O guarujaense Jessé Mendes acaba de vencer o Billabong Pro Cascais, QS 10.000 da World Surf League (WSL) finalizado neste sábado, na praia do Guincho, em Cascais, Portugal.
Na final, Jessé derrotou o francês Jeremy Flores por 15.54 a 14.00 pontos.
Os brasileiros Ian Gouveia e Bino Lopes também fizeram bonito e chegaram às semifinais, terminando em terceiro lugar.
O último dia do Billabong Pro Cascais começou com as quartas de final. No primeiro duelo do dia, Jessé Mendes bateu o francês Joan Duru por 15.07 a 14.80 pontos. O brasileiro estava perdendo a batalha e conseguiu a virada com um aéreo rodando de frontside na última onda, avaliada em 8.40 pelos juízes.
Em seguida, Bino Lopes totalizou 13.33 pontos para derrotar o australiano Ryan Callinan, autor de 12.03.
Na terceira disputa, Ian Gouveia e Tanner Gudauskas travaram um duelo sensacional. O pernambucano garantiu a vitória na última onda, com uma nota 9.50, atingindo o somatório de 17.30 pontos, contra 16.67 de Tanner.
Fechando as quartas, Jeremy Flores levou a melhor no duelo com Jack Freestone, superado por 15.36 a 14.50.
As semifinais começaram pegando fogo. Em um confronto muito acirrado, Jessé Mendes somou 7.33 e 7.83 para vencer Bino Lopes, que obteve 7.13 e 7.23.
Na sequência, Ian Gouveia deu muito trabalho a Jeremy Flores e chegou a mandar um kerrupt flip para arrancar uma nota 9.67, a maior da bateria, mas o francês tinha notas 9.00 e 8.13 no somatório, enquanto Ian até então tinha 5.77 na melhor onda.
Assim como as outras baterias, a decisão foi muito acirrada e Jeremy Flores começou melhor, mas Jessé assumiu a ponta com 5.93 e 8.67, aumentando ainda mais a vantagem na última onda com 6.87.
Ao sair da água, a festa brasileira tomou conta das areias de Cascais e o campeão foi às lágrimas. “Tenho trabalhado muito duro, tem sido um ano muito difícil”, desabafou Jessé. “Queria agradecer a todos que torcem por mim, à minha família, à minha equipe – psicóloga, treinador, preparadores físicos… sem eles eu não estaria aqui, e sem Deus ainda mais”, continuou o campeão, que voltou a se emocionar no pódio. “Estou de volta!”, gritou Jessé, que estava em 44o lugar no ranking antes da vitória e agora pula para décimo.
Jessé falou também sobre a decisão em Cascais. “Eu estava completamente perdido lá fora e Jeremy já tinha duas boas notas, mas tudo veio junto e eu peguei aquelas duas ondas para vencer, nem sei o que estou sentindo agora”, revelou o guarujaense. “Tive muitos resultados apertados neste evento, tivemos muita emoção hoje, o campeonato foi insano, definitivamente o melhor da minha vida”, continuou.
O campeão falou também sobre a força do surfe brasileiro, que teve três atletas entre os quatro melhores colocados em Portugal. “Nós temos uma conta no Instagram chamada @brazilian_qs que mostra o que rola nos eventos e toda a nossa galera. É assim que nós somos, ficamos juntos, lutamos juntos e ajudamos uns aos outros porque todos nós viemos do mesmo lugar, não tivemos nenhum suporte quando começamos. É por isso que somos tão fortes agora e nos tornamos uma grande potência do surfe”, finalizou Jessé.
Vice-campeão da etapa, Jeremy Flores falou sobre a sua campanha na prova. “Este evento é provavelmente um dos mais difíceis, senão o mais difícil do QS todo ano. Nós temos de surfar em todas as condições possíveis e contra surfistas talentosos”, falou Jeremy. “Estou amarradão por passar algumas baterias e mostrar um bom surfe. Tenho um grande apoio de várias pessoas e estou feliz por retribuir com uma boa performance. Certamente me traz uma grande confiança, mas na próxima semana, em casa, as coisas serão completamente diferentes. É outro campo de batalha, com diferentes condições e outro nível de surfe também”.
Finalizando uma brilhante temporada europeia, Ian Gouveia comentou o terceiro lugar. “Não posso descrever este momento agora. Nunca tive nenhum bom resultado na perna europeia antes, e agora fiz duas finais (Pantin e Açores), um quinto em Marrocos e um terceiro em um QS 10.000”, comemorou Ian. “Vamos ver o que resto do ano trará, mas a minha cabeça está no CT e darei o meu melhor lá. Eu virei pai recentemente e cresci, talvez as coisas ficaram mais sérias. Tenho trabalhado duro, antes eu nunca conseguia surfar numa bateria como no freesurf, e agora estou acertando os meus aéreos e algumas manobras mais fortes, parece que as coisas estão a meu favor”, declarou o pernambucano.
Diferente de Ian, o baiano Bino Lopes prefere não pensar no futuro. “É um grande resultado, muito importante para eu alcançar o meu objetivo de me classificar”, diz Bino. “Quero parabenizar a Jessé, ele fez uma bateria incrível e teve uma boa estratégia. Eu cometi uns dois erros, mas continuo sentindo que eu melhorei de novo. Sinto que estou evoluindo a cada bateria e a cada evento. Estou mais consistente, então fico muito feliz. Eu não gosto de viver o futuro, estou muito feliz agora na minha vida e me divertindo bastante competindo, então quero manter o foco no presente e curtir cada momento disso”, finaliza o baiano.
Confira mais detalhes em nossas próximas atualizações.
Ranking atualizado do Qualifying Series 2016
1 Leonardo Fioravanti (ITA 20.750
2 Connor O’Leary (AUS) 19.775
3 Joan Duru ((FRA) 18.900
4 Ian Gouveia (BRA) 17.760
5 Bino Lopes (BRA) 17.550
6 Jeremy Flores (FRA) 17.150
7 Ethan Ewing (AUS) 16.500
8 Kanoa Igarashi (EUA) 16.400
9 Ryan Callinan (AUS) 15.950
10 Jessé Mendes (BRA) 14.860
Veja o kerrupt flip de Ian Gouveia na semifinal:
Veja como foi a trajetória de Jessé:














































