Na onda da eleição

O mito da honestidade

 

Herbert Passos incentiva a educação política dentro e fora d’água. Foto: Herbert Passos Neto.

No Brasil, os tempos de eleição são como a copa do mundo: quase todo mundo fala como se fosse técnico. Só que de futebol o brasileiro ainda entende, enquanto de política a maioria não lembra em quem votou na eleição passada, principalmente para os cargos legislativos.

 

Esse contexto é terreno fértil para o surgimento de mitos como, por exemplo, o de que se a maioria da população votar nulo, uma nova eleição deve ser convocada.

 

Um dos mitos mais interessantes é o de que todos os políticos são desonestos, provavelmente propagado pelos pilantras, para facilitar a camuflagem própria e desestimular a participação da sociedade.

 

Interessante porque ele é útil não só para os políticos desonestos, mas também para os cidadãos omissos, pois muita gente justifica sua negligência escondendo-se atrás de uma pretensa postura de honestidade. Seria algo como “sou um cara honesto, então prefiro não me meter nessa sujeira”. Bela desculpa, né?

 

Infelizmente, em toda a nossa história, os períodos de colônia, império e ditadura formaram a base de uma cultura de oposição entre povo e governo. Então, quando hoje a democracia coloca o poder nas mãos do povo, não sabemos fazer uso e continuamos sofrendo abusos, às vezes até piores do que em outros tempos.

 

Os políticos são nossos funcionários e o voto é um tipo de procuração que damos para nos representarem. Mas se não acompanhamos o trabalho, como podemos saber o que está acontecendo e ajustar rumos? É como viver reclamando do síndico sem nunca ter ido às reuniões do condomínio.

 

Ao contrário do que se pensa, exercer a democracia não começa por cobrar nossos direitos, mas sim por cumprir nossos deveres. Pois de toda a corrupção que existe, parte é culpa dos corruptos, parte dos corruptores e parte é dos omissos.

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