Peterson Rosa desabafa com jornal paranaense

O tricampeão paranaense diz em entrevista ao jornal paranaense Gazeta do Povo que pretende abandonar o Tour no caso de não ficar entre os Top 10 nesta temporada, isso porque alega estar “cansado de perder”.

 

Leia abaixo a íntegra da reportagem assinada pelo jornalista Marcio Reinecken, publicada neste domingo no canal de Esportes do site Gazeta do Povo.

 

Peterson Rosa está a fim de falar e saturado de perder. O sufoco passado em 2005, quando conseguiu se manter no WCT nas últimas etapas, com um 33.º lugar e dois nonos, deixou o surfista decidido.

 

Se não ficar entre os dez melhores do mundo neste ano, deixa o circuito internacional e se volta ao Campeonato Brasileiro. Único tricampeão nacional da história, ele está afastado da competição desde que passou a disputar o calendário da ASP.

 

Entre reflexões e revelações, o surfista não esconde que sente falta dos tempos de badalação. ?Para quem já foi estrela é difícil ficar aí em 33.º, 17.º. Meu melhor resultado no ano passado foi um terceiro. Eu sou um surfista que gosta de estar na mídia. Quero fazer filme, tirar foto, fazer matéria para revista…?, afirma.

 

Mas esse é apenas um dos motivos que o levaram a encarar de modo diferente a possibilidade de rebaixamento, olhando-o quase como o fim de um martírio.

 

?São 15 anos de surfe, meia vida. E cansei de muitas coisas. Do sistema, de ficar longe de casa… Por isso pode ter parecido um sufoco para os outros, mas eu estava tranqüilo, já havia aceitado. Só que, como Deus me deu mais essa oportunidade, vou continuar este ano para ver?, diz.

 

No planejamento do maior surfista paranense da história, duas frentes. A primeira, arrumar o terreno para a aposentadoria. O atleta já tem duas casas, bar, restaurante e aposta as fichas em seu escritório para revelar novos talentos ? que já cuida das carreiras dos meninos Petersinho, de Matinhos, e Ian, de São Francisco do Sul.

 

Prevenido, também já conversou com a organização do Super Surf e garantiu a vaga no Brasileiro do ano que vem.

 

?Se eu parasse agora, estava ferrado. Não ia conseguir nem disputar o Brasileiro. Agora, mesmo se continuar classificado no ano que vem no WCT posso parar. Seria o primeiro brasileiro a parar por cima. Todos os outros pararam quando foram rebaixados?, disse.

 

Mas na segunda frente ele demonstra que muita coisa disso é apenas um desabafo, e que, no fundo, o grande objetivo ainda é a conquista do mundial. Para isso, em 2006 Peterson Rosa vai se concentrar no WCT. E até a estratégia de treinamento ele mudou.

Resolveu voltar às raízes, a água, e deixar os treinamentos da moda (pilates e ioga) para trás.

 

?Vou ficar mais tempo dentro do mar, treinar na água. Cair duas horas, sair para comer alguma coisa, voltar mais duas horas… Foi assim que eu comecei.?

 

Em 15 anos de circuito mundial e 31 de vida, o paranaense atravessa a sua pior fase no mar. Não que esteja surfando mal, mas a ?urucubaca? é tão grande que quando não é a arbitragem, sempre aparece alguma coisa para atrapalhar.

 

Na sexta-feira, na sua estréia no Costão Pro, mais um momento azar. Encarou as piores ondas do campeonato, as menores da semana.

 

Mesmo assim surfou duas boas ? uma delas subestimada pelos juízes. E faltando 30 segundos, quando precisava de uma nota seis, pegou a melhor onda da bateria, subiu e na hora que ia começar a desenvolver sofreu uma interferência de Pedro Henrique, que estava lhe marcando ? era o segundo. Novamente, o paranaense foi ignorado.

 

Bronco ? como é conhecido ? saiu da água e foi direto à comissão arbitragem. Conhecido por gostar de uma boa confusão, fez o pessoal gelar, ninguém olhava para os lados. Mas ele também só os encarou e depois deixou quieto.

 

?Não adianta nada. Não vai mudar nada?, afirmou o surfista, que na verdade só esta pensando na Austrália, dia 28, a primeira etapa do WCT. Peterson Rosa embarca dia 20.

 

Fonte Gazeta do Povo

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