Especialista em tubarão diz que Bertioga não é zona de risco

Foi confirmado pelo biólogo Otto Bismarck o ataque de tubarão ao garoto Geílson Alves Bezerra, 13, ocorrido no dia 10 de fevereiro em Guaratuba, Bertioga, litoral norte de São Paulo.

 

Considerado um dos maiores especialistas em tubarões do mundo, Bismarck visitou Geílson na Santa Casa de Misericórdia de Santos no último dia 7, onde o garoto está internado desde 25 de fevereiro, depois de mais de duas semanas sob os cuidados da Unidade Hospitalar Mista de Bertioga.

 

Depois de avaliar o ferimento de Geílson, o especialista acredita ter sido mesmo tubarão o animal responsável pelo ataque.

 

De acordo com o biólogo, as características da lesão revelam tratar-se de uma abocanhada de tubarão. Ele explica que o ferimento causado por um animal destes é irregular, não tem um formato simples, não é simétrico e, muitas vezes, traz perfurações individuais de dentes.

 

No caso de Geílson, ele verificou algumas destas particularidades, sendo possível identificar o tipo de autor da mordida.  

 

“Estes ataques são muito raros, mas podem acontecer. O bicho provavelmente estava em atividade de caça e experimentou o rapaz, ou por curiosidade ou por fome, visto também que Geílson estava completamente sozinho no mar. Mas isso não significa que Guaratuba ou Bertioga sejam área de risco”, diz Bismarck.

 

Por ano ocorrem em média 100 ataques de tubarões no mundo inteiro, segundo pesquisa do biólogo, um dos quatro representantes do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões.

 

“Este número confirma a pequena probabilidade de incidentes com tubarões. Por isso acredito, em primeira instância, que foi ocasional o ocorrido com Geílson. Não temos ainda qualquer indício de que Bertioga seja área de perigo. Se, em curto espaço de tempo, outra vítima aparecer, aí sim devemos ficar de antena ligada”, alerta o especialista.

 

Bismarck afirma que o litoral paulista é rico em presença de cações. “Nesta época do ano é normal eles surgirem na costa para acasalamento e procriação. A questão é morderem as pessoas”, diz. Segundo o especialista, não existe diferença biológica entre o tubarão e o cação. “A diferença é apenas comercial”, informa.

 

Além de ser assessor da revista National Geographic, mestre e doutorando em zoologia e professor da Universidade Santa Cecília, de Santos, Bismarck realiza há sete anos um trabalho de monitoramento da presença de cação em Itanhaém, litoral Sul de São Paulo.

 

Ele vai à praia semanalmente verificar o número de cações capturados por pescadores. “Em 234 visitas, contamos 13.900 cações, ou, se preferir, tubarões. E tenho conhecimento apenas de um acidente deste tipo na região”, diz.
 
Sufoco – Geílson está internado em Santos e recebe tratamento adequado. A boa notícia: ele não corre mais o risco de perder a perna. De acordo com um dos cirurgiões responsáveis pelo garoto, ele está se recuperando muito bem e, ainda nesta semana, deve fazer enxerto de pele na coxa atingida. 

 

“Não fiquei mais assustado por ter certeza de que realmente foi um tubarão que me atacaou. Isso eu já sabia. Acho que estou começando a superar este trauma e não quero que isto seja um problemão para eu voltar a surfar. Quando estiver recuperado, vou cair em Guaratuba, onde moro, com certeza. Com um pouquinho de medo, mas vou surfar de novo”, garante Geílson.

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