Direito de resposta III

Polêmica do guarda-sol

 

Henry Lelot é secretário executivo da ONG O´Surfe. Foto: Nancy Geringer.

Primeiramente, gostaria de agradecer ao Waves.Terra pelo espaço democrático. Venho, por meio desta, como secretário executivo da O´Surfe, tentar colocar um ponto final nesta polêmica, uma vez que temos muito trabalho a fazer em prol das crianças e de nossa sociedade.

Mas, antes, sugiro uma reflexão, baseada na lógica, no bom senso e na legislação em vigor.

 

Uma vez que o evento fazia parte do calendário Internacional da Surfrider Foundation (Internacional Day of Surfing), a filial brasileira deveria ter tido um especial  cuidado de providenciar sua devida liberação junto à Feserj e à Prefeitura (através da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer), pois assim teria seus direitos resguardados na praia.

Como isso não ocorreu, o Sr. Cacau não tinha legitimidade para tomar a atitude que tomou, e nem o nosso amigo Ricardo Bocão, de ?ordenar? nossa retirada da praia, palavra infeliz, imprópria e inadequada que este usou em sua carta ao público, pois nem com alvará de localização a Rocinha Surfe Escola teria legitimidade para tanto…

Somos uma das instituições mais reconhecidas do Rio de Janeiro; recentemente, fomos premiados com o Troféu Carlos Fernando de Carvalho de Responsabilidade Social – organizado pela Associação de Imprensa da Barra – como uma das ONGs do ano, entre mais de 150 entidades que realizam um trabalho exemplar. Logo não temos necessidade de ?pegar carona? com quem quer que seja, pois hoje temos alta visibilidade na mídia…

Estamos sempre presentes nas competições realizadas no litoral do Rio, assim como outras equipes de surfe comumente o fazem, com suas tendas de apoio aos jovens atletas que fazem parte de projeto SURFE SOCIAL. E foi nesse espírito esportivo, sem ao menos saber da participação da Surfrider, na qualidade de convidados da Rocinha Surfe Escola, que atendemos ao pedido de apoio do Ricardo, pai do Ricardinho, uma criança muito querida em nossa entidade.

É bem verdade que o competente Sr. Antonio Fleury, profissional que atua há vários anos na área social e é nosso atual coordenador de Projeto, se sentiu bastante humilhado pelo ocorrido e não tiro sua razão, uma vez que ele próprio, de bom grado, acabou por montar a tenda da Surfrider na praia bem ao lado da nossa, seguindo orientação da própria entidade, e em seguida recebeu o pedido de desmonte de nossa tenda.

Foi algo inusitado… Para evitar desagregação, ele decidiu por atender aos insistentes pedidos dos Srs. Cacau e Ricardo, e desmontou nossa tenda. Porém, sem clima para permanecer na praia perante o ocorrido, optou por retirar-se do evento, sem esquecer das crianças, que receberam ajuda financeira e alimentos para permanecerem na praia durante a competição.

Ele realmente ficou muito abatido, assim como eu, mas tudo bem, todos temos o direito de errar… Se Deus sempre nos perdoa, quem somos nós para não fazermos o mesmo, não é? Temos o dever de dar o exemplo para essas crianças…

Considerando que a atuação de todas as entidades envolvidas é exercida justamente sobre os jovens em situação de risco social, que dão origem à renovação do tráfico, da prostituição e da criminalidade, podemos afirmar que o nosso trabalho tem amplitude e consistência para, ao longo dos próximos anos, contribuir diretamente para reduzir os índices de criminalidade e marginalidade nas comunidades de baixa renda, transformando o futuro de toda uma geração e a própria realidade em que vivemos.     

Particularmente, penso que não devemos mais usar este espaço para trocar farpas, até porque temos todos nós os mesmos objetivos e, ao contrário do que estamos fazendo, devemos unir nossas forças.

 

Sinceramente, desejo todo o sucesso, a paz de Deus e especialmente BOAS ONDAS ao Bocão, Cacau, Toninho e a todos nós que amamos o surfe, pois como bem sabemos, não há nada que um bom dia de surfe não cure…

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