A temporada taitiana foi mais uma vez generosa com aqueles que gostam de tubos perfeitos. Durante um mês e meio que fiquei por lá neste ano foram vários swells de Sudoeste com bom tamanho. Vários dias sem muito vento. Condições ideais para que Teahupoo funcione.
Apesar do crowd que hoje em dia geralmente se faz presente no pico, pude pegar algumas ondas perfeitas só para mim. Tentei registrá-las com uma câmera Go Pro na minha prancha.
Nos últimos dias de junho, em meio a mais um swell com ondas de até 2,5 metros perfeitos, minha temporada no Tahiti terminou de um jeito quase trágico.
Depois de mais um dia de tubos perfeitos, dirigi até a cidade para deixar um amigo no aeroporto. Na sequência me encontrei com uma amiga e resolvemos voltar para dormir em Teahupoo, a uma hora da cidade.
Eu estava cansado e sem nenhuma vontade de dirigir. Minha amiga queria dirigir o seu carro recém-comprado, então deixamos o meu em um estacionamento e entrei no carro dela.
Ja na saída do estacionamento a menina acelerou de forma brusca, o que achei estranho, mas imaginei que ela estivesse apenas de gracinha. Não desconfiei houvesse bebido durante as horas que antecederam nosso encontro.
Depois de alguns poucos minutos na estrada, veio o momento que posso considerar a experiência mais pesada da minha vida. Eu estava procurando uma música no ipod, e quando olho para a estrada novamente, o carro estava quase tocando na mureta de proteção da estrada.
Minha amiga se desconcentrou e deixou o carro sair da pista. Quando ela se deu conta de que estava fora da pista era tarde demais. O carro tocou na mureta e ela perdeu o controle. A menina ainda tentou corrigir, mas o carro saiu de lado e entrou na mureta do outro lado da estrada. A unica reação que tive foi de proteger minha cabeça com as mãos. Para minha sorte eu usava cinto de segurança.
Depois disso, lembro apenas de estar dentro de uma ambulância, com minha mão sendo enfaixada e minha cabeça dolorida. Uma vez no hospital minha mão foi operada para reconstruir um tendão e depois parte do ferimento foi costurado.
Os médicos também tiraram diversos cacos de vidro que estavam encrustados no meu couro cabeludo. Minha amiga saiu ilesa. A única coisa que ela perdeu foi seu carro novo, além da carteira de motorista, pois não passou no teste do bafômetro.
Depois disso peguei o primeiro vôo para o Brasil, onde me recupero na companhia de minha família, em Porto Alegre (RS). Os médicos disseram que dentro de um mês devo estar pronto para pegar onda de novo.
Depois de quase dois meses correndo riscos diariamente em uma das ondas mais pesadas do mundo, ironicamente fui tomar minha pior vaca longe da bancada sinistra de Teahupoo. Vai entender…