Morar longe do mar é um dos maiores desafios para um rato de praia. A rotina na cidade é diferente, regulada de segunda à sexta, das 9h às 18h e sem areia entre os dedos dos pés. O cenário torna-se pior estando há mais de 100 quilômetros do litoral. Tempo para surfar? Apenas no final de semana, que parece nunca chegar, passa voando e é marcado por aniversários, festas familiares e compromissos alheios às vontades surfísticas.
Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, é um destes lugares que conta com uma legião de peixes fora d’água. Cidade portuária (que seria mais alegre se tivesse um porto em águas salgadas), impressiona pelo número de surfistas dentre seus habitantes. Resultado deste surfe fora d’água foi o surgimento de uma cultura apaixonada pelo mar. Amor que pela distância parece ser o maior de todos: platônico.
Regidos por este sentimento e buscando incentivar a modalidade na capital gaúcha, jovens empreendedores criaram o Surf All Day. Marcelo Pizolotto, co-fundador da BSK, startup responsável pelo projeto, conta sobre este movimento.
Desde o início do esporte em Porto Alegre, mesmo quando não existiam itens como roupa de borracha, viajamos centenas de quilômetros para encontrar algumas ondas. Hoje, adequando-se ao surf moderno, cheio de novos acessórios e tecnologia, o Surf All Day propõe uma conexão mais real entre surfistas e marcas, trazendo toda a estrutura e suporte necessários para que a viagem seja mais acessível e repleta de diversão e facilidades aos participantes”.
Além da facilidade, um dos principais objetivos é a evolução técnica dos surfistas. A primeira edição, que aconteceu no dia 3 de julho, em Torres (RS), contou com análise do atleta peruano Manuel Roncalla, treinador certificado pela ISA, autoridade máxima do surf a nível mundial. João Luchese, 16 anos, participou do dia e contou sobre sua experiência:
“A gurizada da capital está acostumada a surfar pouco, têm meses que nem conseguem ir pra praia. O Surf All Day foi uma oportunidade de reunir a galera, confraternizar. Muito importante, também, a participação do Manuel como ‘coach’, as dicas dele ajudaram muito na evolução de cada um.”
Acompanhando o crescimento do surfe feminino, movimento que acontece em escala mundial, o primeiro Surf All Day contou com uma participação fortíssima de mulheres, sendo elas, inclusive, maioria na viagem. Lou Meneghetti, 20 anos, surfista que movimenta o surfe feminino em Porto Alegre, e vem apresentando evolução dentro d’água, acredita no auxílio mútuo para o surfe crescer, independente de gênero.
“Acredito que o projeto trouxe uma experiência única para todas as pessoas que estavam lá. O que mais me deixou feliz foi a grande quantidade de meninas presentes, que não se intimidaram à frente de meninos que ‘quebram’ no surfe gaúcho. E é esse espírito.”
O projeto será realizado mensalmente em praias do sul do Brasil e tem inscrições abertas pela página do Facebook. A primeira edição do Surf All Day contou com patrocínio de Freesurf e TrenchTown Surfboards, apoio de Açaí Mormaii e FZF Design e promoção do Waves.