Trip inesquecível

Férias no Panamá

Thiago Portes arrepia as boas esquerdas em Dumpers, Panamá. Foto: Martin Edwards.

Sempre ouvi falar que o Panamá possui um grande potencial para surf. Já viajei para lugares alucinantes como Costa Rica, Peru, Hawaii, Califórnia e México.

 

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Vi que o Panamá também é um ótimo lugar para se tirar férias. Quando meu irmão e eu fomos para Costa Rica conhecemos alguns brasileiros que nos indicaram o Panamá, principalmente Bocas Del Toro, onde estão situados arquipélagos incríveis com altas ondas.

Esse pensamento ficou martelando nossa mente por um bom tempo, até que em nossas férias de julho de 2005 decidimos explorar a costa panamenha.

Estava tudo esquematizado, nossa grande amiga brasileira, Fernanda

Fernanda Gonçalves garante a presença feminino no outside de, Carineros. Foto: Martin Edwards.

Gonçalves estava morando lá na época e nos convidou para ficar em sua casa.

Não deu outra, lá fomos nós, eu e meu irmão mais velho, Marcello Portes, fiel companheiro de surf trips. Planejamos em ficar um mês completo para termos mais chances de pegarmos boas ondas.

Chegamos lá, alugamos uma caranga, nos alojamos na casa da Fernanda e acompanhamos o swell pela internet até que chegasse à costa. No começo surfamos alguns picos na baía panamenha para aquecer as ?turbinas?.

Quando vimos que estava formando um swell pelo Caribe, pensamos: vamos arriscar Bocas Del Toro, porque em uma dessas podemos nos dar muito bem. Não deu outra, pegamos o carro, o fotógrafo panamenho Martin Edwards, e partimos.

Felizmente fizemos uma grande amizade com o Martin que nos acompanhou a viagem inteira, do começo ao fim. Ele nos mostrou onde rolavam as melhores ondas em Bocas del Toro e nos ajudou em tudo que precisamos.

Ficamos em uma pousada muito boa, onde nossa varanda era um deck de frente para o mar. Portanto, logo marcamos com um dos ?lancha-taxi? para nos pegar às zero horas no deck da varanda.

Dia seguinte, lá estava o ?lancha-taxi? pronto para nos levar para os reef breaks. Deu para ver que o swell estava na área, pois de longe vimos espumas para tudo que é lado. Como gosto de tubos, fomos primeiro para Dumpers.

Dumpers é uma esquerda tubular que quebra acima de uma bancada rasa de corais e o swell precisa estar bom para que os tubos comecem a rolar. Localismo também rola solto nesta área.

Como eu era o único goofy-footer da história, fiquei alucinado. Surfamos o pico por horas. Rolaram bons tubos, manobras e a galera se divertiu bastante.

Como já disse antes, os locais são bem chatos neste pico, eles não queriam que tirássemos fotos e óbvio que queriam as melhores ondas para eles.

As que sobravam a gente pegava e desfrutava muito bem delas. De repente, os locais surtaram e quase subiram no barco para jogar a câmera na água, até que Martin encerrou a seção de fotos e conversou com eles. Para nossa alegria, Martin já tinha tirado altas fotos. Portanto, voltamos à pousada feliz da vida.

Nossa próxima opção foi surfar Carineros, esquerdas com seções tubulares e de manobras, um verdadeiro playground. Quebra acima de uma bancada de corais rasa, e neste pico não tivemos problemas com locais.

Esse lugar é realmente alucinante pelas suas ondas incríveis e por ser um dos lugares mais paradisíacos de Bocas. Nessa onda consegui entubar, manobrar e fazer a cabeça tranquilamente, sem a pressão dos locais.

Marcello e Fernanda também fizeram a cabeça. Este foi o pico que mais nos favoreceu, pois teve dias que pegamos ondas sem ninguém na água.  Era rodízio de ondas, eu pegava, depois quando voltava no canal, lá estava meu irmão descendo a próxima, com Fernanda dropando na seqüência.

O sentimento de estar em um pico como este foi realmente inesquecível. Sem uma alma na água. É claro que não foi todo dia assim, mas tinha onda pra todo mundo.

Todos os dias voltamos à pousada alucinados pelas ondas que tínhamos pegado. Víamos todas as fotos durante a noite e dormíamos com o sorriso estampado no rosto.  Surfamos também um pico chamado Punch.

Punch também possui um ótimo potencial, é outra esquerda que quebra acima de uma bancada de corais e que proporciona tubos e manobras. Só não tiramos fotos desse pico porque choveu muito nos dias que surfamos por lá.

 

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Marcello Portes pega as da série em Dumpers. Foto: Martin Edwards.

O swell finalmente começou a abaixar e vimos que era hora de voltar para a cidade do Panamá, para aguardar o próximo swell. Chegamos muito bem de viagem e logo checamos as previsões.

 

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As previsões indicavam que uma boa ondulação estava por vir. Logo fizemos nossos planos, pegamos a caranga, nosso grande fotógrafo Martin e lá fomos nós para Catalina.

Santa Catalina possui uma direita forte, que quebra em uma bancada de pedras perigosas e é o lugar que rola com mais freqüência no Panamá.

As condições mais apropriadas para o surf é quando a maré esta

Panamá conta com praias paradisíacas por toda sua costa. Foto: Martin Edwards.

subindo, pois quando a maré fica seca as pedras ficam expostas. Surfamos a onda com 1 metro e já deu para sentir a adrenalina correr.

Desta vez, quem se deu melhor na história foi Marcello, ele é regular e pegou as melhores séries da trip, inclusive tubos. Fernanda também se destacou bastante por ser uma das únicas meninas no meio de todos aqueles marmanjos no outside.

O melhor dia em Catalina foi quando a maré estava super seca e ninguém estava surfando.

Como as ondas estavam com tamanho, elas quebravam bem no outside afastado das pedras. Então, Marcello, Fernanda e eu saímos correndo para arriscar um surf sem crowd.

A maré começou a subir enquanto estávamos na água e acabamos pegando a melhor hora do dia sem ninguém.

Foi muito engraçado porque quando o crowd viu que estava realmente bem surfável, todos correram para a água. Quando chegaram ao outside entrou a maior ventania.

Já Marcello, Fernanda e eu saímos da água de cabeça feita. Demos muita sorte naquele dia. Catalina é uma direita muito boa de surfar, recomendo à todos surfistas experientes.

Brasileiros são muito bem aceitos por lá, pois tem uma pousada de um brazuca que foi um dos principais pioneiros do pico.  Enfim o swell baixou, saímos de lá e voltamos para a casa de Fernanda na cidade de Panamá para aguardar a próxima ondulação.

Checamos a previsão e vimos que tinha um pequeno swell encaminhado para a baía do Panamá e já estávamos perto do fim de nossa jornada. Então decidimos explorar a costa local.  Fomos para uma ilha chamada Chepillos.

Chepillos é uma ilha localizada relativamente perto da cidade de Panamá que possui alguns reef breaks. Um deles é uma direita muito bem localizada em uma das pontas da ilha, com um incrível potencial.

No outro extremo da ilha tem mais dois reef breaks para a esquerda que também proporcionam boas ondas. A ilha é paradisíaca, muito preservada e não possui comércio algum em suas redondezas.

Fomos para a ilha preparados para uma merrecagem, pois o swell não estava grande. Desembarcamos ao lado do reef break e nos deparamos com boas direitas de 1 metro perfeitas para o treino.

Fizemos fotos e surfamos até o fim do dia. Ouvi boatos que essa onda fica muito similar a Lances Right quando entra uma ondulação grande. Também ouvi falar que essa é uma das ondas favoritas de Tom Curren no Panamá.

Foi uma pena que nos não pegamos a onda do jeito, mas deu para se divertir e ver que esse é mais um lugar que promete. Passamos o dia inteiro por lá e voltamos para casa mais uma vez felizes da vida.

Porém, nossa felicidade não durou muito, pois nossa trip já estava chegando ao final. Arrumamos nossas malas mais uma vez, mas dessa vez para embarcar de volta à nossa terra de origem.

A despedida foi muito difícil para mim e meu irmão. Fernanda se despediu de nós sabendo que em breve estaríamos de volta. A conclusão que chegamos foi que Panamá realmente apresenta ótimas condições para o surf.

Vale a pena conhecer este paraíso de praias exóticas. Já estamos ansiosos para nossa segunda turnê panamenha.

 

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