Neste sábado, diversos surfistas promoveram uma homenagem ao lendário australiano Peter Troy, precursor do surf moderno no Brasil ao visitar o Rio de Janeiro em 1964, morto na semana passada.
Em plena era do madeirite, ele surpreendeu os surfistas do Arpoador por surfar com uma prancha de fibra. Durante o Oakley Rio Surf Pro International, amigos e admiradores de Troy jogaram diversos colares havaianos nas águas do Arpex.
Marcaram presença o havaiano Michael Ho, a primeira surfista brasileira, Fernanda Guerra, e a jovem Diana Cristina, bem como diversos legends do Rio, como Fedoca, Mario Bração, Rosaldo Cavalcanti e Arduino Colasanti, de 78 anos.
“Depois de ver o australiano surfando, os surfistas brasileiros nunca mais foram os mesmos. Na época, o surf estava engatinhando no
Brasil. A maioria dos brasileiros ainda usava as lendárias madeirites e precisava da ajuda de pés-de-pato pra entrar nas ondas”, relembra Rosaldo.
“Numa época em que não existia revista de surf, nem intercâmbio entre os surfistas brasileiros e o resto do mundo, o aparecimento de alguém com a técnica e os conhecimentos de Peter Troy provocou uma revolução no surf brasileiro”, continua o carioca.
Nascido na cidade de Hamilton, estado de Victoria, em 1940, Troy morreu em decorrência de trombose. Durante a juventude, ele tornou-se conhecido pelo espírito aventureiro, sendo considerado o descobridor de picos como Nias, Indonésia.
Nos anos 60, além de Peru e Brasil, ele também viajou por todo o litoral da África. Ele também surfou na Europa e no Hawaii, onde encarou as ondas de Makaha e Pipeline e também passou por inúmeras ilhas do Pacífico.
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No total, ele visitou perto de 150 países e chegou a desenhar um mapa para destacar todos os lugares onde surfou. Em 2002, Troy voltou ao Brasil para participar de um evento promovido pela embaixada da Austrália, visitou a redação do Waves e participou de um chat com os internautas.
Segundo os lendários Arduino Colasanti e Mario Bração, testemunhas das performances de Peter Troy nas ondas cariocas, o aparecimento do australiano no Rio de Janeiro foi um marco na história do surf no Brasil.
?A gente pegava onda de madeirite e nunca tinha visto ninguém andar em cima da prancha. Uma vez de pé na prancha, nenhum de nós fazia nada além de ir reto no corte. O Peter foi o primeiro surfista que eu vi andando sobre a prancha, indo até o bico e arriscando um hang five”, diz Bração.
Mario conta que também viu o australiano no Arpoaodor. ?Ele apareceu na praia vindo do Peru através da Amazônia, cheio de doenças e com uma ameba?.
Bração lembra que Peter chamou sua atenção logo que entrou na água remando com uma madeirite emprestada. ? Eu reparei que ele tinha uma técnica diferente e fiquei de olho na sua performance. Depois que o vi pegando uma onda de pé, no pontão do Arpoador, fiquei chocado?.
Para Rosaldo Cavalcanti, Troy está para o Brasil como Duke Kahanamoku está para a Austrália. “Para quem não sabe, Duke foi o primeiro homem a surfar de pé sobre uma prancha na Austrália, enquanto Peter foi o primeiro a surfar com um estilo moderno em águas brasileiras”, diz Cavalcanti.


