Na última sexta feira, 5 de setembro, foi um dia muito especial para os aficcionados em ondas grandes e tubulares em Maresias. O período indicava uma grande ondulação chegando ao litoral de São Paulo. A segundagem do período era muito boa e o tamanho das ondas dava uma idéia do que estava por vir.
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Deu para perceber que as ondas estariam entrando depois das 10 horas da manhã, pois antes o gráfico indicava ondas de meio metro a 1 metro. Mas, depois do meio-dia a coisa começava a triplicar de tamanho e também aumentava consideralvemente o peróodo de segundagem na bóia.
E foi exatamente isso que ocorreu. Porém, o fato marcante da última sexta-feira não foi o fato de as ondas terem sido espetaculares, mas a harmonia entre surfistas e tow surfers no compatilhamento das morras.
O próprio mar se encarregou de mostrar pra quem estava surfando na remada até onde era possível ficar no outside na remada e em que momento os jet skis entrariam no game. Tudo aconteceu numa sintonia
como eu pessoamente nunca havia presenciado.
Acompanho a evolução do tow in desde 1999, quando estive no Hawaii e tive o prazer de sair junto com o Garrett Macnamara, Romeu Bruno, Marco Merhej, Charles Walker, James Thrsted, Patrick Mcfeeley, Ace Cool, Sylvio Mancusi, Edson de Paula, entre outros.
Desde aquela época já dava para sentir que o tow in seria um esporte que não agradaria gregos e romanos. Por ser um esporte que necessita da ajuda do jet ski, a comunidade surfística mundial não aceitaria facilmente essa nova modalidade.
Porém, os anos se passaram, novas ondas gigantes foram surfadas com a ajuda do jet ski, ondas que até alguns anos seriam impossíveis de serem surfadas na remada. Cortez Banks é um grande exemplo do que a ajuda da máquina influenciou na evolução do surf puxado.
Por mais que existam muitos surfistas contra a prática do tow in, vale lembrar que quase todos os surfistas de tow in eram e continuam sendo grandes surfistas na remada. Posso dar bons exemplos disso: Carlos Burle, Danilo Couto, Rodrigo Resende, Alemão de Maresias, Haroldo Ambrósio, Eraldo Gueiros, entre muitos, são e continuam sendo grandes surfistas na remada, porém se adaptam desde que as condições passam a necessitar do auxilio de um jet ski, de acordo com a onda, arrebentação e o power da onda.
Não poderia deixar de citar o Pipo (Luis felipe Gontier). Ele foi certamente um dos principais incentivadores e patrocinadores do Power Surf Team, a primeira equipe brasileira de tow in, que na época contava com os
melhores big riders brasileiros.
No início dos anos 2000, quem frequentava Maresias percebeu que era espantoso ver como o crowd aumentava vertiginosamente a cada final de semana. E o crowd já não era só de surfistas experientes e fissurados. Todos os tipos de surfistas estavam começando a aparecer em nosso litoral. Esse fator influenciou muito para que os mais experientes e big riders buscassem uma saída pra fugir um pouco dessa realidade que é o crowld hoje em dia. Além disso, pela experiência de alguns big riders, havia a possibilidade de surfarem ondas cada vez maiores e de ter a possibilidade de, numa session, botarem pra baixo em mais de 20 ondas, enquanto que na remada seria possível surfar no máximo três ou quatro ondas.
Essa evolução trazida pelo jet ski fez com que o tow in rapidamente acertasse em cheio aqueles que mesmo antes da maquina entrar na agua já buscavam uma solução pra surfarem mais ondas e ondas maiores do que normalmente era possível na remada.
Enquanto o esporte crescia rapidamente no Hawaii, em Maresias o tow in ainda engatinhava. A primeira dupla que me recordo ter visto em Maresias era formada por Marco Merhej e Cebola. Na época ele nem tinham sled conectado ao jetski. Aquilo foi o início de tudo. Saulo Ramos e Leo, de Boissucanga, foi a segunda dupla formada para dar as primeiras estilingadas no tow in em Camburi.
Depois daquela época, muita coisa mudou, muitas duplas se formaram, surgiu a associação de surf de reboque de Maresias, regras estão sendo adaptadas e criadas, a discussao continua acirrada entre
que não aceitam a prática do esporte e aqueles que há alguns anos não aceitavam e que hoje ficam enlouquecidos quando a bóia exibe swell de mais de 2 metros com período acima de 13 segundos.
A evolução faz parte do esporte. É normal que tudo que é novo e diferente cause um certo impacto, mas tenho certeza de que daqui a alguns anos regras serão criadas e delimitações para a prática do tow in serão adaptadas de acordo com os lugares onde se pratica o esporte.
A associação de surf de reboque de Maresias foi criada com o objetivo de conscientizar e de barrar desavisados que não estão aptos a pilotar (carta de arrais), incentivando os associados a participar de cursos de técnicas de tow in, sempre ministrado por algum técnico habilitado na modalidade, além de técnicas de salvamento e de primeiros-socorros, fazendo com que o perigo de acidentes diminua consideravelmente e torne os tow in surfers uma ferramenta a mais no resgate de banhistas, agindo em conjunto com o corpo de salva-vidas local.
Foi realmente impressionante a harmonia que aconteceu entre surfistas e tow surfers na última sexta-feira em Maresias. Como as ondas foram entrando gradativamente, houve um respeito bem definido da parte dos tow surfers. Na real, havia muita gente surfando na remada até às 13 horas. E, com o passar do tempo, o próprio mar se encarregou de colocar a galera da remada na areia e abriu espaço para que as máquinas dominassem o pico.
Dá pra entender a insatisfação por parte de tantos surfistas. São tantas discussões, tanto rancor. Porém,
o que a maioria das pessoas não entendem é que 90% dos surfistas que pegam de tow in em Maresias são grandes surfistas na remada.
Por isso, acredito que antes de atirar pedras em quem pratica o tow in em Maresias, seria interessante tentar surfar em condições de 2 a 3 metros ali para ter ao menos uma idéia de como são as condições de arrebentação no pico.
Nao quero abrir uma discussão que certamente não terá mais fim. O interessante aqui não é quem está certo ou errado, se o tow in é certo ou não. Mas, o que acontece e me fez escrever esse texto foi presenciar a harmonia e o respeito com o qual todos os surfistas e tow surfers dividiram o pico do bar do Meio naquele lindo dia. Keep surfing. Aloha, Big Dog.
