Durante o feriado da Páscoa, no último mês de março, um swell grande e com período alto atingiu a região Sudeste do país com força suficiente para fazer quebrar uma onda poucas vezes surfada em plena praia de Camburi, litoral norte de São Paulo, também conhecida pelo crowd intenso que sempre marca presença no pico, principalmente nos feriados e fins de semana.
Na quinta-feira (24), auge do swell, um seleto grupo de surfistas locais desbravou uma laje conhecida como Sorriso, que, segundo os próprios, foi surfada poucas vezes desde que se tem conhecimento de sua existência – sem nenhum registro em foto ou vídeo até então.
“A onda já havia sido surfada por uma galera das antigas que sempre comentava sobre o feito, mas não tínhamos nada registrado até o momento que pudesse mostrar como era o tal do Sorriso. Em todas as vezes falavam também de ‘Teahupinho’, que fica logo ao lado, em cima da pedra, e solta suas baforadas…”, comenta Fernando Peixe, morador de Camburi e um dos mais empolgados com a session. A laje do Sorriso fica no outside do costão da praia de Camburizinho, a cerca de 200 metros da faixa de areia.
“Naquela manhã a previsão indicava que o mar iria subir, apesar do calor e do sol que já reinavam fazia alguns dias, e ninguém estava botando muita fé no que estava para acontecer. Algumas previsões indicavam período de 17 segundos, não tão comum na região, e o swell vinha marchando lá de baixo do continente. Quando chegamos na praia as ondas estavam maiores que o esperado e o swell parecia estar canalizado na baía, chegando a cobrir o ilhote com algumas séries vindo lá de fora. O oceano estava em movimento máximo, as ondas quebrando sem parar, Uelinton Simões já ligando e mensagens sendo trocadas sem parar, todo mundo queria remar logo pro outside. Em 30 minutos descemos a trilha e cada vez ia chegando mais gente, Leo da Barra na fissura com Fabio Zampieri e Guilherme Bertuzo chamando toda a galera. Pulamos das pedras e na remada já deu pra ver que tinha onda de verdade. Pedro Dib e Renan Pulga percebiam que a brincadeira estava ficando séria”, conta Peixe.
Chegando no outside, as ondas tinham 10 pés de altura e potência oceânica, segundo os relatos. O pico de Teahupinho, bem colado nas pedras do lado esquerdo do costão, cuspia suas baforadas intimidadoras, mas ninguém se arriscou por lá dessa vez. Já no Sorriso, que fica logo ao lado, a galera se atirou.
“Foram drops lá de cima, vacas tenebrosas, ondas na cabeça e pranchas quebradas, a sessão pegou mesmo. Nas fotos dá pra perceber a vibe do lugar e como ainda pode ser explorado em todas as grandes ondulações”, conclui Peixe, que junto com outros locais está organizando um campeonato para rolar na próxima ondulação que atingir a região.
Vale a pena ficar ligado nas previsões e se programar para acompanhar o espetáculo no dia que rolar sinal verde para o “Sorriso Big surf”, pois é garantia de muita ação, emoção e diversão no evento que poderá marcar um novo pico no mapa do surf de ondas grandes no Brasil. Se ainda não está convencido, confira as fotos da session e contenha o sorriso, se puder.






