Origem do surf

Estudante fabrica pranchas ecológicas

Marcelo Ulisséa exibe as pranchas ecologicamente corretas. Foto: Arquivo Pessoal.

O shaper utiliza a madeira Agave, retirada da planta já morta. Foto: Arquivo Pessoal.

O estudante de oceanografia Marcelo Ulysséa traz ao Brasil a prancha de madeira ecologicamente correta.
 
Marcelo aprendeu os segredos e as técnicas da fabricação do produto em uma passagem pelos Estados Unidos, com Gary Linden, famoso shaper norte-americano.

O estudante utiliza a madeira do tipo Agave em seus blocos e explica que ela é diferente da espécie balsa, muito conhecida na América Central.

“A Agave é mais leve e porosa, por isso os blocos feitos dela são maciços. As cores vão do amarelo claro, passando por tons de marrom até o cinza escuro, tornando as pranchas exclusivas e diferentes”, conta o shaper.

A Agave é uma planta exótica (não nativa do Brasil) e invasora (alastra-se em ambientes de mata e dunas, suprimindo a vegetação existente).

 

Os blocos são feitos a partir da madeira seca, retirada da planta já morta, portanto o meio ambiente não é degradado pela retirada da madeira.

O shape é igual ao feito em pranchas convencionais, já a laminação precisa ser feita com cuidados especiais, como um banho de resina líquida para impermeabilizar o bloco.

O processo é feito artesanalmente, desde a colheita, secagem e prensagem das toras. ”Comecei fazendo blocos para uso pessoal, mas o resultado foi muito bom e vários shapers começaram a encomendar”, afirma Marcelo, que já surfou Mavericks, EUA, com uma gunzeira 9’3” feita por ele e laminada por Jeff Clark.

Em parceria com a engenheira civil Marcella Silvestro, pós-graduada em meio ambiente, Marcelo desenvolve um projeto de pesquisa para utilização da madeira e manejo desta espécie do ambiente onde ela está causando degradação.

Por conta disto, os dois foram indicados para diversos prêmios de empreendedorismo e inovação, incluindo o de melhor projeto na categoria Indústria do Prêmio Santander 2009. Além disso, eles conseguiram uma verba da Fapesc (Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina) que ajuda a transformar este hobby em um empreendimento de sucesso.

O processo de fabricação de uma prancha comum gera sete quilos de lixo tóxico (fibra de vidro, poliuretano), enquanto que no das pranchas ecológicas os resíduos são biodegradáveis, viram adubo orgânico, e podem ser digeridos por cupins e formigas.

A fábrica de blocos ecológicos começou a funcionar em novembro, em Santa Catarina. Para obter mais informações sobre as pranchas, acesse o site Agave Hunter ou envie mensagem para [email protected].

 

 

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