Muito além do tempo

Muito além do tempo

Em busca de ondas perfeitas e do clima de descoberta dos tempos românticos do surf, um grupo formado pelos surfistas Grant “Twiggy” Baker, Greg Long, Laurie Towner e Fergal Smith desbravou a inóspita costa de Madagascar, um dos países menos acessíveis do mundo, pela primeira vez durante a temporada de ciclones na região. 

Por Grant “Twiggy” Baker

(Texto publicado na edição 331, de maio de 2013)

Desde o começo sabíamos que isso não seria um passeio no parque, e estávamos preparados para uma missão infernal, mas dois pontos sempre voltavam à tona:Estávamos chegando ao fim das nossas provisões. Água potável era escassa. Estávamos a dias de distância da civilização em um dos cantos mais remotos de um dos países menos acessíveis do mundo, e um ciclone estava a poucas horas de chegar à costa. Não tínhamos nenhum plano de fuga. Nosso barco, o Blue Fin, só tinha combustível suficiente para nos levar até o horizonte antes que, inevitavelmente, o ciclone nos enxotasse de volta à costa. O vilarejo no qual estávamos ancorados, se é que se pode chamar aquele terrível amontoado de madeira de vilarejo, tinha muito pouco a oferecer em relação a abrigo ou suprimentos. A equipe olhava para mim em busca de respostas. Para mim, porque isso tinha sido ideia minha. Eu fui o “agente de turismo” daquela expedição condenada. Tinha nos colocado naquela situação e era o responsável por nos tirar dela. Mas eu não tinha respostas. Se tivessem me perguntado mais uma vez, eu teria dito, ou quem sabe gritado com eles através da chuva que caía, que estávamos ferrados. Acabados. A viagem tinha acabado antes mesmo de pegarmos uma onda. Madagascar manteria novamente seu tesouro em segredo.

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A chegada de um ciclone trouxe chuvas pesadas, além do tão esperado swell. Foto: Alan Van Gysen. 

1 – Estávamos indo para uma área em que nenhum marinheiro experiente consideraria se aventurar, a costa leste de Madagascar em março, durante a alta temporada dos ciclones, uma área que nunca tinha sido surfada ou mesmo checada com a intenção de surfar durante os meses bons de swell.

2 – O local também é conhecido por ter a maior concentração de tubarões do mundo, muitas bocas de rio e uma das maiores porcentagens anuais de chuvas do planeta. E, para completar, o ciclone Benziga tinha atingido a costa havia apenas sete dias, deixando a água marrom e espalhando troncos do tamanho de casas pelos line-ups. Depois de tudo isso, como se já não tivéssemos obstáculos suficientes à nossa frente, tomamos uma decisão muito errada. Nosso lento barco de carga, carregado com nossas roupas, suprimentos, combustível e acessórios para nosso conforto, não conseguiria viajar para o norte no clima terrível em que nos encontrávamos. Contra a vontade do capitão, deixamos aquele barco para trás. Nossa decisão foi baseada no fato de termos pouco tempo para encontrar um bom abrigo antes que o próximo ciclone nos impedisse de chegar ao nosso destino, 160 quilômetros ao norte.

Nosso capitão nos avisou que aquilo era uma má ideia. Ele pretendia ficar no sul com o barco de carga, mas estávamos famintos por surf e convencidos de que os ventos de sul fora de época seriam terral. Terminou com a gente pedindo e implorando, e ele  cedendo quando finalmente o fizemos entender que ficarmos parados vendo passar o melhor swell da viagem basicamente nos levaria a um estado catatônico de desespero.

Então partimos, cheios de abandono juvenil e sonhos de encontrar nosso próprio tesouro naquela notória área de caça pirata. E foi assim que então tudo veio abaixo. Estávamos procurando ondas e uma aventura intensa e real, e encontramos as duas coisas. Mas descobrimos que coragem e realidade não são tão glamorosas como as pessoas pensam. 

(Continua na página 02)##

Chegando ao Porto do Clitóris 

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Madagascar. Foto: Alan Van Gysen. 

A gênese desta expedição foi o rompimento do meu ligamento cruzado anterior, seguido da cirurgia no joelho e do diagnóstico de seis meses sem surf. Troque o surf ininterrupto e as viagens por um árduo programa de reabilitação e você terá muito tempo para pensar na vida.

Mentalmente eu não estava bem. A temporada maciça do El Niño e o fato de termos driblado a morte inúmeras vezes nos meses anteriores, combinados com o falecimento do meu bom amigo Noel Robinson, me deixaram pronto para trocar tamanho por um pouco de perfeição vazia. Estava na hora de surfar ondas que ninguém tinha visto antes. Entre uma sessão e outra de fisioterapia, procurava no Google Earth por picos vazios do continente Africano.

A ilha-nação de Madagascar se encaixava perfeitamente em meu critério. Sua linha costeira remota e inacessível ficava de frente para os pesados swells de ciclone da Índia. Durante 20 anos eu assisti a Madagascar bloquear swell atrás de swell, impedindo-os de chegar à minha amada costa sul-africana. Pensei que já era hora de ir ver o que exatamente aquelas tempestades faziam por lá. Depois de checar os mapas, descobri uma extensão de terra de 160 quilômetros de costa com vários tipos de configurações que recebiam de frente aquela janela sazonal de swell. A semente tinha brotado antes mesmo de criar raízes.

O meu plano era filmar um documentário a respeito do que é preciso para encontrar uma nova zona de ondas de nível mundial nesta era de filmes com orçamentos milionários e alta tecnologia. Queria provar que ainda podíamos fazer algo genuíno, corajoso e real, voltando aos tempos românticos de quando os pioneiros do surf usavam barcos locais, acampavam nas ilhas e esperavam os swells aparecerem nos reefs que tinham descoberto, sem telefone, e-mail ou previsões de tempo na internet.

Madagascar está tão perto daquela época romântica quanto qualquer outro lugar no mundo. Com infraestrutura precária, havia um risco baixo de que caíssemos em uma vida de luxo nessa viagem. O país é tão subdesenvolvido que as estradas são consideradas artigos de luxo na maioria das regiões. Também é importante entender que Madagascar, apesar de ter algumas semelhanças com a África, e outras com a Índia, culturalmente é mais próxima da Indonésia. Mas, em vez de trazer preconceitos aqui, é melhor deixar o lugar falar por si, simplesmente porque é diferente de qualquer lugar no mundo. Há pelo menos 18 grupos culturais distintos, que são mais ou menos separados por diferenças raciais que remetem às migrações indonésias, além das influências africanas, árabes e indianas.

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O grupo na capital, Antananarivo. Foto: Alan Van Gysen. 

Na capital planáltica, Antananarivo (onde estou enquanto escrevo este texto), o povo merina se parece com os indonésios, apesar de a ligação estar um pouco ofuscada depois de 12 séculos de separação. Enquanto caminho pelas ruas quentes, às vezes preciso olhar duas vezes, pois as pessoas se parecem muito com as de Sumba, em Nusa Tengara, na Indonésia. Essas duas populações têm tanto em comum agora quanto os habitantes do sudoeste asiático e os de cultura austronésia da Polinésia e Melanésia, ou do peruano comum com o espanhol. Estão distantes anos-luz no espaço e no tempo. Mas é verdade que existem similaridades em suas crenças, práticas, línguas e raças.

A palavra “malgaxe” serve para várias finalidades. É um adjetivo para coisas “madagascarianas”; é o nome da língua e também do povo de lá. O malgaxe pertence à família das línguas austronésias, estando ligada ao malaio, ao bahasa, ao indonésio e às línguas de Fiji e da Polinésia. Fiquei surpreso em saber que no dialeto nortista malgaxe, a palavra para “oi” é “bula”, exatamente igual a Fiji.

As estruturas de crenças mais fortes do povo malgaxe estão ligadas aos seus ancestrais, que continuam a influenciar na estrutura familiar atual, e cuja exumação e novo enterro, de seis a dez anos após sua morte, é uma feliz expressão de amor, lembrança e senso de comunidade. Os monumentos em forma de pilar em homenagem aos mortos são tão similares aos que vi em Sumba que chega a ser assustador.

O que faz dessas similaridades algo tão incrível é simplesmente o fato do quão difícil deve ter sido para essas culturas e línguas migrarem até aqui. Afinal, alguns membros da nossa equipe, usando todas as tecnologias modernas existentes, demoraram mais de sete dias para chegar aqui. Acho irônico que se possa chegar a qualquer parte do mundo em segundos do seu computador, mas leva uma semana para chegar perto do seu sonho encontrado no Google Earth.

Garantido foi que os últimos três dias de nossa longa viagem foram passados sacudindo a bordo do Blue Fin, desviando de tempestades pesadas. Mas fomos em frente, seguindo para o norte ao longo das linhas costeiras mais remotas de Madagascar. E, para piorar, um vento sul deixava o mar muito agitado, nos forçando a desembarcar e dormir em vilarejos ao longo do caminho, lugares pequenos, malucos e remotos, mas nenhum deles mais intrigante do que o lugar onde nossos suprimentos acabaram, a cidade de Rutsinoria (nome falso), em tradução literal: Porto do Clitóris.

Lar de vários contrabandistas de pau-rosa, essa cidade e as pessoas que vieram nos receber eram pouco confiáveis, para dizer o mínimo. E, quando a tempestade foi se aproximando, logo percebemos que nem o pau-rosa (nem os locais) iria nos proteger e nos alimentar por tempo suficiente para que pudéssemos explorar a área em busca de points que segurassem o swell de ciclone. Olhando para a equipe, não era preciso ser psicólogo para perceber que nossos espíritos estavam completamente derrotados. Foi nesse estado de desespero que nos preparamos para a noite. Então, em algum momento antes do amanhecer, ouvimos uma voz familiar. Contra todas as probabilidades, Sisi, marujo do barco-mãe, que agora estava ancorado próximo de nós, tinha encontrado o caminho para o nosso acampamento. Nossas preces tinham sido atendidas, a salvação tinha chegado. Nossa expedição iria continuar. 

(Continua na página 03)##

Do céu ao inferno 

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Conhecido pela coragem  em picos como Shipstern Bluff, Laurie Towner tem um surf versátil e um repertório completo de manobras progressivas. Foto: Alan Van Gysen. 

Quando o swell começou a surgir nas bancadas de outside, tínhamos encontrado dois ótimos lugares e mais alguns outros que tinham potencial para ficarem épicos em condições mais limpas. Não só tínhamos a chance de pegar ótimas ondas, mas também estávamos acampados em um point break mágico de coral que lembrava Nias antes do Tsunami.

Enquanto a água ia passando de marrom para um agradável verde-escuro, Laurie Towner e Greg Long pegavam uma onda atrás da outra, elevando o nível de performance para um patamar que eu não esperava ver. Até Fergal Smith, que tinha acabado de emergir de cinco meses de frio terrível na Irlanda e tinha se esforçado para se adaptar ao calor sufocante dos trópicos, estava se soltando de backside. Tubos no drop seguidos por duas, três ou quatro manobras progressivas eram o básico. Pensei em quão rápido o surf estava evoluindo e em como, mesmo em um canto remoto do mundo como este, as pessoas surfavam de maneiras novas e excitantes.

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O autor do texto e idealizador da viagem, Grant “Twiggy” Bakes, desfrutando sua recompensa por todo o trabalho e risco apreendidos. Foto: Alan Van Gysen. 

A área provou ser tão rica em ondas que montamos acampamento e surfamos por três dias sem ver nenhum outro ser humano. Finalmente acabamos encontrando um grupo de pescadores locais, que ficou chocado por termos chegado perto da água. De acordo com eles, a boca do rio, que ficava a alguns quilômetros dali, tinha grande atividade de tubarões. Eles nos contaram que colocaram suas redes lá alguns meses atrás e tinham pegado 100 tubarões grandes de várias espécies, incluindo vários tubarões cabeça-chata, ou zambezi, como os chamamos, alguns com mais de 5 metros.

Depois do trabalho que tínhamos tido em achar aquela onda, não íamos deixar uma historinha como aquela nos assustar, então tiramos aquilo da cabeça rapidamente e nos instalamos. Logo sentimos nossa percepção de tempo mudando. Nosso acampamento era uma bênção, instalado nos limites da lagoa, com o swell entrando incessantemente pela bancada com formato perfeito de meia-lua. Surfávamos e pescávamos até a hora de dormir todas as noites. A vida era perfeita e aquilo era como eu imaginava que seria estar no paraíso. Então, no dia de surf mais tranquilo e perfeito, bem quando o sol estava prestes a se por e todos gritavam felizes como crianças travessas, uma série enorme surgiu lá atrás. Nosso capitão, Pierre, em um momento de pânico, achou que estava muito no inside e decidiu ligar o motor e ir em direção à ondulação. O barco explodiu sobre a onda com Sisi, o marujo gente boa e fiel, ainda na popa.

De repente nossas vidas foram confiadas ao caos.

O sorriso de Sisi se transformou em um grito desesperado ao voar 10 metros para o alto e cair direto sobre a borda do barco, arrebentando seu fêmur. Depois ele ficou estirado no deck com o joelho perpendicular ao seu quadril. Soubemos imediatamente que aquela era uma situação séria de risco de morte, então, com a ajuda de todos, fizemos uma tala para a perna dele e o estabilizamos da melhor maneira possível.

Quando a noite caiu, amarramos Sisi em um SUP e saímos às cegas em busca de um médico, um hospital ou mesmo uma cabana para passar a noite. Carregando Sisi em nossos ombros, caminhamos pela praia até chegar na boca do rio que batia com a descrição dada pelos pescadores de tubarões. Não havia tempo de olhar o que havia embaixo d’água. Pulamos e nadamos para levar Sisi ao outro lado usando apenas a luz da lua para nos guiar.

Mais ao longe, logo encontramos um pequeno vilarejo onde tentamos explicar a seriedade da situação para um morador local que tinha um carro. Ele concordou em levar Sisi para um hospital, então o colocamos na van e ficamos olhando enquanto ele sorriu, acenou para nós e desapareceu na escuridão.

No típico estilo de Madagascar, ele não reclamou ou chorou nenhuma vez durante sua provação. 

(Continua na página 04)## 

Motim no paraíso

No dia seguinte ainda havia ondas pequenas e divertidas, com clima perfeito. Mas havia um sentimento de perda em nosso acampamento. Todos andavam como se fossem fantasmas, lembrando os eventos da noite anterior e pensando em como estávamos vulneráveis ali, no meio do nada. O papo de irmos embora mais cedo começou a surgir em nossas conversas. Sussurros começaram a surgir no acampamento como pequenos focos de dissidentes.

Senti que estava sendo deixado de lado nos procedimentos, como um participante alienado do Survivor. Todos sabiam que eu não desistiria antes de a viagem estar completa – mas, caso se juntassem, poderiam fazer um motim. Comecei a ficar ansioso.

Então, nos dias seguintes, as boas notícias começaram a chegar. Sisi tinha sobrevivido e chegado até o médico, que ficou impressionado com nossa tala e com a condição do paciente. Alguns dias depois, soubemos que tinha chegado a Antananarivo e que a operação à qual foi submetido tinha sido um sucesso. Finalmente pudemos relaxar novamente e pensar em um trabalho bem-feito, tendo cuidado da situação com o máximo de conhecimento e habilidades que tínhamos.

Infelizmente o swell tinha diminuído e o nosso point era um pouco mais que um fio de água. Decidimos ir novamente para o sul, nos antecipando a um pulso que podia atingir a costa em alguns dias. Arrumamos as coisas do acampamento e passamos o dia descendo pela costa pescando, batendo papo e checando uma bancada atrás da outra. Achamos lugares de tirar o fôlego. 

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Cenas da inóspita e inexplorada costa de Madagascar. Foto: Alan Van Gysen.
 

Agora a água já estava límpida por completo e os recifes estavam bem claros e definidos. Um por um, fomos observando a costa nos revelar incontáveis locais incríveis. Era incrível, e logo percebemos que seria preciso uns 20 barcos cheios de surfistas, todos trabalhando aquela costa durante uns dez anos, antes de conseguirem começar a desvendar todo o potencial daquela zona. Era reconfortante saber que, por agora, aquela área e muitas outras como ela continuariam por aí, esperando por qualquer pessoa que tenha um orçamento pequeno, tempo para gastar e um sonho.

Encontramos outro point perfeito, uma esquerda dessa vez, com um navio naufragado marcando o ponto de entrada. Havia também outra belíssima praia para acamparmos, então ficamos um pouco por lá e pegamos boas ondas até o tempo mudar novamente e nos forçar a retornar para a civilização. 

Parte II 

Estávamos matando o tempo em um quarto quente de hotel em Antananarivo. Greg e eu tínhamos ficado intrigados com a visão de uma sequência de points de fundo de areia a uns 150 quilômetros ao norte e começamos a fazer planos para ir lá e pegar umas direitas tubulares. Tínhamos a tendência de tomar decisões como aquela baseados puramente nos mapas de swell, sem usar a referência das experiências das últimas semanas ou nossos compromissos em nossos países. Mas dessa vez foi diferente. A decisão de voltar ao norte não foi fácil. Estávamos com as energias minadas e detonados pela última excursão. Mas os mapas tinham ditado as regras e não tínhamos opção a não ser trocar nosso barco por um 4×4 velho. A equipe não estava convencida.

Os garotos pularam do barco irritados. Fergal e Laurie já tinham chegado ao limite. Com a família esperando em casa e o cartão de memória cheio de imagens, nosso fotógrafo Alan também decidiu desistir. Então um dos nossos câmeras, Eldon, também desapareceu junto com nosso capitão Pierre. Agora apenas Greg, o cineasta Jason Hearn e eu iríamos ver até onde aquela estrada para o norte podia nos levar.

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Twiggy relaxando sob a chuva. Foto: Alan Van Gysen. 

Nossa primeira parada foi Amtala, que era o aeroporto mais próximo, o que não queria dizer muito. E ainda tínhamos uma longa distância a percorrer para o norte, pois se perde bastante tempo nas estradas por causa da enorme quantidade de vacas, cabras, galinhas, cães, patos, gansos, policiais e pessoas, que parecem morar sempre a alguns centímetros do meio-fio.

Em Amtala, conseguimos um guia e um motorista. Sorte nossa que o senhor Skarf e Emile provaram ser parceiros indispensáveis para aquela viagem. Com apenas 20 anos, o senhor Skarf, estudante, era a única pessoa que falava inglês da região. E Emile guiava como um homem possuído na região off road mais casca-grossa do planeta. Com esse reforço na equipe, a questão agora era simplesmente seguir com paciência subindo a costa para checar todos os points que tínhamos marcado no mapa. Mas logo descobrimos que aquilo seria ainda mais difícil e complicado do que a viagem de barco. 

Mistura de J-Bay e Skeleton Bay 

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Conhecido pela coragem  em picos como Shipstern Bluff, Laurie Towner tem um surf versátil e um repertório completo de manobras progressivas. Foto: Alan Van Gysen. 

Agora vivendo junto com a população comum, cada um de nós sucumbiu a problemas crônicos de desarranjo intestinal. Também tivemos dificuldade pelo fato de não haver mapas da área, pela chuva torrencial e pelas estradas secundárias no meio da floresta densa, o que nos forçou a checar apenas alguns points durante a maior parte da semana.

A cada dia levávamos o 4×4 o mais longe possível, depois pulávamos em uma moto por algumas horas. Essa parte da jornada foi ao estilo aventureiro, com locais carregando a moto para atravessar riachos, trechos de canoa em rios infestados de crocodilos e até um momento que tivemos que deixar a moto para trás e caminhar devagar pelo meio da floresta.

Depois de sessões regulares em locais que poderíamos batizar com a certeza de que nunca tinham sido surfados, finalmente chegamos a Twig Island (o meu ego predominou aqui) e soubemos que tínhamos encontrado algo especial. Primeiro caminhamos devagar por causa do calor, então aceleramos o passo quando as primeiras linhas entraram na baía. Como em um sonho, assistimos enquanto onda atrás de onda explodia no point. Logo estávamos correndo pelo caminho, gritando em êxtase quando a primeira série quebrou tubular a distância. Era um point mágico de mais ou menos 1,5 quilômetro com fundo de areia e pedra, que parecia uma mistura de J-Bay e Skeleton Bay.

Esse é o tipo de momento para o qual eu vivo. É o que me dá o propósito para ir em frente com minha carreira de surfista. Posso dizer sinceramente, sem exagerar, que não existe sensação igual, a não ser quando você rema forte na primeira onda, desce devagar até a base e se posiciona para um tubo que ficará marcado em sua cabeça pelo resto de sua vida.

Mas o swell que pegamos era fraco, de 6 pés com nove segundos de período. E mesmo assim aquele point incrível deu um jeito de transformá-lo em ondas sólidas, longas e ocas de 2 metros. Ficamos pensando em como seria aquele lugar com os swells consistentes de 10 pés e 14 segundos que chegavam àquela costa durante cada temporada de ciclones. Era o que debatíamos animadamente enquanto esperávamos pelas séries. E foi uma pergunta que seguiu sem resposta enquanto comemos no chão de uma cabana de pescador local, e mais tarde adormecemos em suas frias tábuas de madeira.

(Texto publicado na edição 331, de maio de 2013) 

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    Poucas pessoas no mundo sobreviveram a um acidente como esse. Depois de ter o coração perfurado por um peixe-agulha enquanto surfava em Pavones, na Costa Rica, o catarinense Fabiano Duarte da Costa voltou ao Brasil e contou ao Waves como escapou da morte, enfrentou duas paradas cardíacas e por que pretende voltar ao mar. Local de Itajaí (SC), Fabiano tem uma longa relação com o mar. Além de surfar desde garoto, ele pratica natação em águas abertas e toca um clube de canoa havaiana em sua terra natal, chamado Kaikala, onde realiza travessias e participa de competições da modalidade. O catarinense conta que estava no último dia de uma barca inesquecível com 15 amigos, desfrutando das famosas esquerdas de Pavones quando sofreu o acidente que mudou sua vida. O clima era de dever cumprido após dias intensos de surfe. Ele estava tranquilamente sentado na prancha, no outside, apenas esperando a próxima série entrar, quando o impacto brutal e silencioso aconteceu. O bico rígido e afiado do peixe-agulha perfurou seu tórax com a força de um projétil. Para se ter uma ideia da gravidade do acidente, foi como se o surfista catarinense tivesse sido apunhalado no peito. “Poder abraçar o homem que literalmente fez meu coração voltar a bater foi o momento mais indescritível da minha vida” Fabiano Duarte Apesar de não ser agressivo, o peixe-agulha costuma nadar próximo à superfície e pode realizar saltos em alta velocidade, o que explica acidentes raros como esse quando cruza a trajetória de embarcações ou surfistas. Em 2024, a surfista italiana Giulia Manfrini morreu após ser atingida no peito por um peixe da mesma espécie enquanto surfava nas Ilhas Mentawai, na Indonésia. No caso de Fabiano, porém, o desfecho foi diferente graças a uma sucessão de circunstâncias que acabaram salvando sua vida. Ele teve a sorte de ter sido atendido na praia por um médico antes de ser encaminhado ao hospital, onde viria a sofrer uma parada cardíaca e precisaria ser reanimado. Fabiano conta que não se lembra de absolutamente nada do acidente. Sua última lembrança é de um cenário de pura celebração com amigos na água: “A minha memória do trauma em si apagou, o cérebro bloqueou essa parte”, relata. “A última lembrança que carrego daquele momento é a energia incrível da água, o sol baixando e a alegria de estar ali dividindo o pico com meus grandes amigos. De repente, tudo mudou”. Entre a vida e a morte, com o peito perfurado, os primeiros instantes foram cruciais para que essa história não terminasse em tragédia. A gravidade do ferimento exigia ação imediata, e foi a irmandade do surfe que entrou em cena. Seus amigos perceberam o acidente e o retiraram da água, com a ajuda de surfistas locais, em uma corrida contra o tempo. Na areia, o que se viu foi uma sucessão de milagres. Fabiano sofreu uma parada cardíaca que durou longos dois minutos. Foi nesse momento que o destino interveio: um médico alemão, que estava na praia por um acaso absoluto, assumiu os primeiros socorros e conseguiu estabilizá-lo o suficiente para o resgate. “Como eu e minha família processamos essa sorte? É algo que transcende a explicação. Ter um médico ali, de prontidão na areia, foi a pessoa certa no lugar exato. Se não fossem meus amigos me tirando da água e esse médico alemão, eu não estaria aqui para contar a história”, pondera. Mas a luta pela vida estava apenas começando. Devido à extrema gravidade da lesão no coração, Fabiano precisou ser transferido às pressas, de avião, para um hospital em San José, capital da Costa Rica. Lá, ele foi submetido a uma cardiorrafia de emergência, uma cirurgia delicadíssima para suturar o músculo cardíaco cortado pelo acidente. O procedimento foi conduzido pelo cirurgião Dr. Carlos Bolaños, que precisou massagear o coração de Fabiano diretamente com as mãos para mantê-lo batendo após outra parada cardíaca na sala de cirurgia. Fabiano conta que o médico e seus assistentes comemoram como se fosse um gol em uma partida de futebol o momento em que seu coração voltou a bater. O reencontro entre o surfista e o médico, dias depois, foi registrado em vídeo por um canal de TV e emocionou o mundo do surfe. “Se não fossem meus amigos me tirando da água e esse médico alemão, eu não estaria aqui para contar a história” Fabiano Duarte “Acordar no hospital, cheio de tubos, e entender a gravidade de tudo foi um choque imenso”, revela o catarinense. “Mas ver as imagens da minha própria cirurgia, saber que o Dr. Bolaños segurou meu coração nas mãos… Poder abraçar o homem que literalmente fez meu coração voltar a bater foi o momento mais indescritível da minha vida”, ele completa. O retorno ao mar e a nova perspectiva Hoje, de volta ao conforto de sua casa em Itajaí, Fabiano celebra cada amanhecer ao lado da esposa, Priscilla. Como educador físico e surfista de alma, o oceano sempre foi seu refúgio e seu ambiente natural. Um trauma tão raro e severo poderia afastar qualquer um da água, mas para ele, o efeito foi de profunda transformação espiritual. “O mar continua sendo minha casa. Não há mágoa com a natureza, foi uma fatalidade” Fabiano Duarte “Compreendi o valor da vida de uma forma totalmente inédita. O mar continua sendo minha casa. Não há mágoa com a natureza, foi uma fatalidade. Já existe aquela ansiedade gostosa para voltar a remar, sentir a água salgada, mas agora eu volto com uma gratidão imensa. A mensagem que deixo para a comunidade que torceu por mim é simples: celebrem cada dia, cada onda e as pessoas que estão ao seu redor. A vida é um sopro”, finaliza. Pouco tempo antes de tudo acontecer, Fabiano estava apenas sentado na prancha, esperando a próxima série entrar em uma das ondas mais icônicas da Costa Rica. Agora, depois de sobreviver a um acidente quase impossível, espera ansiosamente pela próxima oportunidade de voltar ao mar, desta vez com uma perspectiva completamente diferente sobre a vida.

    Brasileiro conta como sobreviveu após ter o coração perfurado por um peixe-agulha enquanto surfava na Costa Rica.

    Yago Dora é o campeão do Vivo Rio Pro 2026. O brasileiro derrotou o italiano Leonardo Fioravanti em uma final acirrada, impulsionado pela forte presença da torcida que lotou as areias de Itaúna, mesmo debaixo de chuva e frio. Com mar balançado e ondas com cerca de um metro e meio nas séries, Fioravanti, que chegou à decisão já com o status de novo líder do ranking mundial, repetiu a estratégia da semifinal. O italiano impôs um ritmo forte logo no início da disputa, enquanto Yago optou por ser mais paciente e seletivo na escolha de suas ondas. A tática de Fioravanti rendeu frutos iniciais, deixando-o com um somatório provisório de 8.17 (notas 5.67 e 2.50). No entanto, aos 13 minutos de bateria, Yago Dora encontrou a rampa perfeita, executou um lindo aéreo rodando e levantou a praia ao arrancar um excelente 8.50 dos juízes. Minutos depois, já na metade do confronto, o brasileiro voou novamente. Com outro aéreo bem executado, recebeu um 6.50 e fechou seu somatório em imbatíveis 15.00 pontos. Pressionado, Fioravanti passou a precisar de 9.33 para assumir a liderança. A cinco minutos do fim, o italiano arriscou um ótimo aéreo (sem rotação completa) e diminuiu a diferença com um 7.50. Nos instantes finais, ele precisava de um 7.51 para a virada, mas o mar não colaborou e ele não conseguiu surfar mais nenhuma onda, selando a vitória e o título de Yago Dora pelo placar final de 15.00 a 13.37. Com esse resultado, Yago pulou para o segundo lugar na classificação geral do CT, ficando atrás somente de Fioravanti. Italo Ferreira agora cai para a terceira posição, enquanto Gabriel Medina, eliminado na estreia em Saquarema, ocupa o quarto lugar, seguido por Miguel e Samuel Pupo. Na final feminina, a norte-americana Sawyer Lindblad superou o “fenômeno francês” Tya Zebrowski com duas ondas de pontuações ligeiramente superiores (3.90 e 3.77), fechando seu somatório em 7.67 pontos. Lidando com condições difíceis no mar durante a bateria, Zebrowski lutou bastante e surfou um número muito maior de ondas que sua adversária, em uma tentativa incessante de reverter o placar. No entanto, Tya teve que se contentar com uma pontuação total de 6.10 (3.47 e 2.63) em suas duas melhores apresentações. O esforço não foi suficiente para garantir sua primeira vitória no Championship Tour aos 15 anos de idade, feito que teria estabelecido um recorde histórico da categoria. Adotando uma postura mais estratégica, Sawyer Lindblad vibrou muito com a conquista de sua primeira vitória na carreira no CT. Com o resultado, a surfista norte-americana dá um salto importante e assume a terceira colocação no ranking mundial feminino. Semifinais masculinas A primeira bateria a entrar na água foi a semifinal entre João Chianca e Leo Fioravanti. O italiano abriu o confronto em um ritmo forte, surfando quatro ondas em menos de 10 minutos. Nas três primeiras tentativas, garantiu um 7.00 como sua melhor nota. Na sequência, apostou em um aéreo reverse e arrancou um 6.00 dos juízes. Com isso, Fioravanti pôde se dar ao luxo de descartar um 4.00 e um 5.17, enquanto o brasileiro somava apenas 3.00 pontos naquele momento. Chianca tentou reagir restando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da bateria. Depois de aumentar sua nota de descarte para 3.67, o brasileiro pegou uma onda intermediária e executou três rasgadas expressivas para anotar 6.27. Com isso, passou a precisar de um 6.74 para a virada. A poucos minutos do fim, ele arriscou em uma onda com pouco potencial e recebeu apenas um 3.83, pontuação insuficiente para reverter o placar. Com a classificação para a final, Fioravanti garantiu 7.800 pontos e chegou a 33.930 no total, ultrapassando Italo Ferreira (que caiu nas oitavas de final e soma 33.845) e assumindo a liderança do ranking do CT. Vindo de um título inédito em El Salvador, o italiano mostrava grande inspiração na busca pela segunda conquista de sua carreira. O grande obstáculo, no entanto, seria Yago Dora, que chegou à final igualmente embalado após derrotar o australiano Ethan Ewing na outra semifinal com um placar confortável de 14.30 contra 11.67. Isso sem mencionar o forte apoio da torcida brasileira. Quartas de final masculino e semifinais feminino Após uma pausa no domingo, o Vivo Rio Pro retornou à ação na segunda-feira (22) para o seu terceiro dia de competições. Ao longo do dia, a Praia de Itaúna viu definidas as finalistas da categoria feminina e os semifinalistas do masculino, deixando o palco pronto para o aguardado “Finals Day”. A previsão se mostrou muito melhor do que o esperado logo nas primeiras horas. O dia começou com ondas limpas com pouco mais de um metro e meio, permitindo um surfe de alta performance. No entanto, com o passar das horas, o mar perdeu força e as séries ficaram escassas, forçando a organização a paralisar o evento e adiar as baterias decisivas para o próximo chamado. Impulsionado pela energia vibrante da areia, o herói local João Chianca encontrou total sintonia com o oceano. Ele surfou duas excelentes ondas em sequência para colocar a pressão sobre o australiano Morgan Cibilic, que embora tenha surfado a melhor onda da bateria, não foi o suficiente para alcançar o somatório do brasileiro, que garantiu sua primeira semifinal da temporada. O atual campeão do evento, Yago Dora, protagonizou um duelo eletrizante e de notas excelentes contra o compatriota Miguel Pupo. Em uma troca crucial, Pupo arrancou um 8.00 dos juízes, mas Dora respondeu na onda seguinte com um brilhante ataque de frontside que lhe rendeu um 8.50, selando sua classificação para a semifinal. Dora enfrentaria o australiano Ethan Ewing, que virou sua bateria contra Kauli Vaast nos segundos finais, reeditando a grande final do Vivo Rio Pro de 2023. O italiano Leonardo Fioravanti manteve o embalo de sua vitória em El Salvador e frustrou a torcida local ao eliminar Samuel Pupo na primeira bateria do dia. Fioravanti adotou a estratégia de começar forte e manter o ritmo, construindo uma estratégia que Pupo não conseguiu reverter antes do tempo esgotar. Com o melhor

    Etapa brasileira do Championship Tour termina com vitória de Yago Dora. Sawyer Lindblad vence entre as mulheres e Leonardo Fioravanti assume liderança do ranking mundial da WSL, na etapa de Saquarema.

    Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, a Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Clique aqui para assistir ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Saquarema Clique aqui para conhecer a nova fase da Waves Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos na Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feita de surfista para surfista, a Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. O Vivo Rio Pro 2026 abre a janela de competições em Saquarema (RJ) nesta sexta-feira (19). Assista às baterias, compartilhe suas opiniões e participe dos debates ao vivo com outros apaixonados por surfe em nosso fórum abaixo. Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil Ano Campeão Masculino Campeã Feminina 2025 Cole Houshmand (EUA) Molly Picklum (AUS) 2024 Italo Ferreira (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2023 Yago Dora (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2022 Filipe Toledo (BRA) Carissa Moore (HAV) 2019 Filipe Toledo (BRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2018 Filipe Toledo (BRA) Stephanie Gilmore (AUS) 2017 Adriano de Souza (BRA) Tyler Wright (AUS) 2016 John John Florence (HAV) Tyler Wright (AUS) 2015 Filipe Toledo (BRA) Courtney Conlogue (EUA) 2014 Michel Bourez (FRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2013 Jordy Smith (RSA) Tyler Wright (AUS) 2012 John John Florence (HAV) Sally Fitzgibbons (AUS) 2011 Adriano de Souza (BRA) Carissa Moore (HAV) 2010 Jadson André (BRA) — 2009 Kelly Slater (EUA) — 2008 Bede Durbidge (AUS) Sally Fitzgibbons (AUS) 2007 Mick Fanning (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2006 Mick Fanning (AUS) Layne Beachley (AUS) 2005 Damien Hobgood (EUA) — 2004 Taj Burrow (AUS) — 2003 Kelly Slater (EUA) — 2002 Taj Burrow (AUS) Melanie Bartels (HAV) 2001 Trent Munro (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2000 Kalani Robb (EUA) Layne Beachley (AUS) 1999 Taj Burrow (AUS) Andrea Lopes (BRA) 1998 Peterson Rosa (BRA) Pauline Menczer (AUS) 1997 Kelly Slater (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1996 Taylor Knox (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1995 Barton Lynch (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1994 Shane Powell (AUS) Pauline Menczer (AUS) 1993 Dave Macaulay (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1992 Damien Hardman (AUS) Wendy Botha (AUS) 1991 Flavio Padaratz (BRA) — 1990 Fabio Gouveia (BRA) — 1989 Dave Macaulay (AUS) — 1988 Dave Macaulay (AUS) — 1982 Terry Richardson (AUS) — 1981 Cheyne Horan (AUS) — 1980 Joey Buran (EUA) — 1978 Cheyne Horan (AUS) — 1977 Daniel Friedmann (BRA) Margo Oberg (EUA) 1976 Pepê Lopes (BRA) — Vivo Rio Pro 2026 Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 7.00 x Lucas Chianca (BRA) 6.432 Matthew McGillivray (AFS) 11.67 x 5.13 Luke Thompson (AFS)3 Weslley Dantas (BRA) 9.67 x Seth Moniz (HAV) 9.074 Eli Hanneman (HAV) 9.17 x Oscar Berry (AUS) 6.50 Round 2 1 Jack Robinson (AUS) 14.33 x Rio Waida (IND) 12.532 Samuel Pupo (BRA) 11.07 x Alan Cleland (MEX) 8.503 Leonardo Fioravanti (ITA) 12.27 x Weslley Dantas (BRA) 11.604 Liam O’Brien (AUS) 13.93 x Jake Marshall (EUA) 10.835 Morgan Cibilic (AUS) 9.44 x Connor O’Leary (JAP) 9.306 Matthew McGillivray (AFS) 13.53 x Gabriel Medina (BRA) 13.137 João Chianca (BRA) 14.84 x Griffin Colapinto (EUA) 7.178 George Pittar (AUS) 15.00 x Joel Vaughan (AUS) 6.539 Italo Ferreira (BRA) 14.33 x Ramzi Boukhiam (MAR) 10.9710 Kauli Vaast (FRA) 13.73 x Crosby Colapinto (EUA) 11.5011 Ethan Ewing (AUS) 12.66 x Alejo Muniz (BRA) 10.3012 Kanoa Igarashi (JAP) 12.23 x Cole Houshmand (EUA) 11.7713 Yago Dora (BRA) 13.83 x Eli Hanneman (HAV) 12.9014 Marco Mignot (FRA) 12.74 x Barron Mamiya (HAV) 10.4315 Callum Robson (AUS) 14.93 x Filipe Toledo (BRA) 13.0016 Miguel Pupo (BRA) 12.97 x Mateus Herdy (BRA) 10.94 Round 3 1 Samuel Pupo (BRA) 15.84 x 9.94 Jack Robinson (AUS)2 Leonardo Fioravanti (ITA) 16.50 x 13.33 Liam O’Brien (AUS)3 Morgan Cibilic (AUS) 13.40 x 11.50 Matthew McGillivray (AFS)4 João Chianca (BRA) 14.30 x 13.26 George Pittar (AUS)5 Kauli Vaast (FRA) 14.17 x 12.87 Italo Ferreira (BRA)6 Ethan Ewing (AUS) 14.33 x 12.27 Kanoa Igarashi (JAP)7 Yago Dora (BRA) 15.00 x 10.33 Marco Mignot (FRA)8 Miguel Pupo (BRA) 14.03 x 12.17 Callum Robson (AUS) Quartas de Final 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.23 x 12.50 Samuel Pupo (BRA)2 João Chianca (BRA) 13.27 x 12.76 Morgan Cibilic (AUS)3 Ethan Ewing (AUS) 13.07 x 12.84 Kauli Vaast (FRA)4 Yago Dora (BRA) 15.67 x 13.33 Miguel Pupo (BRA) Semifinais 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.00 x 10.10 João Chianca (BRA)2 Yago Dora (BRA) 14.30 x 11.67 Ethan Ewing (AUS) Final Yago Dora (BRA) 15.00 x 13.17 Leonardo Fioravanti (ITA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 14.50 x Vahine Fierro (FRA) 7.002 Erin Brooks (CAN) 11.26 x Anat Lelior (ISR) 9.503 Nadia Erostarbe (ESP) 10.83 x Yolanda Hopkins (POR) 9.104 Isabella Nichols (AUS) 12.50 x Francisca Veselko (POR) 11.705 Tya Zebrowski (FRA) 8.67 x Stephanie Gilmore (AUS) 7.336 Brisa Hennessy (CRC) 12.00 x Alyssa Spencer (EUA) 7.167 Bella Kenworthy (EUA) 10.10 x Bettylou Sakura Johnson (HAV) 8.938 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.00 x Tyler Wright (AUS) 10.46 Round 2 1 Carissa Moore (HAV) 14.50 x Erin Brooks (CAN) 13.302 Tya Zebrowski (FRA) 14.33 x Lakey Peterson (EUA) 11.033 Nadia Erostarbe (ESP) 8.40 x Molly Picklum (AUS) 7.674 Caitlin Simmers (EUA) 15.10 x Bella Kenworthy (EUA) 13.605 Gabriela Bryan (HAV) 17.33 x Sally Fitzgibbons (AUS) 13.266 Caroline Marks (EUA) 14.00 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.007 Luana Silva (BRA) 12.47 x Isabella Nichols (AUS) 12.208 Sawyer Lindblad (EUA) 14.03 x Brisa Hennessy (CRC) 9.67 Quartas de Final 1 Tya Zebrowski (FRA) 12.70 x Carissa Moore (HAV) 7.772 Nadia Erostarbe (ESP) 15.83 x Caitlin Simmers (EUA) 12.233 Caroline Marks (EUA) 13.04 x Gabriela Bryan (HAV) 11.904 Sawyer Lindblad (EUA) 12.86 x Luana Silva (BRA) 12.26 Semifinais 1 Tya

    Atendendo a um dos pedidos mais frequentes da comunidade, a Waves traz de volta os comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial.

    A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul. Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador. Clique aqui para ver a previsão das ondas Clique aqui para participar dos debates No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa. A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, assim como Lucas Chumbo, ambos anunciados como convidados do evento. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível. Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador. Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa. Previsão das ondas Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas. A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul. Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos. Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela. Cenário Feminino Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas. Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase. Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro. Muita história em Saquarema A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas

    Palco da etapa brasileira da elite mundial, Saquarema reúne tradição, ondas icônicas, torcida única e uma premiação inédita, que pode render quase R$ 750 mil aos campeões.

    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.