No dia 17 de março, saímos em uma viagem de Motorhome pela Europa. Dessa vez, a ideia era aproveitar o nordeste da Espanha e conhecer duas das mais famosas ondas do “Velho Continente”: Biarritz (França) e Mundaka, além de cidades da região.
Não tinha muitas esperanças de pegar boas ondas, mas, para garantir, levei minha prancha e um short john para não passar vontade. Saímos de Barcelona em direção a Biarritz, acompanhando um swell que prometia ondas de 1 metro por ali. Depois de 600km de viagem, chegamos a uma cidade que respira surfe e tem um dos beach breaks mais famosos da França, senão o mais. O surfe rendeu uma valinha, mas nada especial.
Como estamos viajando em família, o “carro-casa” (como as crianças chamam o Motorhome) é perfeito, pois você sai da água e em 10 minutos está seco e quente; fazia 10 graus naquele dia. Novamente pronto, seguimos a viagem. Para minha surpresa, o swell tinha ganhado força e mostrava boas condições para Mundaka. Aos que não sabem, a distância de um pico ao outro é de menos 2 horas de carro, e morar por ali não deve ser nada mal para quem surfa.
Chegamos por volta de umas 17 horas em Mundaka e a cena era de um mar em transformação com meio metrão a 1 metro na série. No dia seguinte, a previsão era do mar ganhar força, porém, com vento e maré seca somente às 16 horas. Acordei cedo e a cena era péssima, ventania e tudo desalinhado. À tarde, o vento foi parando, e na hora da maré seca, como um milagre, tinha 1 metro com esquerdas boas, mas ainda não quebrava do jeito que víamos nos filmes com o Occy quebrando nos anos 90 começo dos 2000.
No dia seguinte, o mar prometia estar ainda maior e a previsão marcava de 2.8 a 3.2 metros (acredito que isso era nas boias), com boas condições de vento e o mar subindo ainda mais para o outro dia. Aluguei o jonh 4.3mm em uma loja – já que meu short não dava nem para ir em festa à fantasia com o frio que fazia -, e fui para a lendária escada às 17:12, hora exata da maré mais seca.
Entrei sozinho e tinha visto umas cinco cabeças no outside e, logo que saí do canal, vi uma série de uns 2 metros quebrando sem ninguém. Não acreditava no que eu via. Já surfei em vários lugares do mundo, mas nunca tinha nem pensado em surfar Mundaka, mesmo sendo goofy.
Surfei durante uns 30 minutos tranquilo. Ja tinha surfado 3 ou 4 ondas e, quando estava voltando pro outside, por um vacilo, remando mais pra dentro, ao invés de estar fora no cana. Tomei duas massas de água na cabeça que pareciam uma lição. Fiquei um bom tempo sob a água e senti aquela sensação de que a cordinha iria estourar, mas enfim, o diabo na terra e você no mar.
Na sequência, saí e decidi esperar pelo próximo dia, pois acreditei que ali poderia ser um chacoalho para ficar mais esperto. Bom, nesse meio de história, já era para ter seguido viagem há tempos, porém, minha mulher e filhos toparam ficar mais um dia (muito obrigado, família, vocês foram fundamentais!).
Mulher de surfista sofre e quando aguenta é porque é amor de verdade. Como fazia todo dia, acordei cedo (a maré nesse dia era às 6:20 da manhã), e quando subi o morro a pé a cena era inacreditável: “Mundaka on fire!”.
Que dia épico de surfe, que energia tem essa onda e como os locais odeiam turistas (risos).
A única pergunta que ficou no ar foi: por que esse lugar mágico saiu do Circuito Mundial?