Adriano de Souza

Mineiro come quieto

Adriano de Souza tenta reinar novamente no Billabong Rio Pro. Foto: © ASP / Smorigo.

Mineirinho revela que ainda precisa evoluir muito para ser o melhor do mundo. Foto: Lima Junior.

Gabriel Medina é o surfista brasileiro mais badalado do momento. O garoto é mesmo um prodígio. Suas manobras impressionam sempre e ninguém dúvida que ele tenha tudo para ser campeão. Mas o brazuca mais vitorioso, consistente e perto de chegar ao título é o discreto Adriano de Souza, o Mineirinho.

 

Aos 26 anos, ele acaba de badalar o sino de Bells Beach na etapa mais tradicional do WT. Foi a primeira vez que um atleta do nosso país conseguiu tamanha proeza nas ondas australianas. A vitória, que o posicionou em quarto lugar no ranking, veio após um começo de ano difícil.


Para surpresa até dos mais entendidos no esporte, a Oakley decidiu não apoiá-lo mais como patrocínio master. Passado o efeito da “vaca”, fechou com a Pena, marca nacional de surfwear, e rapidamente a levou ao ponto mais alto do pódio.


Em quase todos os campeonatos, Mineirinho está entre os primeiros. Terminou entre os cinco melhores do mundo três vezes. Kelly Slater, o maior surfista de todos os tempos, já declarou que Adriano é um dos melhores competidores do torneio – “talvez o melhor de todos”, completou.


Sempre na dele, este Mineirinho de apelido e paulista de nascimento não tira os pés do chão. “Ainda preciso evoluir muito para ser o melhor do mundo”, diz.


O blog da Veja Rio com ele durante o Billabong Rio Pro. Campeão da etapa em 2011, o surfista de Guarujá tenta reinar novamente nas instáveis ondas cariocas. Mineirinho venceu sua bateria do round 1 e agora espera o próximo confronto.
 
Você está na crista da onda desde o título em Bells Beach. Mas o ano começou difícil, com o fim do patrocínio master da Oakley. Isso te motivou ainda mais?

Estou vivendo um momento único após a vitória na Austrália, mas o começo do ano foi bem difícil mesmo. Posso dizer que a temporada tem sido emocionante (risos). Fechar com a Pena aumentou ainda mais meu desejo de ser campeão mundial. Mas eu ainda preciso melhorar muitas coisas. De verdade. É muito difícil você se tornar o melhor surfista do planeta. Estou dando meu máximo e espero ganhar no Rio de novo (ele foi campeão da etapa carioca de 2011).


Antes da etapa carioca de 2012 você disse que seu objetivo principal na temporada era evoluir. O que você espera do Rio este ano?

 

O campeonato aqui será muito difícil. Tenho que ser agressivo pra ganhar. Se eu vencer, quem sabe coloco na cabeça que dá pra ser campeão mundial. Por enquanto, ainda não penso nisso, é só o começo da temporada.

As ondas do Rio são sempre imprevisíveis. Dá pra desenvolver alguma estratégia nessas condições?

Esse é o tipo de mar (beach break, ondas com fundo de areia) que sempre me abençoou. Foi num mar assim que eu comecei a surfar, lá no Guarujá. Então é como se fosse a minha casa. Tento me dedicar ao extremo sempre. Mas a verdade é que, num mar assim, contra caras como esses, eu não me vejo em vantagem. As dificuldades são as mesmas que os gringos também enfrentam.

Estamos com chances reais de ter nosso primeiro campeão em breve, seja ele quem for. Como você se vê nessa disputa?

Tudo que venho fazendo nos últimos anos é impor uma nova postura diante dos grandes surfistas do mundo. Eles estão com muito mais apoio, muito mais estrutura e vêm de um país onde há mais competições, onde são feitas as melhores pranchas. Todas essas vantagens fazem um campeão e eles vivem isso desde os anos 50.

E no Brasil?

Aqui ainda estamos nascendo. Somos virgens no esporte. Não temos referência pra conquistar um título mundial, ninguém nunca conquistou. Eles (estrangeiros) têm muito mais suporte e força por causa disso. Espero que a gente consiga superar essa grande barreira e finalmente ser campeões.


Como a experiência te ajuda durante a competição? Consegue fazer melhor a leitura das ondas, se sente mais tranquilo?

Experiência é algo maravilhoso, uma coisa muito boa, mas é difícil ter consciência dela, usá-la a seu favor. Não é algo palpável. Procuro me concentrar em melhorar a cada dia. Eu me sinto, sim, mais experiente, mas é algo difícil de mensurar. Tem que passar pelos momentos difíceis, pelos momentos bons e querer sempre melhorar. É isso aí.


Você é uma inspiração para os outros surfistas brasileiros, como Alejo Muniz, Filipe Toledo, Gabriel Medina e Miguel Pupo. O que você passa para eles?

Fico honrado de poder passar um caminho correto, de dedicação extrema ao esporte, à profissão que escolhemos. Essa nova geração está vindo com força e vontade – muito mais até do que eu. Eu dou conselhos para eles e, ao mesmo tempo, eles querem me vencer (risos).

Ainda consegue surfar por prazer? Surfar sem preocupações, só por prazer?

A essência do surfe nunca vai sair de mim. Sempre tenho uma razão para surfar. Mas hoje em dia minha razão é evoluir profissionalmente, ser o melhor atleta possível. O esporte se profissionalizou muito rápido. Infelizmente, hoje em dia não consigo mais surfar por prazer. Surfo pela obsessão de ser o melhor na competição.

E você acredita que está perto de conseguir isso?

É o meu maior objetivo, por isso tenho que trabalhar, trabalhar muito.

 

Fonte Veja Rio

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.