Na primeira parte deste artigo (arquivo ecobeach de 22/05), foi discutido o modo de desenvolvimento das sociedades que se denominam civilizadas e todos os problemas decorrentes dele, inclusive o perigo de desaparecimento da espécie humana.
Para evitar a catástrofe no futuro, a única solução apontada por especialistas das mais diversas áreas seria uma mudança profunda na forma de desenvolvimento da sociedade e na forma de utilização dos recursos naturais.
Como passar de um modelo predatório para outro baseado no desenvolvimento sustentado? Não é tão simples, mas também não é impossível. Pela complexidade do sistema em que vivemos, não podemos esperar mudanças bruscas. Mas, se começarmos a examinar nossos atos (e suas conseqüências) mais detalhadamente, podemos iniciar uma mudança interna. À medida que outras pessoas fizerem o mesmo, aí sim a sociedade irá se modificar como um todo.
Falando de exemplos mais práticos, vamos a algumas atitudes a serem reconsideradas:
Desperdício generalizado: Este é um problema muito sério aqui no Brasil, em especial no que diz respeito aos recursos naturais (água, alimentos e derivados de petróleo). Você não precisa ser um eco-chato, mas por que não ter bom senso ao usá-los? Lembre-se que eles podem faltar se forem mal utilizados.
Egoísmo: Esse é outro problemão. Aqui vale dizer que, às vezes, um monte de gente paga devido ao suposto bem estar de um único indivíduo. Um exemplo: Casa na praia em frente ao mar? Então que tal evitar construir um muro em cima da areia ou desmatar a vegetação de restinga, substituindo-a por um gramado de gosto duvidoso e aparência totalmente artificial. Assim haverá a garantia de que os bancos de areia poderão continuar a se mover criando as boas ondas e a praia manterá seu aspecto natural.
Outro exemplo: Não jogar o esgoto da casa em rios, valas, na rede pluvial, em sumidouros ou pior, diretamente no mar. A praia fica poluída e todos, inclusive você que a freqüenta, acabam sofrendo as conseqüências disso, podendo inclusive contrair doenças. Se houver rede de esgoto, todas as casas devem ser ligadas nela. Se não houver, será que não dá pra construir uma fossa séptica, ou até mesmo de uma estação de tratamento caseira? (quem tem dinheiro suficiente poderia considerar esta hipótese e, assim, contribuir para um ambiente limpo para a própria saúde). E porque não pressionar os políticos para a construção de uma rede coletora e de uma estação de tratamento de esgoto?
Falta de informação: Recurso muito usado por políticos e empresários para manipular as pessoas. Questione os fatos que ocorrem em sua praia. Ela está mesmo limpa? E aquele esgotinho correndo ali no canto, de onde vem? Será que a construção de edifícios vai melhorar ou piorar o local, do ponto de vista social, econômico e ambiental? Vale a pena desmatar tudo pra fazer condomínios ou existe alguma outra forma menos devastadora de ocupação? Buscar a informação correta pode ser bem útil, você não acha?
Desunião: Muitas vezes as pessoas não concordam com algo e mesmo assim ele acontece, e isso se deve a uma falta de mobilização. Ninguém faz nada e quando vai ver já era… Considere a questão, você estaria disposto a participar de alguma ONG ou associação que vise melhorar a qualidade de vida e do ambiente em sua praia?
Imediatismo: Muitas vezes as pessoas tomam atitudes pensando somente no momento, sem pensar nas conseqüências futuras. Lembrar que filhos e netos merecem um ambiente saudável e preservado pode ser uma boa idéia antes de ir desmatando, construindo e poluindo indiscriminadamente sem saber ao certo as conseqüências. Muitas vezes o que parece bom hoje pode se mostrar terrível no futuro… E consultar especialistas sérios antes disso pode ajudar. Veja os exemplos do porto de Suape e dos ataques de tubarão em PE: se tivessem feito um estudo, talvez o resultado fosse outro e vidas não teriam sido perdidas…
E você, o que você acha de tudo isso? Estaria disposto a refletir sobre suas ações e mudar seu comportamento se for necessário? Pense…