O vicentino Alex Godoy, 27, vive há mais de dois anos no Hawaii. Foi para tentar a carreira no WQS, mas por falta de apoio assumiu sua condição de free surfer.
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Nesta entrevista concedida ao correspondente Bruno Lemos, Alex conta um pouco de sua trajetória como surfista profissional e de seu trabalho de missionário na Igreja Brasileira no Hawaii.
Fale um pouco de você e de como inicou no surf.
Meu nome é Alex Godoy, tenho 27 anos e sou surfista profissional há oito anos. Estou morando aqui no Hawaii há quase três anos. Iniciei no surf com 12 anos na cidade de São Vicente (SP), pois minha família sempre morou lá. Comecei a competir com 14 anos nos campeonatos regionais da Baixada Santista. Eu fazia parte de uma escola de surf e o professor da galera era o Lázaro Zeferino, hoje diretor de esportes radicais em São Vicente. Ele tomava conta de uma equipe de competição e aprendi a competir com ele. Depois, graças a Deus nunca mais parei de competir. Como amador ganhei alguns títulos regionais e também fiz parte do time que representava a equipe do estado de São Paulo no brasileiro amador. Como profissional, durante três anos participei do Super Surf, primeira divisão do surf brasileiro e de todas as competições profissionais pelo país. E tive a oportunidade de competir o WQS dentro do Brasil.
O que te motivou a vir para o Hawaii e a ficar por aqui?
No início de 2006, meu ex-patrocinador me avisou que seria o nosso último ano de contrato. Então comecei a correr atrás de outros patrocinadores para o ano seguinte. Mas como a economia do país estava muito baixa, poucas empresas estava contratando. E os que contratavam, pagavam pouco e exigiam demais. Quando eu vi que as possibilidades de me manter como profissional no país e de viajar para outros países era muito pouca, ou quase nada, comecei a pensar numa maneira de continuar minha carreira mesmo não tendo patrocinador. Eu havia estado no Hawaii por duas temporada e já conhecia algumas pessoas e lugares, sem falar que o Hawaii é a meca do surf mundial, e também é o lugar mais barato para viajar para qualquer outro do mundo. A minha idéia inicial era competir o WQS saindo do Hawaii, por ser mais barato e por ter os custos reduzidos, pois não tinha nem um patrocinador para me apoiar.
Como foi essa transição de competidor para free surfer?
Então, quando eu cheguei ao Hawaii comecei a agilizar as coisas para correr a circuito mundial o WQS de 2007, mas infelizmente é muito difícil correr o circuito ser ter um patrocinador. Cheguei a ter o dinheiro para correr as primeiras etapas na Austrália, mas aconteceu que quando eu fui tirar meu visto, me pediram um monte de coisa que eu não tinha aqui no Hawaii, como carta de patrocinador e outras coisas. Aí, pensei, quer saber, vou pra Indonésia, porque eu não preciso me estressar com essas coisas de inscrição, visto e tudo que só dificulta a vida dos surfistas. Acabou que naquele ano não competi nem uma etapa. Mas ainda penso em competir algumas etapas aqui o Hawaii, mas sem a pressão de patrocinador e ter que dar retorno para alguém. Hoje tenho total apoio da Souls 4 Jesus, uma empresa americana que tem dado apoio à minha carreira.
Como você tem se adaptado às ondas havaianas?
Eu tenho viajado para outros lugares como Indonésia, Tahiti, lugares que dão uma boa base para tubos, manobras. Quando eu fui para o Tahiti fiquei em frente a Teahupoo por duas semanas, só sufando aquelas esquerdas pesada, mas pensando em Pipeline. Isso me deu muita base para voltar ao Hawaii e ficar mais tranquilo no mar. E tento me manter dentro d?agua o máximo que posso para não perder o ritmo e ter intimidade com as ondas do Hawaii.
Como tem sido o seu dia adia aqui no Hawaii?
Hoje eu tenho alguns trabalhos que mantêm meus custos aqui no Hawaii. Tenho trabalhado bastante como missionário da Primeira Igreja Brasileira no Hawaii, tentando aproveitar o Hawaii o máximo que posso. O interessante é que o Hawaii, apesar de ser uma ilha, cada dia tem algo diferente para fazer, um lugar novo pra surfar. E tento me manter no ritmo buscando as ondas que ainda não surfei ou lugares que ainda não conheci.
E essas ondas que tem dado no South Shore?
As ondas no South Shore são muito boas, apesar de ter muita gente surfando. Mas tem lugares que você surfa com cinco, seis pessoas no máximo. E tem muitas bancadas pra surfar, não são somente sete milhas de surf, caso do Noth Shore. As ondas são mais fracas, porém pereitas e muito boas de surfar.
Quais seus planos para o futuro?
Meus planos são continuar vivendo aqui no Hawaii até quando Deus quiser e viver um dia de cada vez, pois eu moro em um dos sete melhores paraísos do mundo, com as melhores ondas do mundo. E Deus tem concretizado o sonho de morar no Hawaii. Isso tem sido muito importante pra mim, participar de algumas competições e continuar trabalhando com minha igreja o máximo que eu puder.
Poderia deixar aquele recado final para a galera?
A galera que vem pro Hawaii seja bem-vinda. O mais importante é você vir com um objetivo e se concentrar nele. Muita gente vem sem saber o que quer realmente aqui no Hawaii e acaba se perdendo em drogas e loucura, e perde a oportunidade que tem de aproveitar. E sempre respeitando as pessoas que moram aqui há mais tempo e os locais. Muitos surfistas vem passar dois, três meses e fazem um monte de besteira. E sobra a fama para a galera que mora aqui. Então, apeguem-se a Deus o máximo que puderem e aproveitem o que o Hawaii tem de melhor. Aloha!
