De acordo com o site Surftotal, um surfista português faleceu na última semana em Sumbawa, Indonésia.
Rui César, 45, teria sofrido um acidente durante uma session em Lakey Peak e se afogou. Ainda de acordo com o site, o português foi retirado da água por um brasileiro.
Na areia, um amigo de Rui e os brasileiros Pedro Robalinho e Everton Silva, entre outros, conseguiram reanimá-lo e saíram de barco em busca de auxílio. Rui chegou a Bali depois de um dia e meio, mas não resistiu a uma parada cardíaca e diversas complicações.
Segundo Robalinho, foi uma das experiências mais marcantes da sua vida. “Uma série bem forte com uns 2 metros quebrou bem em cima da bancada, onde estava Rui. De alguma maneira ele perdeu o controle da situação e acabou se afogando. Havia poucos sinais de pancada em seu rosto, mas imagino que o suficiente para deixá-lo desacordado. Ele tomou mais algumas ondas e logo foi ajudado pelos surfistas que estavam ao seu redor e perceberam o acontecido. Eu me encontrava com Everton no palanque que fica em frente ao pico, a poucos metros da onda, dando treino e registrando o surf para o filme do projeto Vida Surfe. Quando percebi a situação, comecei a gritar para que o trouxessem aonde eu estava. Agradeço ao Dr. David Szpilman pelos ensinamentos, pois na hora só tive coragem de tomar esta atitude por ter participado de diversos treinamentos de primeiros socorros em afogamentos direcionados a surfistas, que acontecem para professores alunos e convidados no CADES (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe), algumas vezes por ano”, diz o carioca.
Robalinho destacou também a importância desse tipo de conhecimento para todos os surfistas. “Todos nós devemos ter conhecimentos desse tipo para ajudar em casos como esse. Com o esforço de todos os envolvidos e ao menos uns 40 minutos de RCP (ressuscitação cardiopulmonar), conseguimos trazê-lo de volta à vida, já que, quando chegou ao palanque, já não tinha mais pulso, respiração ou qualquer sinal de vida. Foi uma vibração muito forte de todos ali quando o seu pulso voltou e até mesmo sua respiração retomou força própria”, continua.
“Infelizmente, pela falta de uma assistência adequada, uma UTI móvel, ele acabou muito mal atendido e sofreu muito até não resistir mais a tantos transportes e falta de atendimento adequados. Uma pena. Com certeza uma perda. Foi muito duro receber a notícia de sua morte. Vivemos aquela ansiedade durante dias em contato com a família, através da nossa guia surfista Samia Carolina, que deu uma assistência inestimável para a família e amigos presentes, servindo de intérprete (indonésio) e dando apoio irrestrito a eles”.
“Que Deus ilumine os caminhos e todos que estavam ali e que se colocaram em prol da vida! Que os amigos e parentes se confortem e possam lembrar do que foi positivo na vida do Rui. No meu coração ficou a tristeza pela morte, mas a sensação de ter feito o que deu pra fazer naquele momento difícil que vivemos. Se somos surfistas e lidamos com o eceano, temos que conhecer os perigos e a melhor maneira de lidar com eles em nosso esporte. Que sirva de lição para que todos busquem conhecimentos e um dia possam trazer um pouco de esperança para a vida de alguém que esteja numa situação crítica como esta. Se não fosse um lugar tão remoto como Sumbawa, a história poderia ser outra, quem sabe. RIP Rui! Que Deus o tenha, irmão!”, finaliza Robalinho.
Além de ser fissurado pelo surf e possuir algumas temporadas na Indonésia na bagagem, Rui era mestre de judô e chegou a integrar a seleção nacional. Ele era local da Costa de Caparica.