Coca-Cola Pro

Locais levantam torcida

Leonardo Neves ataca de backside para avançar em Saquarema (RJ. Foto: Aleko Stergiou.

Os locais da praia de Itaúna fizeram a festa nas baterias pendentes da segunda fase do Coca-Cola Saquarema Surf Pro, etapa de nível 6 estrelas do WQS.

 

Em ótimas ondas de até 1,5 metros, Leonardo Neves, Pedro Henrique e Raoni Monteiro não deram mole aos adversários e seguiram na briga pelo título da etapa.

 

Pedrinho foi o primeiro a entrar em ação e abriu as disputas nesta quinta-feira com um tubo sensacional que rendeu 9.83 pontos, maior nota até o momento.

 

O carioca residente em Saquarema ditou o ritmo no duelo contra o também carioca Marcelo Trekinho, que também apostou nos tubos para somar 8.33 e 5.33.

 

Pedro Henrique descola 9.83 pontos, maior nota da competição até o momento. Foto: Aleko Stergiou.

Em terceiro ficou o norte-americano Patrick Gudauskas, autor de 6.50 na melhor onda, seguido pelo baiano Bernardo Lopes.

 

“A torcida, a família, está todo mundo aí vendo eu correr o campeonato, mas bateria é bateria, tem de achar as ondas na água. Graças a Deus peguei uma onda muito boa, eu já estava visando porque no free surf eu tinha achado uns tubos ali mesmo. Dei sorte, a onda veio e consegui fazer o tubo. O mérito foi da onda, ela foi perfeita e eu só deixei a prancha andar”, afirma Pedrinho.

“Achei que a nota seria 10. Quando saí do tubo, imaginei ‘vai ser 10’. O tubo foi muito deep, fiquei de pé, a onda era boa, perfeita, não espumou… Era 10, né?”, brinca o carioca.

 

“Estou no foco desde o começo do ano, treinando, me dedicando. Não estou correndo o WQS, mas o próprio circuito brasileiro está mostrando que estou no rip ainda. Estou aí disputando o título, fiz

alguns resultados já. Infelizmente não estou podendo correr o WQS, então fica difícil”, lamenta o surfista.

 

A falta de patrocínio também foi comentada pelo atleta. Desde o início ele está sem condições financeiras de tentar o retorno à divisão de elite do surf mundial.

 

“Estou nessa briga para conseguir um patrocinador forte ou até mesmo um co-patrocinador que ajude a custear o circuito. Espero conseguir um bom resultado aqui para acordar os patrocinadores, pra alguém ver e dizer ‘Poxa, vamos patrocinar aquele cara porque ele está no caminho certo'”, diz um sorridente Pedro Henrique.

 

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Raoni Monteiro compete contundido e também avança. Foto: Aleko Stergiou.

Também sem patrocinador principal, Raoni Monteiro e Leonardo Neves fizeram bonito nas ótimas ondas de Itaúna.

 

Contundido com uma torção no tornozelo, Raoni abriu mão do repouso para competir no quintal de casa e somou 5.00 e 5.93 na vitória sobre o campeão brasileiro e estadual Gustavo Fernandes, o norte-americano Cory Lopez e o australiano Blake Thornton.

 

“Está me incomodando um pouco, mas na hora nem senti muita coisa por causa da adrenalina de pegar onda e de tentar fazer o certo no mar. O tornozelo ainda está meio mau, mas estou me tratando, inclusive fui ao médico que tratou do meu joelho, Doutor Eduard. Tomei uma injeção anti-inflamatória, estou tratando com gelo e indo bem devagar. Não posso surfar 100%, mas deu pra passar a bateria”, diz Raoni.

 

Catarinense Willian Cardoso rasga com muita força para seguir na briga. Foto: Aleko Stergiou.

A contusão foi sofrida durante uma etapa do WQS na África do Sul. “Logo no dia em que cheguei, fui surfar com uma prancha emprestada por Jerônimo Vargas. Fui dar um aéreo na última onda da sessão e me arrebentei todo. Fiquei lá tentando me tratar pra correr o 6 estrelas que ia rolar, mas não deu”, continua o atleta.

 

Além de enfrentar a contusão, Raoni encara a falta de um patrocinador principal para viabilizar sua ida ao circuito mundial.

 

“É um momento da minha vida que nunca havia passado. Nunca havia ficado sem patrocínio e enfrentado dificuldades para correr o circuito mundial. Não consigo ficar sem competir, estou fazendo de tudo para poder competir, juntando dinheiro de todos os lados para poder pagar minhas passagens. O pessoal da Reef está me dando uma força animal, pagou minhas passagens para correr os últimos eventos”, diz Raoni.

 

“Estou aí, passando por cima de contusão, por cima de todas as dificuldades, mas não posso parar de competir. É a minha vida, o meu trabalho, amo surfar e agora vou tentar melhorar para correr a próxima bateria”, conclui o atleta.

 

Já Leo Neves somou 6.67 e 7.60 para derrotar o gaúcho Rodrigo Dornelles, o norte-americano Shaun Burrell e o jovem baiano Marco Fernandez.

 

“A galera que treina aqui tem uma facilidade quando o mar está bom, mas, quando está ruim, fica igual para todos. Faz uma diferença conhecer bem a onda e vamos aproveitar porque tem altas ondas e acho que vai ficar melhor ainda no fim de semana”, diz Leo.

 

“Acho que ninguém tem dúvidas disso. Pedrinho foi campeão mundial pro junior, Raoni é um atleta que nos representou na elite durante vários anos e eu saí no ano passado, então acho que não há dúvidas de que temos potencial para retornar ao World Tour”, acredita o atleta.

 

“Os três têm nível de WCT, está faltando apoio para corrermos o circuito mundial com a cabeça tranquila, pensando apenas em fazer os resultados”, diz Leo.

 

“Este e todos os WQS que estão sendo feitos no Brasil vão nos ajudar muito a conseguir patrocínios e também a classificação ao circuito. Todos os atletas que estavam no World Tour havia alguns anos estão fora do circuito brasileiro, então precisamos de campeonatos como este”, finaliza o atleta.

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