Girls For It

O mar está para as sereias

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Yanca Costa é uma das sensações do surfe feminino brasileiro. Foto: Arquivo pessoal.

 

Vivemos tempos mais floridos no mundo dos esportes de prancha. E não é pra menos, a mulherada vem batalhando seu espaço há tempos nos campeonatos e no mercado de surfe como um todo, mas a força impulsionadora veio com a onda das novas praticantes.

A necessidade era de se reinventar e todos sabiam disso. Não adiantava as empresas criarem linhas femininas dentro de marcas masculinas, precisávamos de dedicação ao nosso universo por quem o conhecesse verdadeiramente, de investimento nas categorias femininas e, principalmente, nas de base, de eventos para a categoria, divulgação e espaço na mídia e no mercado, incentivando toda a cadeia que faz a cena acontecer. E foi isso que, pouco a pouco, começamos a enxergar.

Quando iniciei a Girls On Board em 2009, depois de algumas viagens aos EUA para visitar a falecida ASR, a maior feira do mercado mundial de surfe, percebi que tanto fora do nosso país quanto aqui, quem mandava e desmandava nas marcas femininas eram homens, por mais que contratassem mulheres incríveis e geniais para ficarem à frente. A quebra do mercado lá fora estava começando e a avalanche em pouco tempo chegaria aqui.

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Depois de muitos anos de dedicação às competições, Claudinha Gonçalves tem investido bem no freesurf. Foto: Cacá Neves.

 
Só fomentando novas praticantes e iniciando um real movimento de mudança, patrocinando atletas e dando espaço para mulheres profissionais do mercado, como cinegrafistas, diretoras, fotógrafas, designers e editoras, onde todas as pontas desta estrutura estivessem em nossas mãos, é que a cena começaria a ganhar novas cores.

Turmas de amigas começaram a se pilhar para as sessions das manhãs. Grupos de WhatsApp se formaram para dar o report e mobilizar para a queda juntas. Marcas para as surfistas feitas por meninas surfistas. Atletas profissionais com seu próprio negócio como a BBQ, Barca da Bruna Queiroz, onde a surfista monta viagens para aquelas que já são praticantes há um tempo e querem fazer surf trip para uma maior evolução, ou como as viagens da Soul Delas, para dar aquele empurrãozinho para as iniciantes. Além das grandes mestras e referências dos surfe feminino nacional abrirem suas escolas, como Andrea Lopes e Suelen Naraisa.

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Marina Werneck também se destaca como representante do surfe feminino brasileiro. Foto: Ana Catarina Photo.

 
Estávamos sedentas por união, por saber que não estávamos sozinhas e que temos os mesmo talentos, garra e paixão que fez o Brazilian Storm explodir. Agora, criamos espaço, a cultura do surfe feminino esta se disseminando cada vez mais, Wiggolly Dantas, Suelen Naraisa e Marina Werneck se uniram para realizar o campeonato feminino ano passado sobre duras penas, mas conseguiram com êxito e querem mais. Manoela de Almeida, Juliana Martins e Marianna Piccolli são alguns dos nomes das grandes fotógrafas do mercado surfe. E cada vez mais marcas vêm patrocinando e dando suporte para as surfistas profissionais como Silvana Lima, Claudia Gonçalves e Yanca Costa.

Estes são apenas alguns exemplos que estão fazendo essa onda feminina radical acontecer. Aproveite e abra bem os olhos, fique atento aos nomes que se destacam, elas têm talento e não são apenas rostinhos bonitinhos, têm muito a dizer e fazem o mercado do surfe feminino brasileiro ter um futuro lindo pela frente…

Agora é que são elas!

Veridiana Bressane é idealizadora do Girls On Board, produtora de conteúdo lançada em 2009, com o objetivo de mudar o quadro do mercado dos esportes de prancha, fortalecendo o crescimento e o envolvimento feminino.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)