David Husadel

O surf no Brasil

Para David Husadel, trabalho da ASP South America projeta atletas para o surf global. Foto: Aleko Stergiou.

Esse texto é para quem está envolvido e comprometido com o surf brasileiro, sempre está ligado nos acontecimentos, nas fases, crises financeiras, crises de identidade e seus resultados.

 

Comecei a surfar no final de 1974 e só consigo me lembrar de crescimento. Nestes 34 anos, muitas das fases de crise mencionadas acima exerceram influência nos acontecimentos, mas, no máximo, de um a dois anos.

O surf e seus eventos sempre retornaram com mais força, mais estrutura e maturidade. Muitos dos românticos do surf falam em crise de identidade, mas o surf cresceu e com ele muitas facções do esporte dos reis.

Esse leque de ?caras? do surfe pode até criar a sensação de crise de identidade. Uns dizem que o verdadeiro surf é a aventura, desbravar novas ondas, outros dizem que o astral é ?bicho grilo? dos anos 70.

Tem os de ondas enormes e monstruosas, os malabaristas de ondas pequenas, mas existe um grupo que lidera todos os outros, que puxa o mercado, que gera mais notícias.

 

São os surfistas competidores, que vestem uma camiseta de lycra e demonstram alto desempenho em poucos minutos e juízes especializados emitem notas, indicando o campeão. Esses atletas se tornam ídolos em todos os cantos do planeta.

No Brasil, os campeonatos internos, SuperSurf e Brasil Tour desempenham um papel muito bom, mas não projetam nossos atletas para o mundo.

 

A economia do surf é global, os ídolos são globais, a comunicação e divulgação são online e global, a produção e desenvolvimento dos produtos do surf são globais.

Isso tudo nos leva a acreditar que eventos e atletas precisam ser globais, senão, mesmo sendo muito bons, será pouco para o esforço investido, o que gera um resultado injusto. Esta é uma visão contemporânea, pois os eventos da Abrasp nos anos 80 desempenharam um papel fundamental na consolidação do esporte. O Brasil abriu suas fronteiras, o que facilitou o ir e vir, inclusive para o surf brasileiro.

Com um trabalho pioneiro e que vem demonstrando muita consistência através das inúmeras fases do surf brasileiro, o escritório da ASP no Brasil vem regulamentando os procedimentos para a realização de campeonatos que projetam nossos atletas para o surf global.

O Brasil está de igual para igual com Austrália, EUA e Europa em quantidade de campeonatos, o que proporciona a nossos atletas subir os degraus de uma carreira internacional. Em 2008, entre eventos masculinos e femininos, estamos com 16 etapas, sem contar o Pro Junior no Chile, dominado por brasileiros.

Todos os esportes são feitos através de campeões. Mas, ser campeão do bairro ou da região já não exerce grande influência na mídia ou no mercado, o que deixa de ter importância. Precisamos de campeões mundiais brasileiros.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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