter realizado o primeiro campeonato nacional no arquipélago de Fernando de Noronha (PE), o OP PRO Noronha de 95.
Com a OP, Sidão patrocinou alguns dos maiores expoentes do surf brazuca e dos esportes radicais, como Ricardo Bocão, Tinguinha Lima, Paulo Rabello, Davi Huzadel, Luis Roberto Formiga, Dadá Figueiredo, Daniks Fischer, Sávio Carneiro, os irmãos Taiu e Totó Bueno e Christian e Dodô Von Sydow, etc.
Foi, no final da década de 1970, ator coadjuvante no filme “Asa Branca, Um Sonho Brasileiro”, de Djalma Limonji Batista, com Édson Celulari, Walmor Chagas e Eva Wilma. É autor, juntamente com o fotógrafo Klaus Mitteldorf e o designer gráfico David Carson, do livro “Alma Aquatica” e do livro de
narrativa de viagens e busca espiritual, “O Surfista Peregrino”, dessa vez solo, com o personagem que já faz parte do imaginário da comunidade do surf.
Atualmente pilota o retorno da OP Ocean Pacific ao mercado brasileiro de surfwear e está com dois projetos de novos livros em processo de publicação.
Para inaugurar minha coluna no Waves, decidi escrever sobre o livro ‘As Ondas da Vida’, de José Augusto de Aguiar Costa ([email protected]). Trazer o surf em palavras foi sempre um desafio para nós, surfistas. Refletir as ondas. Falando do trabalho dele, aumento minha consciência sobre o processo de dropar e viver e, espero, a de vocês.
“Poucas pessoas têm experiência pessoal intensa o suficiente, mais o surf em suas vidas, intenso o bastante, para uní-los competentemente em palavras e poesia. O meu amigo Zé Augusto é um remanescente da alma do mar. Trafegou pelo êxtase e pelo desespero e os transformou em papel e tinta. É um dos raros que escrevem textos nos quais me reconheço. Em formas, timbres e profundidades que eu mesmo gostaria de ter escrito. Uma inveja boa.

São histórias de amor. Por uma mulher, pelo mar. Simples e viscerais como uma mulher, como o mar. Por tudo que estas duas formas/entidades tão díspares e tão complementares encerram. Por todo o mistério e por toda a revelação.
Para quem ainda duvida que exista sensibilidade e compaixão pelos oceanos e suas ondas, o livro do Zé reacende a esperança e nos recoloca de frente para a série e dentro dos tubos. Invade também a trajetória e a intimidade de surfistas lendários, e, ao fazê-lo, penetra e expõe um pouco a história de cada um de nós.
A maneira original com que suas paixões e seus amores se entrelaçam e se confundem com o sentimento do surf, gerando um tapete cor de coral e tesão, com textura híbrida de saliva e sal, nos devolve o prazer de surfar lendo, e de fazer amor surfando.
Através de escritos como esse a comunidade surfística levanta a cabeça acima das vozes cépticas e declara que: ‘Sim, pensamos sobre os mistérios da vida. Sim, somos aptos a sentir e amar o mar, privilégio cósmico, o que não nos tira a capacidade de compreender o universo, pelo contrário, nos coloca num lugar mágico, de um ângulo especial, no qual os deuses convivem e passam, sem pedir licença’.
E para aqueles que nunca subiram numa prancha, aqui está um boa oportunidade para sentir o gosto dos perigos e prazeres, confrontar a emoção de dançar com o mito tão real quanto improvável ‘do homem que caminha sobre as águas’, sem sequer se molhar.”