Hang Loose Pro

Lelot de olho nas pranchas

Mick Fanning durante treino com uma DHD. Foto: Aleko Stergiou.

Joel Parkinson, Mick Fanning, Jordy Smith, Chris Davidson… a grande maioria dos competidores, com raras exceções, continua preferindo quilhas fixas em suas pranchas, mesmo apesar da desvantagem na hora de viajar.

 

Maior fluidez na passagem do fluxo d´água pela base das quilhas, maior velocidade ?down the line?, impulsão nas cavadas e na volta das manobras são alguns dos argumentos apresentados pelos atletas.

 

Baseadas nas tendências dos critérios de competição, as pranchas utilizadas no World Tour não mudaram praticamente nada de um ano para cá. Apenas as bordas afinaram levemente. Continua a vigorar o fundo full concave e o equilíbrio do conjunto, variando o volume especialmente em função do tipo físico de cada atleta, como sempre.

 

Chris Davidson prefere pranchas bem pequenas. Foto: Aleko Stergiou.

Jordy Smith adaptou-se bem às ondas da praia da Vila, fazendo uma das melhores médias do primeiro round com uma 6´1 modelo The Flyer com rabeta round squash, shapeada por Al Merrick, medindo 19 ½ de largura no outline, por 2 ½ de espessura na longarina, com bordas bem mais espessas do que as utilizadas pelos demais competidores e bem acima da média até mesmo com relação ao seu peso (90 k), com certeza por se tratar de uma prancha feita especialmente para ondas com mais área. E as quilhas com mais área na base e pontas mais estreitas, que segundo ele, garantem maior velocidade e manobrabilidade.

 

A prancha utilizada por Mick Fanning para vencer a bateria foi uma DHD 6´1/2, rabeta round squash, feita para ondas até 2 metros, medindo 18 ¼ de largura por 2 3/16 de espessura na longarina, bem adequada para o seu peso (75 k).

 

 

Kelly Slater cai de triquilha na primeira fase do Hang Loose e se dá mal. Depois avança de quadriquilha. Foto: Aleko Stergiou.

As quilhas possuem curvatura um pouco mais acentuada, segundo ele para garantir arcos mais longos e aumentar a expressão de suas manobras, o que me parece bastante coerente, especialmente no caso de Mick, legítimo representante do power surfing.

 

Joel Parkinson me pareceu realmente bem mais focado do que nos anos anteriores, possivelmente sendo esta a razão pela sua incrível performance nesta temporada. Mais magro, de bem com a vida, ele trouxe apenas três pranchas.  A preferida era uma JS 6´2 medindo 18 ¾ por 2 7/16 , feita para ondas do dia-a-dia até 2 metros, com a qual venceu a bateria no primeiro round.

 

Slater competiu com uma 6´0 quadriquilha feita por ele mesmo, que pretende se tornar shaper. A prancha tinha oito jogos de copinhos de encaixe (para as quilhas), distribuídos pela rabeta, para que ele possa variar as posições de acordo com as condições do mar.

 

Ainda em fase de testes, parece que ele está se entendendo bem com o seu novo brinquedo: o ?aéreo rodando sem as mãos? que ele completou na finalização de sua melhor onda foi de alto grau de dificuldade e realmente mereceu high score por parte dos juízes. Puro talento ou também boa mão para o shape? Tudo leva a crer que os dois, afinal ele sempre foi um dos atletas mais interessados em conhecer mais a respeito do equipamento.

 

Chris Davidson fez uma das melhores médias do primeiro round com uma Warner 5´11, rabeta mini swallow, medindo 17 7/8 por 2 polegadas de espessura na longarina, adequada para o seu peso (65 k). Treinando nas ondas desta última quarta-feira (day off) aqui na frente do hotel, ele quebrou sua prancha mágica ao meio na tentativa de um ?flip air?…

 

Como ele me viu entregar as pranchas equipadas com o turbo channel (meu novo lançamento) para Joel, Mick e Jordy, e como ele está no quarto bem ao lado do meu, perguntou se seria possível eu preparar para ele uma prancha para o dia seguinte. Fiquei realmente chateado por não poder atendê-lo…

 

Também não deixei de conferir as pranchas de Adriano Mineirinho. Na minha humilde opinião ele é o atleta que acabará se tornando o melhor surfista brasileiro de todos os tempos e primeiro brasileiro candidato real ao título mundial do WCT neste e nos próximos anos.

 

Ele está surfando com pranchas do shaper australiano Darren Handley (DHD) já há algum tempo. A sua prancha preferida é uma 5´11 rabeta thumb tail, feita para ondas de até 2 metros, medindo 17 7/8 por 2 1/8, também adequadas ao seu peso (65 k).

 

Epoxy Nenhuma das pranchas que eu vi em ação no World Tour eram feitas de EPS-Epoxy, de maneira que continua a prevalecer o monopólio da era PU-Poliester, pelo menos nas competições.

 

Mas meu amigo Paulo Mendonça, shaper brasileiro residente no Hawaii, me confidenciou dias atrás, a respeito de um boato que corre nas ilhas, de que as pranchas do Slater há muito tempo têm sido feitas em PU-Epoxy, conceito que coincidentemente lancei no mercado brasileiro já há alguns anos com o nome de Combo, e que tem sido meu carro-chefe desde então.

 

Sinceramente acredito, pois recordo de Al Merrick ter afirmado anos atrás, de ter utilizado essa combinação nas pranchas do maior surfista de todos os tempos, em uma entrevista para a Surfing Magazine.

 

Espero que esta matéria seja útil não somente para aqueles que desejam entender mais sobre o mundo das pranchas, mas também para os shapers de todo o Brasil que, em vez de se preocupar com a concorrência, buscam desenvolver um trabalho cada vez melhor junto a seus clientes e atletas, os quais convido também para que estejamos juntos aqui no mundial durante o ano que vem, compartilhando pessoalmente todas essas informações tão importantes para o nosso trabalho.

 

 

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