Na última terça-feira, o gaúcho Igor Lumertz estava surfando com alguns amigos em Waimea e no final de tarde o mar começou a subir, com algumas séries que ultrapassavam os 5 metros.
Os salva-vidas já haviam ido embora e avisaram que quem estivesse na água estaria por conta própria e não receberia ajuda se necessário. Confira abaixo o relato de Igor Lumertz.
Surfamos eu, Robin Bond e Josh Enchemidia até não dar pra ver mais um palmo na frente. E resolvemos sair do mar remando, pra não correr nenhum risco.
Na remada em direção à praia, eu e Robin escutamos alguns gritos. Paramos e sentamos na prancha, mas não dava pra ver nada, já estava muito escuro. Então, escutei os gritos novamente e achei que fossem os turistas se divertindo na praia.
Já estava caminhando ao meu carro que deixei na igreja e eles indo ao estacionamento. Olhei o shore break que algumas luzes iluminava e vi que estava grosso. Pensei: “Amanhã vai estar grande”.
Então ouvi um grito muito forte do Robin: “Igor, Josh, pulem na água!”.
Aí, já vi que realmente havia uma pessoa no meio da baía. Durante o dia inteiro, a corrente levou bodysurfers e bodyboarders, dando muito trabalho aos salva-vidas, o que é típico em um dia de Waimea.
Pulei no shore break , seguindo Robin, e logo veio o Josh. Nos separamos pra ver se achava a pessoa no meio do “breu” . Enquanto isso chegavam muitas ambulâncias e bombeiros no parque de Waimea.
Os gritos dos amigos e familiares na praia me comfundiram um pouco, pois achei que ele estivesse perto da costa, e quando vi que não eram gritos da vitima, sentei na prancha, olhei para o céu escuro e quase desisti.
O único jeito de saber onde meus amigos estavam era na base do grito. Gritávamos um para o outro.
Então ouvi um grito muito longe em direção ao outside, perto das ilhas de pedra que ficam no outro lado da baía. Remei como nunca procurando a pessoa e acabei achando o cara flutando perto das ilhas, onde as ondas batiam muito forte nas pedras.
Peguei o cara pela mão e botei na minha prancha. Ele estava consciente, falava, e me ajudou a remar com a prancha até Robin e Josh.
Começamos a remada pra sair daquele lugar perigoso. Se por menos de cinco minutos não tivesse chegado até o cara, ele cairia num lugar de frente para as pedras que não gosto nem de pensar.
Remamos até quase o line up e costeamos a zona de impacto até o shore break, como se faz quando se perde a prancha em Waimea.
Conhecemos muito bem o lugar e as correntezas, o que nos facilitou o salvamento. A cada minuto o cara pedia pra descansar, mas não queríamos ficar muito tempo ali, vendo que as ondas aumentavam a cada minuto no escuro.
Depois de esperar a calmaria perto do shore break, conseguimos trazer a pessoa até a areia. O cara era grande e forte, muito pesado, estava bem e conseguia caminhar.
Eu me despedi dos amigos, fui ao meu carro e eles foram falar com os bombeiros que estavam no parque.
Depois, fiquei sabendo que o cara perdeu o bodyboard, que tinha uma namorada esperando um filho dele e que era o dia do seu aniversário.
Aí, eu pensei: “Não era mesmo a hora dele”. Fiquei muito feliz de ter ajudado a salvar uma vida.
À noite, não consegui dormir, devido à muita adrenalina pensando na situação.
E nenhum dos amigos dormiu também. Muitas coisas passavam pela cabeça, imagina se tivéssemos ouvido os gritos, e, na manhã seguinte, abrimos o jornal e tivesse uma noticia ruim.
Mas, graças a Deus, tudo ocorreu bem! Grande abraço a todos.