Polinésia Francesa

Millini desvenda ilha paradisíaca

Imaginem uma ilha paradisíaca, com ondas perfeitas e sem nenhum crowd. Acrescente a isso um povo alegre, extremamente hospitaleiro.

Foi essa minha experiência em 2008, quando estive pela segunda vez na Polinésia Francesa.

Formada por cinco arquipélagos, a Polinésia é um território dependente da França, localizada no Oceano Pacífico Sul.

O surf ainda é pouco explorado na região, fazendo inúmeras ondas quebrarem solitárias nas milhares de bancadas espalhadas pelas 118 ilhas e atóis que compõem os cinco arquipélagos.

Admirado com o potencial, dediquei algum tempo do último ano estudando ilhas e bancadas por meio de mapas e informações colhidas com amigos locais e pela internet.
 
Mesmo com pouca informação e nenhuma confirmação concreta sobre as ondas mais afastadas, resolvi arriscar em busca de lugares pouco explorados.

Depois de algum estudo, escolhi uma ilha dentre as 118 existentes, acreditando que ali desfrutaria de bancadas com qualidade, sem crowd e ainda conhecer e vivenciar uma cultura muito preservada, longe do turismo comum.

A ilha escolhida possui formato de um anel de coral, separando as águas do Oceano Pacífico de uma lagoa que se forma no seu interior, com águas calmas e azuis cheias de raias, tubarões e muitos outros animais.

A população total não passa de 400 pessoas, que vivem em um pequeno vilarejo. A economia local gira em torno das fazendas de pérolas, uma das maiorias fontes de renda da região.

Logo que desembarquei na ilha, fiquei impressionado com a energia e a beleza natural, repleta de coqueiros exuberantes e animais maravilhosos, dando ao lugar um toque especial de paz e energia pura.

Por ser o único turista na ilha, todos que me encontravam na rua paravam para conversar e saber de onde eu vinha e o que me levara até lá.

A língua oficial é a francesa, mas o povo se comunica muito também na língua taitiana, na verdade a preferida deles.

Por não dominar nenhuma das duas, minha comunicação era restrita a nomes e algumas palavras que havia aprendido.

Fora a simpatia e alegria do povo, a ilha guarda um dos maiores segredos para os surfistas. Uma onda longa, perfeita e tubular quebra sobre uma rasa bancada de corais, absolutamente sem ninguém.

Quando a observei pela primeira vez, permaneci alguns minutos admirando ela quebrar ao longo de toda a bancada, com aproximadamente uns 200 metros de extensão.

Naquele momento tive a certeza que havia feito a escolha certa, que toda minha dedicação e persistência haviam me colocando diante de um presente raro da natureza.

Na ilha existem apenas oito surfistas, a maioria adolescentes que se revezam com pranchas de bodyboard  e surf, se divertindo todos os dias no quintal de casa.

Foi uma experiência incrível passar duas semanas dividindo ondas perfeitas com pessoas tão felizes, puras e simpáticas, que a todo instante me incentivavam a pegar a melhor onda da série.

Vibrando com cada onda surfada, vivenciei a verdadeira essência do surf, da amizade dentro e fora da água. Nos dias de ondas perfeitas, vários colegas iam até minha casa avisar das boas condições e me convidar para surfar.

Como eu estava sozinho, nos últimos dias comecei a ensinar alguns locais a usar minha câmera para registrar algumas fotos enquanto eu surfava.

Com uma onda tão perfeita não foi tarefa difícil para eles, mesmo sem muita intimidade com o equipamento.

Na água, devido a sua transparência, não era raro ver raias e tubarões nadando livres. Nunca foi registrado nenhum ataque na ilha e até os animais mais selvagens parecem viver em perfeita harmonia com os seres humanos nesse lugar.

Aproveitei cada dia naquele paraíso, aprendendo muito com a cultura local e a natureza que era oferecida.

Agradeço de coração todas pessoas que me ajudaram nesta viagem, aos locais da ilha por me receberem tão bem e a natureza que mesmo depois de anos e anos de degradação do homem ainda resiste forte e viva em muitos lugares.

Para obter mais informações, acesse Diário de Viagens.

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