#Às vésperas da espera por condições perfeitas para a Town in World Cup, os organizadores receberam a confirmação da participação de Kelly Slater. O hexacampeão mundial fará dupla com o também norte-americano Jeff Clark em busca do maior prêmio já pago por um título na histórias do surfe: US$ 70 mil para o primeiro lugar (no total serão US$ 117,5 mil).
Idealizada por Rosaldo Cavalcanti e patrocinada por brasileiros (Estúdios Mega), a Town in World Cup será realizada quando as ondas atingirem 20 metros, entre 17 de novembro e 12 de janeiro de 2002, e contará com a participação de três surfistas brazucas: a dupla Carlos Burle e Eraldo Gueiros, além de Rodrigo Resende, que terá a companhia do havaiano Garret Macnamara.
Slater, que recentemente anunciou sua volta ao Circuito Mundial após dois anos afastado, é sem sombra de dúvidas o maior surfista de ondas pequenas e médias da história do surfe. Agora, o mito americano quer provar que não deve nada a ninguém em ondas gigantes como as de Jaws.
Porém, ele terá concorrentes de peso, como Mike Parsons, o homem que detém o recorde mundial por ter surfado uma onda de 22 metros; Peter Mel, “rei” de Mavericks; Darryl “Flea” Virostko, bicampeão do Men Who Ride Moutains, disputado em Mavericks; e Ross Clark Jones, vencedor do último Eddie Aikau, campeonato que só é realizado em Waimea quando as ondas passam de 7 metros.
O elenco e as ondas são perfeitas para um evento épico. E foi pensando nisso que o Estúdios Mega, o mais conceituado estúdio de pós-produção e finalização cinematográfica do Brasil, resolveu patrocinar a competição, com o objetivo de fazer o filme mais impressionante da história do surfe.
Foram contratados os melhores câmera-man do mundo (Jack McKoy, Don King e Larry Haygnes) que terão à disposição equipamentos para filmar em 35 e 16 milímetros, com a ajuda de jet skis e helicópteros.
O documentário vai mostrar não só o torneio mas também um pouco do que está por trás, quem são estes surfistas e tentar explicar o que leva os homens a enfrentar ondas de mais de 20 metros sobre pranchas que chegam a 70 km/h podendo ser esmagado por uma massa de toneladas de água.
Com ondas deste tamanho, o perigo é constante mesmo sem a disputa por milhares de dólares, o que pode fazer os surfistas extrapolarem os limites. Para oferecer o máximo de segurança aos competidores, os organizadores contrataram Brian Kealuana para cuidar desta parte. Integrante de uma tradicional família de salva-vidas de Makaha, Kealuana também participa de filmes de como dublê em cenas de perigo.
Para conseguir as melhores imagens, as exigências para o campeonato acontecer não se limitam a ondas de cerca de 20 metros e perfeitas. Será necessário também que o tempo esteja bonito, com sol e céu azul, o que torna a empreitada do Estúdios Mega ainda mais ousada.
“Entramos neste projeto por acreditar que ele tem um grande apelo comercial mundial, além de a maioria dos sócios do Mega ter sido surfista quando jovem”, explica Philippe Neiva, sócio-diretor do Estúdios Mega.
A competição terá o mesmo formato do Eddie Aikau, não havendo eliminação. Num único dia, cada grupo de três duplas estará disputando duas baterias. Divididos em grupos de três duplas, os participantes farão duas baterias de meia hora e as três melhores ondas de cada parceria serão consideradas para o resultado final.
Apesar do tamanho das ondas, os praticantes de tow in afirmam que, de certa maneira, acaba sendo menos perigoso surfar ondas de 15, 20 metros em Jaws do que algumas menores. Com a ajuda do jet ski, o surfista escolhe o ponto mais seguro para começar a surfar.
Foi assim, por exemplo, que Guga Kuerten conseguiu pegar ondas de mais de 3 metros ano passado, no Hawaii. O tenista número 1 do mundo até dá suas batidinhas em Florianópolis, mas sem a ajuda do jet ski ele jamais conseguiria surfar ondas tão grandes com segurança e desenvoltura.
“Será uma competição histórica, que vai revolucionar os conceitos de surfe em ondas grandes”, diz Rosaldo Cavalcanti.
O mais experiente dos brazucas em tow-in é Carlos Burle, que pratica a modalidade desde 95. Burle acredita que os brasileiros têm ganhado espaço merecido no surfe de onda grande, pois há vários anos estão nesse tipo de esporte.
“Antes éramos discriminados por uma panela local, mas hoje em dia eles têm que reconhecer que o pessoal do Brasil sabe praticar o tow-in”, afirma Burle.
Sobre o esporte ser perigoso, Burle acha normal lidar com o perigo e diz que a senha para se dar bem com adrenalina é passar várias vezes pela mesma situação.
“Assim você terá a reação certa naquele curto espaço de tempo” explica Burle, que espera ficar entre as cinco melhores duplas.
Parceiro de Burle, Eraldo pratica tow-in há cerca de cinco anos e tem uma vasta experiência em ondas grandes no Hawaii e é o único entre os três que já surfou em Jaws. O brasileiro é um entusiasta da nova modalidade.
“O tow-in é muito gostoso. Uma comparação: em um dia grande em Pipeline um surfista pega duas boas ondas. No tow-in, ele consegue surfar de cinco a dez ondas”, diz Eraldo.
Para Rodrigo Rezende o desafio é maior, pois ele fez tow-in pela primeira vez em março, mas acredita que sua experiência de onda grande será suficiente em Jaws.
“Estamos conquistando espaços em ondas grandes que antes antes eram dominados apenas por australianos, havaianos e californianos”, explica.
Veja as duplas
Peter Mel, considerado o rei de Mavericks, e Skin Dog, parceiro de Mel nas ondas assassinas de Mavericks, ambos da Califórnia.
Darryl “Flea” Virostko, bicampeão do Men Who Ride Mountains, disputado em Mavericks, e Shun Barron, ambos da Califórnia.
Mike Parsons, homem que pegou a maior onda já surfada de todos os tempos: 66 pés – 22 metros – em Cortez Bank, pico que quebra a cerca de 100 quilômetros da costa da Califórnia, e Brad Gerlach, ambos da Califórnia.
Ross-Clark Jones, atual campeão do Eddie Aikau, e Tony Ray, ambos da Austrália.
Brian Kealuana e Brock Little, do Hawaii.
Derrick Doerner e Makua Rothman, do Hawaii.
Carlos Burle, campeão mundial de ondas grandes, em Todos os Santos, México, e Eraldo Gueiros, ambos do Brasil.
Rodrigo Resende, tricampeão do prêmio Big Trip, dado ao brasileiro que surfa a maior onda do ano, e Garret McNamara, do Hawaii.
Havaianos Noah Johnson, campeão do penúltimo Eddie Aikau, e Shane Dorian, Top do WCT.
Havaianos Ken Bradshaw e Dan Moore.
Havaianos Luke Hargreaves e Sierra Emory.
Taitianos Vetea David e Arsene Harehoe.
Havaianos Titus Kinimaka e Terry Chung.
Havaianos Archie Kalepa e Victor Lopez.
Norte-americanos Kelly Slater e Jeff Clark.