#Em janeiro último foi apresentado o projeto pioneiro “Marbras et Mundi”, que visa implantar um Plano Referencial de Manejo Sustentável na Indústria do Surf, para minimizar o consumo de água, energia e geração de resíduos, além de promover a reutilização e reciclagem dos resíduos não controláveis, ou elimináveis, gerados pelo processo fabril das indústrias do surf. O projeto tem o apoio do site www.guiadepraias.com.br, da Federação Catarinense de Surf (FECASURF), da Universidade Federal de Santa Catarina e do Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro entre outros, e o projeto piloto está sendo articulado em Florianópolis (SC). Passados alguns meses de sua apresentação, fomos conversar com Paulo Eduardo Antunes, mentor e responsável pelo Marbras, para saber como está o andamento do projeto.
Estivemos na reunião onde o projeto foi apresentado, lá na Joaquina. Muita coisa havia ficado acertada, mas também muitos pontos críticos ficaram no ar. De lá para cá houve alguma alteração no projeto? O andamento está dentro do cronograma inicial?
Paulo: Cientificamente falando, houve um progresso na pesquisa da reciclagem dos materiais, pois entrei em contato com três novas tecnologias para reprocessar os resíduos gerados na fabricação de pranchas de surf. O cronograma também foi alterado, por motivos alheios à minha vontade, mas o projeto está sendo encaminhado na medida do possível, pois até o momento não consegui, ainda, nem bolsa nem patrocínio.
Um dos pontos que havia sido discutido na reunião inicial era a questão do local para a implantação do Centro Comunitário de Reciclagem da Indústria do Surf (CECORIS), e havia a possibilidade de uma área no Itacorubi. Como ficou esta questão?
Paulo: Quanto à liberação da área para executar o projeto, a situação ainda está sendo negociada, mas conseguimos dar um passo no sentido de estocarmos todos os resíduos (aproximadamente 750Kg de poliuretano) que o Néu (shaper) gerou entre abril de 2000 e maio de 2001, nesse local.
Outro ponto levantado foi sobre a coleta dos resíduos junto às oficinas. Como isso está sendo resolvido?
Paulo: Por enquanto, os resíduos não estão sendo coletados, por causa da falta de espaço físico para reprocessá-los.
De qualquer modo, é preciso montar um esquema eficiente para coletar os resíduos, definindo como eles serão coletados, qual a freqüência das coletas, quais as oficinas etc. Você já conseguiu planejar esse esquema?
Paulo: Sim. Recentemente fiz um levantamento que norteou uma coleta quinzenal para o inverno e semanal para o verão. Neste sentido, seriam coletados os resíduos em estratificações relacionadas com o porte da geração de resíduos – grande, médio ou pequeno. As coletas deverão ser herméticas, para evitar danos ao meio ambiente e aos coletores.
Como os shapers estão recebendo à idéia do Marbras? Estão aderindo ou você sente algum tipo de resistência?
Paulo: Os shapers me param na rua ou dentro d’água para solicitar informações e providências, porque muitos deles estão sentindo o problema na própria pele, pois a prefeitura está progressivamente encerrando a coleta convencional desses resíduos. Quanto à adesão, cerca de 95% dos fabricantes daqui, do RJ, SP e RS apoiaram convictamente a iniciativa, quando entrevistados. Resistência só dos fabricantes de plugs (blocos).
E quanto ao apoio da Prefeitura de Florianópolis e do Governo do Estado de Santa Catarina?
Paulo: Estão sendo realizadas reuniões para formalizarmos uma parceria, mas apesar do grande interesse de ambos, nada foi oficializado.
Durante a reunião inicial, algumas ONGs ficaram de auxiliar no projeto. Queria que você dissesse como e se isso está ocorrendo, e também quais a organizações que estão colaborando com o Marbras.
Paulo: A única ONG que simplesmente “apóia institucionalmente” o projeto é a Surfrider Foundation Brasil. Quem mais colabora com o projeto é o Xandi Fontes, através da FECASURF, você, através dos e-mails que trocamos, que por sinal é uma força muito preciosa, e as Universidades, através dos orientadores Dr. Marcos Lopes Dias (UFRJ-IMA) e Dra. Sandra Sulamita (UFSC). O Paulo Bergantini é um químico industrial da Bayer Brasil que informalmente vem colaborando bastante.
Há alguma outra cidade interessada em implantar o projeto? Fale um pouco sobre isso também…
Paulo: Sim. Rio de Janeiro, São Paulo, Natal e iniciei recentemente contatos muito profícuos com Byron Bay, na Austrália. Estes contatos estão sendo feitos, porque a premissa básica do projeto é atingir uma abrangência mundial, daí o nome Marbras et Mundi.
E como estão sendo os contatos com essas cidades, incluindo as australianas?
Paulo: Estão sendo feitos via internet, na medida do possível, pois nem computador este favelado pesquisador tem.
Como está sendo o apoio que você conseguiu? Ele vem sendo efetivo? E a situação do apoio das Universidades, como está isso?
Paulo: Apoio institucional ou científico eu tenho de sobra, mas financeiro, não sei porque, ainda não rolou. Guardando as devidas proporções, muitas vezes me sinto como aquele surfista que arrebenta nas ondas e não ganha uma prancha sequer, para correr os campeonatos. Quanto às Universidades, existem novas perspectivas para conseguir a tão almejada bolsa.
O projeto prevê o desenvolvimento de materiais com diferentes usos após a reciclagem. Que materiais são esses e que uso poderá ser dado a eles? Qual o mercado existente para consumir estes produtos?
Paulo: São placas para isolamento termo-acústico, os denominados blocos EPS, largamente utilizados na construção civil para promover este tipo de isolamento, além de minimizar o consumo de concreto em lajes. Bóias para maricultura, produto atualmente improvisado no mercado com uma demanda emergente e um enorme potencial de mercado, principalmente aqui no Estado de Santa Catarina. Bóias para sinalização náutica e raias para piscinas de natação, além de recheios protetores para embalagens de produtos sensíveis ou eletrônicos, amplamente utilizados em CD’s, computadores, TV’s e outros.
Havia o problema da falta de patrocínio, apesar dos inúmeros apoios. Pelo que você disse este problema não foi resolvido e o projeto ainda está sem patrocínio…
Paulo: Como descrito acima, a situação financeira está sendo bancada exclusivamente por recursos próprios.
Realmente é difícil de entender como um projeto como esse esteja encontrando tanta dificuldade em conseguir recursos… Então é bom deixar registrado qual o retorno que poderá ser revertido a um potencial patrocinador.
Paulo: Acredito que o maior retorno seria o de participar de uma iniciativa inédita em nível mundial e que vai realmente solucionar um problema que se arrasta, mesmo que por debaixo dos panos, há cerca de 35 anos aqui no Brasil.
E as perspectivas para os próximos meses, quais são?
Paulo: As perspectivas para o futuro são boas, na minha opinião, pois até o final do Mestrado acredito que a unidade piloto sairá e pelo nível de interesse dos “aussies” é bem capaz que eles tomem a dianteira. Diante deste quadro, um amigo batizou a iniciativa de ‘Projeto Tom Jobim’: “depois que estourar lá fora, aí sim os brasileiros darão o real valor para uma proposta de um cidadão brasileiro para resolver um problema mundial” – foram as palavras dele, que atualmente as considero proféticas.
Na minha opinião, seria uma vergonha o Brasil deixar a Austrália ser a pioneira na implantação do Marbras et Mundi, mas se esse for o caminho, terá de ser por aí… De qualquer modo, pelo jeito, apesar das dificuldades, o projeto está andando e os horizontes se abrem. É isso aí, nós do site Waves te agradecemos pela entrevista e desejamos sucesso nesta empreitada. Parabéns pela iniciativa pioneira! Mas, antes você não gostaria de deixar aqui os dados pra um contato (e-mail, telefone, etc) e um último recado pra galera?
Paulo: Sim. Meu e-mail é o [email protected]. Meu recado é único. “A PAZ É O TRABALHO OPERANTE EM TODAS AS DIREÇÕES DO INFINITO, NA MECÂNICA UNIVERSAL, SOB A INFLUÊNCIA DO AMOR”. Seja um agente ativo do processo de transformação planetária e Universal em que nos encontramos. Filtre informações, conteste conceitos e estabeleça novos horizontes, tudo pela alegria infinita! Valeu pela força Denis! Luz, saúde e prosperidade para todos os leitores virtuais…