No início deste ano um grupo de remadoras brasileiras criou um movimento para chamar a atenção de atletas, organizadores, entidades ligadas ao stand up paddle nacional para pedir igualdade nas premiações de homens e mulheres.
O SupClub, no papel de principal porta voz do stand up paddle brasileiro, rapidamente deu amplo espaço para que o assunto fosse debatido com objetividade (e bem longe da histeria das redes sociais) produzindo uma série de artigos e um Hangout da Remada com duas das líderes do movimento: Babi Brazil e Lena Guimarães.
Pouco tempo depois, na primeira etapa do Brasileiro, em Florianópolis, o assunto foi debatido com a CBSUP e através de votação, houve uma equiparação proporcional na premiação de homens e mulheres. Um resultado que, mesmo não sendo uma equiparação plena, foi considerado um avanço tendo em vista o cenário das competições no Brasil (assista ao Hangout para saber mais sobre o assunto).
Mas, se no Brasil as coisas estão evoluindo de forma positiva, lá fora, ao que parece, o cenário não é tão colorido como se imagina.
#IPADDLEFOREQUALITY
Na última sexta-feira (21) os fãs de water sports acompanharam atentos ao Red Bull Heavy Water, competição de SUP race extremo realizada na Califórnia em meio a condições realmente desafiadoras de ondas e correntes.
Somente atletas convidados puderam participar da competição que ofereceu US$ 50 Mil de premiação, sendo US$ 20 Mil para o primeiro colocado (a maior premiação individual da atualidade).
A prova, como era de se esperar, foi épica, no entanto, foi também alvo de protestos encabeçados por ícones SUP race mundial como Annabel Anderson, Sonni Hönscheid, Candice Appleby, entre outras remadoras, pelo fato de só ter convidado atletas homens para participarem do desafio.
Enquanto a prova era transmitida ao vivo pelas redes sociais, várias remadoras fizeram posts usando a hastag “#ipaddleforequality” para protestar contra o fato.
Em seu perfil no Instagram, Annabel Anderson escreveu:
“Os meninos conseguem competir por US$ 50.000 esta semana. As meninas não foram convidadas. As perguntas reais são: em 2017 nós estamos ok com isso??? E esse é o exemplo que queremos definir para as nossas irmãs e filhas??”, sentenciou.
Após a onda de protestos, a Red Bull e da APP (Associated of Paddlesurf Professionals) emitiram a seguinte nota conjunta:
“Os patrocinadores e os organizadores da Red Bull Heavy Water entraram em contato com representantes de movimentos de atletas femininos, como o Paddlers ‘Collective, no início de setembro, quando o evento foi anunciado, mas nenhum representante do Paddlers’ Collective deu continuidade no assunto. A Red Bull e a APP espera que a participação feminina na Red Bull Heavy Water seja uma realidade em 2018 e nos próximos anos”.
ENQUANTO ISSO, NO BRASIL
Ironicamente, no mesmo final de semana em que se sucedeu o ocorrido, dois eventos de grande porte exclusivamente para mulheres aconteceram no Brasil: Aloha Spirit “Elas” e Neutrox Weekend, este último oferecendo premiação em dinheiro.
Não que os remadores devam tomar esses dois campeonatos como exemplo para protestarem por “igualdade”. Óbvio que não é o caso.
No entanto, esses episódios ocorridos simultaneamente nos EUA e no Brasil são mais um exemplo de que a evolução do stand up paddle brasileiro, mesmo com todas as imperfeições, segue como uma das mais avançadas em todo mundo.
A noção dessa realidade é muito importante para que o esporte siga desenvolvendo-se por aqui de forma sustentável e com bom senso. E, claro, sem jamais esquercermos da máxima de que “‘Nós’ é mais importante que ‘eu’.”
Vale a reflexão.