Economista por formação, surfista por paixão, editor, fotógrafo, videomaker – essas são apenas algumas facetas de Alberto Alves, o primeiro surfista a ser eternizado em uma capa da FLUIR e que, atualmente, também pode ser visto nos palcos soprando sua gaita.
Durante o mês de julho, Albertinho desembarcou na Europa, onde se apresentou ao lado do cantor e ex-skatista profissional Edu Marron nos festivais Acqua in Testa (Água na cabeça, em português), na cidade de Bari, e Brasilicata, em Matera, ambos na Itália.
A dupla foi muitíssimo bem recebida pelo público, e contou também com a companhia de outros grupos brasileiros, como os paulistas da banda Seu Bené, com a qual Albertinho também teve a oportunidade de fazer um som.
Em entrevista ao site da FLUIR, o surfista-gaitista falou sobre seu passado no mar, as viagens com o irmão Bruno Alves, um dos fundadores da revista, a nova empreitada nos palcos e a onda que ilustrou a capa da edição de outubro de 1983 da FLUIR, a primeira da revista.
O que representa para você ser o primeiro surfista a estampar uma capa da FLUIR, que completa 30 anos em 2013?
É uma grande honra poder fazer parte dessa história. Fiquei lisonjeado por ter o registro feito pelo meu irmão Bruno Alves, um dos fundadores da Fluir, estampado como capa da edição número um. Todo garoto que surfa tem o sonho de ter uma foto publicada em uma revista especializada, ainda mais uma capa. Foi o máximo!
Na sua opinião, qual foi o diferencial da FLUIR para permanecer em circulação por tantos anos e ainda ser a líder de mercado?
Acredito que a semente inicial garantiu força suficiente para a longevidade desse projeto. Todos os envolvidos e fundadores da revista amavam e viviam intensamente o surf. Além do envolvimento verdadeiro com o esporte, a junção de talentos pessoais dos sócios e da equipe garantiram uma excelente fórmula editorial com um ótimo conteúdo e qualidade na estética, no projeto gráfico e nas fotos. Na minha opinião, esses ingredientes foram vitais para o sucesso, além do fato de a revista ser feita por surfistas para surfistas, e ter sabido se reinventar e se adaptar ao longo de todos esses anos.
Como foi a situação em que a foto publicada na capa da primeira edição da FLUIR foi produzida?
A manobra foi captada em Mossel Bay, na África do Sul, numa viagem que fiz com meu irmão Bruno Alves. Esse lugar possui uma onda com muita força. Fomos um dos primeiros brasileiros a surfar por ali.
Qual foi a viagem mais marcante que você fez para produzir uma matéria para a revista?
Esta é uma pergunta difícil, pois foram várias as oportunidades. Desde pequeno tinha como meus heróis ossurfistas viajantes e exploradores como Wayne Lynch, Tito Rosemberg. Lembro-me de viajar nas fotos das expedições a lugares e ondas desconhecidas, surfadas por esses pioneiros. Foi assim que surgiu a inspiração e pudemos realizar algumas surf trips inesquecíveis na companhia de amigos e do meu irmão Bruno Alves. Registramos e publicamos pela primeira vez no Brasil algumas ondas mágicas. Descemos toda a Baja Califórnia, no México, fomos à ilha de Todos os Santos, ao arquipélago de Galápagos, a picos desconhecidos na África do Sul, Indonésia, América Central, na Pororoca do Amapá e muitos outros. Todas estas lembranças são verdadeiros tesouros e agradeço sempre a oportunidade que tive de conhecer esses lugares e surfar essas ondas. Mas sempre há um lugar novopara conhecer e novas ondas para descobrir.
Você recentemente participou de um festival na Europa. Qual sua relação com a música?
Sim, estivemos na Itália agora em junho e julho. A música, assim como o surf e a fotografia, é para mim um veículo de reconexão. Um verdadeiro exercício de atenção. São formas de expressão e, como numa via de duas mãos, você envia e recebe muita informação, muitos sentimentos, muita energia. Um verdadeiro aprendizado. Longe do mar, eu e meus amigos de surf sentíamos falta das ondas, e as ondas sonoras eram a melhor maneira de expressão, diversão e forma de manter o astral criativo. Assim começaram os ensaios e encontros, sempre com os amigos.
Como surgiu a oportunidade de se apresentar na Europa?
Na verdade, as apresentações na Europa são méritos exclusivos do Edu Marron. Conheci o Edu em uma apresentação na Galeria Alma do Mar, onde tive a oportunidade de fazer uma Jam Session com ele. O Edu é ex-skatista profissional e surfista também, e é sem dúvida uma das pessoas mais talentosas e dedicadas que eu conheço, com uma sonoridade única, além de ser um guitarrista extraordinário. Ele desenvolveu um trabalho muito consistente, já com dois CDs gravados. Toco com ele já faz algum tempo, o que é uma grande honra. Além disso, desenvolvo outros projetos com a banda que tenho com amigos, a Soul Noise Band. A música é uma celebração entre amigos e sempre que posso toco também com oTeco Padaratz, que desenvolve lá no sul um trabalho maravilhoso, de muita alma. O Edu Marron se inscreveu em um projeto muito legal que é o Espírito Mundo, de autoria da Aline Yasmin de Vitória, que consiste em estabelecer relações entre a cultura brasileira e as manifestações artísticas em outras partes do mundo. O projeto tem parceria com seis festivais em vários países da Europa. O trabalho do Edu Marron e sua banda foi selecionado entre vários outros projetos e fomos convidados a tocar na Itália onde, fizemos três apresentações em duas cidades diferentes, Bari e Matera, ambas no sul. Foi muito bom, toquei também com a banda paulista Seu Bené, que tem um trabalho alucinante. Fiquei muito lisonjeado de ter participado desses projetos.
Você tem algum show marcado no Brasil?
Meu foco agora, além de continuar a tocar com o Edu Marron, é continuar o desenvolvimento de um projeto que se chama Saltwater Soul ou “Sal na Veia”, que consiste em gravar um CD com a participação de vários amigos que tenham ligação com o surf e skate. A ideia é usar a base de músicos do Soul Noise Band e ter participações especiais de surfistas músicos, como o Edinho Leite (Grande parceiro nas composições ), o Paul Mandacarú, o Edu Helou, Teco, Edu Marron, Glauco Dreyer, Walter Nunes e muitos outros. A ideia é compor com cada convidado uma música, e através das leis de incentivo e do Crowdfunding , conseguir apoio para viabilizar o projeto.


