Alfredo Mecco

O conto do bregereba

 

Leandro Sampaio, Alfredo Mecco e Felippe Gonçalves exibem o famoso peixe bregereba. Foto: Arquivo Pessoal.

Depois de surfar boas ondas pela manhã, saímos do mar e reparamos que nosso amigo Alfredo Mecco ainda estava no outside.  

 

Visivelmente incomodado, ele movia-se com agressividade e tentava de se livrar de algum objeto que o puxava para baixo. 

 

Não pensamos duas vezes antes de voltar para o mar e ajudá-lo. Eu e meu colega Felippe Gonçalves remamos o mais depressa possível. 

 

Ao chegar perto da confusão, notamos a presença de um grande bregereba (ótimo peixe para comer assado) preso a um anzol e enrolado ao leash de Alfredo. 

 

Lutamos juntos até livrar nosso amigo do enrosco e ainda conseguimos capturar o peixe. 

 

Na areia, Alfredo ficou muito emocionado com toda aquela história que tinha acontecido segundos atrás. 

 

De acordo com ele, seu pai era um pescador nato de São Lourenço, Bertioga (SP), e sempre que podia e a maré e os ventos permitiam, navegava mar adentro. 

 

Assim como um surfista em busca de um tubo perfeito, Carlão (pai de Alfredo) priorizava a busca pelo seu peixe favorito, o bregereba. 

 

O pai de Alfredo podia encher o barco de espadas, baiacus, tainhas e qualquer outro tipo de peixe, mas não voltava satisfeito se não tivesse pescado um bregereba. 

 

Alfredo contava ainda que quando Carlão pescava seu peixe favorito começava uma grande festa e a felicidade contagiava não só o velho lobo do mar, mas todos que estavam na casa. 

 

“Difícil era fazer o velho tirar o troféu do freezer”, brincou Alfredo. 

 

Um dia o marujo adoeceu e apesar de todo esforço da família e amigos, ele se foi. 

 

Para Alfredo, ainda era preciso um momento de gratidão de seu pai. Uma mostra de amor. Ainda faltava algo que não houve tempo suficiente para acontecer. 

 

Algumas questões ficaram na cabeça de Alfredo. Qual é a probabilidade de um peixe com sua força quebrar uma linha de náilon e ficar brigando com uma prancha por um tempo que não se sabe?

 

Qual é a probabilidade deste peixe chamado Bregereba seguir o Alfredo dentre os 20, 30 ou mais surfistas que estavam na água e enganchar no leash da sua prancha? 

 

Qual a probabilidade de escolhermos Barra do Una, São Sebastião (SP), para surfar? E qual a probabilidade de isso acontecer logo na primeira vez em que surfamos após a perda do querido pescador?

 

Qual a probabilidade daquele pequeno pedaço de praia ser a direção tomada, pelo peixe, pelas correntezas ou por um pai pescador que se foi?

 

Enfim, qual a probabilidade de estarmos perto na água para vermos a bregereba seguir o Alfredo com afinco e propiciar uma luta tremenda para que ambos conseguissem sair da água? 

 

“Obrigado velho lobo do mar, temos certeza que foi sua mão que nos abençoou num lugar mágico, onde a previsão era de chuva e ventos fortes. Mas, naquela manhã do dia 20 de junlho, aliás, dia do amigo, fez um lindo sol, com um vento leve terral e ondas lisas e perfeitas. Mas como se não bastasse o cenário perfeito, fomos ainda abençoados com esse presente e a prova da existência de Deus que você nos deu! Aloha, Obrigado”, agradeceu Alfredo.  

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)