Com um tubo sensacional logo nos primeiros minutos que rendeu 9.87, o francês Jeremy Flores ficou em ótima situação no outside e conseguiu impedir o bicampeonato do brasileiro Gabriel Medina no Billabong Pro Tahiti, sétima etapa do Championship Tour.
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Em ondas de até 2 metros e séries demoradas, Medina lutou muito pelo título, mas o dia era mesmo de Jeremy, que competiu de forma corajosa em Teahupoo.
Em junho deste ano, o francês levou uma vaca sinistra nas afiadas bancadas da Indonésia e machucou-se gravemente.
Ele era dúvida em Teahupoo e seu médico chegou a recomendar que não participasse da etapa, mas, com o auxílio de um capacete e uma técnica incrível nos cilindros do Tahiti, Jeremy resolveu se arriscar e teve a atitude coroada com uma belíssima vitória.
Os dois finalistas começaram a decisão adotando a mesma tática dos duelos anteriores. Enquanto Medina tentava colocar pressão e sair logo na frente, o francês optou pela paciência.
Depois que o brasileiro se deu mal na primeira tentativa, surgiu a melhor onda de todo o confronto e o francês não desperdiçou a oportunidade. Passou por dentro do túnel com maestria e arrancou 9.87 dos juízes.
A partir daí, poucas séries pintaram no outside, mas o brasileiro não ficou parado. Depois de algumas tentativas, Medina conseguiu 7.17 em sua melhor onda. Jeremy também ampliou seu somatório com 7.00 pontos e deixou o brasileiro precisando de 9.71.
Gabriel Medina ainda melhorou sua pontuação com 6.03, mas não conseguiu outra onda expressiva para tentar a virada.
“Gabriel é um cara muito tático, então pensei em jogar em o meu jogo”, diz Jeremy. “Ele é muito agressivo na água, então procurei ser ainda mais agressivo. Tiro o meu chapéu, ele surfou de forma incrível durante todo o evento e certamente foi uma das baterias mais complicadas”, revela o francês.
“Aquela nota 9.87 na final foi a onda que fez as coisas começarem para mim. Estava sentado lá fora e ficando nervoso, esperando pelas ondas. Lembrei que mesmo que eu perdesse a bateria, seria o cara mais sortudo do mundo por estar ali. Apenas procurei ficar calmo”, continua o campeão.
“Nos últimos dois anos não tive os resultados que queria, mas o mais importante era que eu não estava me divertindo”, lembra o atleta. “O surfe é o mais belo esporte no mundo e se você não se divertir surfando, então há algo errado. Tive que recomeçar e ajustar a minha mente. Fiz isso ficando perto da minha família e das pessoas que amo, e foi graças a eles que voltei a me divertir e a ficar faminto como eu costumava ser. Este ano estou lá para vencer e se isso não acontecer, tudo bem”, finaliza Jeremy Flores.
Medina também falou sobre o segundo lugar no Billabong Pro Tahiti e a batalha contra o francês. “Acho que cometi um erro no início, deixando Jeremy ter a prioridade”, lamenta o brasileiro. “O oceano estava devagar e não consegui encontrar a nota. Estou feliz pelo segundo lugar e por Jeremy também, especialmente depois da sua contusão. Estou amarradão por estar de volta ao pódio. Foi uma bateria dura e gostaria que mais ondas viessem, mas contente pelo resultado”, comenta Medina, que saiu da 15a para a décima posição no ranking.
No caminho rumo ao topo do Billabong Pro Tahiti, Jeremy Flores começou a terça-feira eliminando o amigo brasileiro Wiggolly Dantas em uma disputa acirrada que terminou com o placar de 13.37 a 13.23.
Nas quartas-de-final, Jeremy encontrou o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater e protagonizou uma bela virada nos minutos finais, vencendo um dos principais candidatos ao título em Teahupoo por 16.83 a 15.66 pontos.
Autor da única nota 10 do evento, CJ Hobgood foi a vítima do francês na semifinal. O confronto teve poucas ondas e Jeremy foi melhor com 15.86, contra 8.93 do norte-americano, que em seguida recebeu o prêmio em memória a Andy Irons pelas excelentes performances durante a competição.
Já Medina disputou uma bateria a menos que Jeremy nesta terça-feira. O brasileiro já estava nas quartas-de-final e começou o dia batendo o australiano Kai Otton pelo placar de 15.67 a 11.00. Em seguida, detonou um dos melhores tube riders de Teahupoo, Owen Wright, com 16.63, contra 8.60 do aussie.
Outros brasileiros
Além de Gabriel Medina e Wiggolly Dantas – derrotados por Jeremy -, o último dia do Billabong Pro Tahiti contou ainda com os brasileiros Filipe Toledo, Bruno Santos e Italo Ferreira.
Na quinta fase, o paulista Filipe Toledo buscava avançar para assumir a liderança do ranking mundial, mas deu adeus ao evento sem surfar nenhuma onda na bateria.
Seu algoz foi o compatriota Italo Ferreira, que comandou as ações na água e disparou na liderança do confronto.
Enquanto o adversário – que levou cinco pontos no cotovelo depois de chocar-se com a bancada há alguns dias – esperava pelas séries, Italo abusava dos tubos nas ondas intermediárias e construiu um placar elástico, saindo da água com 6.17 e 8.83 nas duas melhores ondas.
Logo depois da vitória de Italo sobre Filipe, o australiano Kai Otton travou um duelo eletrizante com Bruno Santos, vice-campeão da triagem.
A bateria começou monótona, mas teve um desfecho emocionante. Bruninho teve duas ótimas chances, mas caiu quando saiu de um cilindro e já preparava a prancha para cavar. No fim da bateria, logo depois de conseguir a sua melhor nota (7.03), o brasileiro pegou uma craca pesada, mas não conseguiu controlar o drop.
Melhor para Otton, autor de 5.67 e 7.83, contra 4.73 e 7.03 de Bruno Santos.
Estreante no Tour, Italo Ferreira chegou a liderar a abertura das quartas-de-final com notas 7.27 e 8.67, mas o australiano Owen Wright encontrou um belo cilindro e finalizou a onda com um cutback batendo no crítico. Os juízes deram 9.43 ao aussie e a partir daí as séries pararam de entrar em Teahupoo.
“Fiz o meu melhor, mas Owen é incrível. Estou amarradão, é a minha primeira vez aqui e foi um ótimo resultado para mim. Quero seguir em frente nos próximos dois eventos e estou voltando ao Brasil para ficar preparado”, diz Italo.
Veja a nota 9.87 de Jeremy
Resultado
1 Jeremy Flores (Fra)
2 Gabriel Medina (Bra)
3 CJ Hobgood (EUA)
3 Owen Wright (Aus)
5 Kai Otton (Aus)
5 Kelly Slater (EUA)
5 Italo Ferreira (Bra)
5 Josh Kerr (Aus)
9 Filipe Toledo (Bra)
9 Bruno Santos (Bra)
9 Wiggolly Dantas (Bra)
9 Aritz Aranburu (Esp)
Ranking do CT depois de 7 etapas (top 22)
1 Adriano de Souza (BRA) 34.950
2 Mick Fanning (AUS) 34.700
3 Owen Wright (AUS) 34.400
4 Julian Wilson (AUS) 33.200
4 Filipe Toledo (BRA) 33.200
6 Kelly Slater (EUA) 28.400
7 Jeremy Flores (FRA) 27.250
8 Josh Kerr (AUS) 24.900
8 Italo Ferreira (BRA) 24.900
10 Gabriel Medina (BRA) 24.150
11 Nat Young (EUA) 22.750
12 Taj Burrow (AUS) 22.700
13 Wiggolly Dantas (BRA) 21.150
14 Kai Otton (AUS) 20.100
15 Bede Durbidge (AUS) 19.450
16 John John Florence (HAW) 18.250
17 Matt Wilkinson (AUS) 16.750
18 Joel Parkinson (AUS) 16.700
19 Jadson André (BRA) 15.450
20 Adrian Buchan (AUS) 14.500
21 Sebastian Zietz (HAW) 13.250
22 Keanu Asing (HAW) 13.000
Próximos brasileiros
26 Miguel Pupo (BRA) 10.750
33 Alejo Muniz (BRA) 7.950
Confira mais detalhes em nossas próximas atualizações.