Depois de vários meses de merrecas e muito crowd, tudo o que queria era um mar com pressão e pouca gente. Quando os gráficos indicaram um swell de mais de 2 metros e 16 segundos de período, já comecei a comemorar.
Meu objetivo era surfar uma laje que já havia visto quebrar duas vezes. Na primeira a onda estava quase perfeita, mas o tubo terminava em uma cabeça de pedra, o que impossibilitava o surf.
Na segunda vez estava perfeito, mas o companheiro não quis encarar e não havia ninguém no pico. Com medo dos tubarões, deixei para a próxima.
Chegou a hora. Convidei dois amigos que sabia que topariam: Alex Chacon, surfista profissional, e Felipe Systello, um maluco como eu. Acordamos de madrugada e pé na estrada. Chegando ao pico, só alegria, havia dois jet-skis na água e ninguém na remada.
Nem pensamos muito. Tínhamos pouco tempo para surfar, pois ainda teria que trabalhar neste dia. Nunca vi ninguém surfar este pico na remada. Não parecia nada impossível, mas o receio rondava nossa mente. Tivemos que imaginar um ponto para pular das pedras e rezar para dar tudo certo.
No passado, tive problemas com jet-skis no line up, mas desta vez eles foram a salvação. O pico tinha muita correnteza e caronas foram essenciais. Foi só parceria, a alma de todos vibrando na mesma sintonia. Paz total!
Apesar do pouco tempo, a sessão foi especial. Infelizmente poucas ondas foram registradas. Alex e Systello pegaram boas ondas, mas não tiveram sorte de serem filmados. No outro dia fomos à caça novamente.
Desta vez achamos um pico que eu nem imaginava ser tão bom. Achamos meio que por sorte. Checando outro pico vimos estas ondas quebrando lá longe. Fomos conferir mais perto e ficamos loucos. Bombas tubulares quebravam para a direita enquanto do outro lado, em uma pequena ilha de pedras, esquerdas quebravam sobre uma laje.
O pico era meio sinistro. Boca de rio, fundo de pedra e o fantasma dos tubarões batendo em nossas cabeças. Tentamos esquecer este fator e nos atiramos na água.
Outra sessão memorável e novamente os jet-skis salvaram a barca. Mas as boas ondas não foram filmadas de novo. Ficamos um tempo na esquerda e nenhuma imagem de ação nesta onda foi registrada.
Alex pegou tubos em pé e nada registrado, ou por falta de bateria ou de tempo. Durante a semana o swell baixou e a busca continuou. Novamente achamos ondas sem crowd. No final da semana, com a cabeça feita, sentei para editar este vídeo. Aloha!
Carlos Portella conta com o apoio da escola QIBA. Para conferir mais vídeos e viagens do videomaker, acesse o site Umas Viagens.
Foto da reportagem Douglas Cominski / Shotspot.com.au.